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Comércio abre 6 mil novas vagas em Manaus

Setor deve oferecer em setembro 300 vagas e até dezembro, na expectativa de que o segundo semestre seja aquecido  09/08/2012 às 08:00
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6 mil novos postos de trabalho devem ser abertos pelo comércio até o final deste ano
Renata Magnenti ---

De olho no aquecimento das vendas neste segundo semestre, o comércio em Manaus pretende contratar até dezembro cerca de 6 mil novos comerciários. No entanto, o setor deve encerrar o ano com crescimento de 4,6%, contra os 6,5% registrados em 2011 - queda de 29,2%. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), Ralph Assayag, espera que em setembro sejam oferecidas 300 postos de trabalho, em outubro 200, em novembro 2.500 e em dezembro 2.800. “Temos aproximadamente 25 mil lojas em Manaus e todas devem contratar neste segundo semestre”, justificou. Segundo ele, os lojistas recorrem ao banco de dados de perfis da CDLM, usam os classificados de jornais para anunciar vagas e as unidades do Sistema Municipal de Emprego (Sines). O salário base gira em torno de R$ 800 e pode chegar a R$ 7 mil, dependendo da meta de vendas.

Justificativa
O cenário de contratação e aquecimento das vendas não é algo pacífico entre empresários do setor (ver blog). “O crescimento deste ano será sob o ano de 2011, então é como se acumulássemos um crescimento. Levamos em conta ainda que novas lojas têm sido inauguradas e que o comércio é o único setor econômico que dribla todo tipo de crise para manter suas metas”, disse Ralph. De acordo com o presidente da CDLM, deve-se considerar também que o setor sofreu com a cheia histórica registrada este ano em Manaus. Atualmente, o setor sofre também, em dose menor, com a greve dos auditores da Receita Federal responsáveis por liberar produtos nos postos alfandegados.

Inadimplência
Do outro lado do balcão, estão os consumidores e, atualmente, mais de 380 mil deles estão com CPF registrados no banco de dados do Serasa Experien como maus pagadores. Em junho deste ano, a taxa de inadimplência foi de 3,6% e, em julho, de 3,4%. Ralph explica que essa queda registrada é consequência da inversão de recurso proveniente do adiantamento do décimo terceiro de alguns trabalhadores. “Alguns deles optam por pagar dívidas e as lojas estão sendo mais seletivas ao validar crédito para quem já está na lista dos maus pagadores”, afirmou. Ontem, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) apresentou que a inadimplência no País recuou 5,68% em julho deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado. Passando de 4.53% em 2011, para 4.40% este ano. A queda do crédito no período são apontados como fatores que contribuíram para a desaceleração econômica.

Blog - Ismael Bicharra, Presidente da Associação Comercial do Amazonas
“A realidade é aquela que estamos vendo. As coisas não vão bem no comércio e não acredito em crescimento. No primeiro semestre deste ano, o setor demitiu 7.519 trabalhadores e contratou pouco mais de 5 mil. A indústria registrou, no mesmo período, demissões em torno de 10% a 15%. São quase 17 mil trabalhadores desempregados no Amazonas. Sinceramente, diante deste cenário, não acredito que iremos encerrar o ano com bons resultados. Ouvi alguns lojistas afirmando até que não haverá crescimento.”

Comércio crescerá menos
A expectativa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) era que o comércio encerrasse o ano com crescimento de 6%. Entretanto, ontem, o presidente da entidade, Roque Pellizzaro Júnior, afirmou que o crescimento deve ficar entre 4% a 4,5%. “É uma projeção mais realista com a capacidade de venda do varejo”, disse. Segundo o executivo, apesar da revisão, há expectativa de que o segundo semestre seja “muito melhor” para o setor do que o primeiro. A redução da perspectiva foi necessária, segundo Roque, porque algumas “molas propulsoras” perderam a força. Como exemplo, ele citou o mercado de trabalho. “Hoje a situação de pleno emprego em algumas regiões, já não é mais uma mola propulsora”. Outro fator é o rearranjo financeiro que o consumidor se propôs a fazer. “O brasileiro disse para ele mesmo que é preciso dar uma pausa nas compras para que haja ordenamento no orçamento da família”, informou Roque.