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Comércio de bairro movimenta a economia em Manaus

Bairro Manoa, criado em 1986 para atender apenas professores da rede estadual de Ensino viu seu comércio crescer com o passar do tempo, contudo, problemas estruturais acompanharam esse desenvolvimento e hoje o Poder Público luta para por ordem no local 19/03/2012 às 07:01
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Os comerciantes e ambulantes do bairro criticam o trabalho da Prefeitura, por não concordarem com o choque de ordem aplicado no local
ANA PAULA SENA Manaus

Com predominância de atividades econômicas devido a chegada de grandes empresas e comércios, o conjunto Manoa, Zona Norte, hoje é um dos mais sólidos e lucrativos centros comerciais de Manaus, segundo moradores, gera mais de mil empregos diretos e indiretos.

Reunidos principalmente na Avenida Francisco de Queiroz (antiga Estrada do Manoa), os comerciantes foram se multiplicando junto com o crescimento do bairro, que surgiu no início do ano de 1986, com apenas uma etapa.

As casas primeiramente foram construídas pela Superintendência de Habitação do Amazonas (SUHAB) e eram destinadas apenas para professores da rede estadual de Ensino. Com o decorrer dos anos e a crescente imigração de interioranos em direção a capital, o Manoa passou a ser referência como área comercial da cidade.

Choque de ordem

Esse crescimento fez também com que muitos ambulantes irregulares permanecessem na área, causando desorganização no bairro. Durante a semana passada o conjunto recebeu o Choque de Ordem, promovido pela Prefeitura de Manaus para organizar a cidade. O primeiro bairro a receber a ação educacional do poder público municipal na área foi o Manoa. Durante o ato, servidores municipais atuaram em conjunto na Avenida Francisco de Queiroz.

A ideia era de orientar os comerciantes sobre irregularidades como a exposição de produtos no meio da passagem de pedestres, poluição sonora e estacionamento em local inadequado, mas a ordem de retirada dos ambulantes do local não agradou os vendedores que realizam uma manifestação contra o programa na ultima sexta-feira (16).

Carlos Façanha de Souza, 48, possui uma banca há 13 anos na avenida e afirma que após a fiscalização do Choque de Ordem as vendas caíram em mais de 50%. “Eu vendia cerca de R$ 200 por dia e durante essa semana que aconteceu a ação estou vendendo menos de R$ 50 por dia. Estamos nos sentindo prejudicados”, desabafou.

 

Segundo a ambulante Leoana Ferreira Monteiro, 51, a maioria dos clientes precisa parar o veículo para realizar as compras e isso está proibido com as fiscalizações. “Durante a semana, muitas pessoas foram multadas e não querem mais voltar aqui. Não temos outro lugar para trabalhar, esse é o nosso sustento”, enfatizou.

Presidente do Clube de MãeS, Edite Alves

 “Morar no Manoa é muito tranquilo. Vivo com meu esposo, três filhos e um neto desde abril de 1986, um mês após a fundação. O sossego é o que me faz ser apaixonada pelo bairro, principalmente na idade que tenho, onde a garantia de um bom descanso é o mais importante. Sou a presidente do Clube de Mães e posso dizer que realizo um trabalho essencial para a comunidade. Na época em que criamos o clube, as mães não tinham diversão e começamos a nos reunir para fazer bolos e outros tipos de comida, a ideia deu tão certo que fundamos o clube oficialmente em 1991. Atualmente temos uma diretoria organizada e mais de 40 mães participam semanalmente dos cursos de corte e costura, artesanatos, culinária e bijuterias que oferecemos”.

Como nos velhos tempos

Os constantes assaltos e a presença de tráfico de drogas eram um dos mais graves problemas do Manoa, mas com a chegada do programa “Ronda no Bairro” os moradores passaram a se sentir mais seguros.

O presidente da associação dos moradores, André da Silva, 49, relata que com o reforço policial os moradores estão mais tranquilos, como nos “velhos tempos”. “Tínhamos muitos problemas em relação a assaltos e tráfico de drogas, não posso dizer que acabou, mas esses problemas melhoraram muito”.

O comerciante Raimundo Nonato, 45, também afirma que o índice de assaltos reduziu. “Ano passado fui assaltado mais de cinco vezes e esse ano nenhuma vez. Me sinto, sim, mais seguro”, disse.