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Comércio de Manaus apoia construção de camelódromo

Comerciantes da Theodoreto Souto dizem que um shopping popular na região vai aumentar o fluxo de clientes para eles 06/07/2012 às 07:55
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No centro da praça Tenreiro Aranha está o Pavilhão Universal, um local que era usado para reuniões dos “barões da borracha” no inicio do século passado
Carolina Silva Manaus

Em meio aos impasses entre a Prefeitura de Manaus e o Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas para construir o camelódromo na rua Theodoreto Souto, na praça Tenreiro Aranha, comerciantes apontam expectativas com os resultados positivos nas vendas com o novo empreendimento, enquanto turistas e manauenses se mostram desfavoráveis e sugerem a revitalização do local.

A gerente de loja Yana Nogueira, 32, não contesta  a proposta da prefeitura de construir um shopping popular na praça, embora tombada como patrimônio histórico pelo Iphan. Segundo ela, o fluxo de pessoas no local também vai atrair clientes aos estabelecimentos comerciais das proximidades. “Uma vez que o camelódromo vai atrair muita gente pra essa área, a expectativa é que melhore também o fluxo de clientes para as lojas”, sustentou.

O comerciante Alberto Martins, 42, vê  lucros como reflexo do novo empreendimento do município. “Aqui o fluxo de pessoas é bom, mas vai aumentar mais com a presença de um local com camelôs. Além disso, os clientes vão se sentir mais atraídos às lojas porque não vão ter problemas de circulação por conta dos camelôs nas calçadas”.

Enquanto isso, quem vem de outras cidades e até mesmo de outros países e inclui a área central no roteiro de visitas por Manaus, se mostra desfavorável ao uso de um patrimônio histórico para fins comerciais. “É lamentável que a cidade perca um de seus pontos turísticos para o comércio e com intuito de melhorar a circulação de pedestres e carros. Acredito que deveria avaliar outro espaço não tombado para os camelôs e revitalizar a praça”, disse a paulista Sandra Linhares, 41.

História
No período áureo da borracha em Manaus, a praça Tenreiro Aranha era ponto de encontro dos “barões da borracha” que se reuniam no Pavilhão Universal. Mas, hoje, o monumento está abandonado, enquanto que a praça se mantém limpa por conta da feira de artesanato no local. “A gente vê que o espaço se mantém conservado por conta da feira, mas deveria ser revitalizado com o intuito de resgatar uma parte da história da cidade”, disse a turista inglesa Kimberly Lowett, 25.

De acordo com a Central de Atendimento ao Turista, turistas brasileiros e estrangeiros visitam diariamente a praça Tenreiro Aranha pelo valor histórico do espaço. “Deveriam revitalizar a praça, assim como o Pavilhão Universal que poderia servir como um local para pequenas manifestações culturais. Acho um absurdo destruírem parte da história para dar espaço a um camelódromo”, disse a designer Liege Santana, 45.

Miki sugere fechamento de avenidas
O vereador Massami Miki voltou a sugerir nesta quinta-feira (5) o fechamento das avenidas Eduardo Ribeiro e parte da 7 de Setembro, no trecho entre a Eduardo Ribeiro e a praça Heliodoro Balbi (praça da Polícia)  no horário entre 6h e 21h para o trânsito de veículos.

O objetivo é deixar as duas vias do centro comercial da cidade para uso exclusivo, nesse período, para o fluxo de pedestres e transformar a região em um grande shopping para a população.

Em abril do ano passado, Massami Miki chegou a solicitar da prefeitura, por meio de requerimento, estudos sobre a possibilidade de proibir o trânsito de veículos no mesmo trecho. Mas, até hoje, o município não se pronunciou sobre a solicitação.

Mas, camelôs ouvidos por A CRÍTICA contestam a proposta e reafirmam a necessidade de um camelódromo para melhorar o fluxo de pedestres no Centro da cidade. “Pra gente e pra população é melhor ter um local mais apropriado. Por isso, queremos o camelódromo”, disse Amadeu Júnior, 32.

Projeto já está sob avaliação do Iphan
O projeto de ‘viabilização de circulação de veículos’ no Centro de Manaus, foi apresentado na última quarta (4) ao Iphan pelo Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb).

No último dia 20 de junho, o Implurb anunciou o projeto de revitalização do Centro de Manaus e estimou um prazo de até 150 dias para ser implantado.

Até agora, o que foi cumprido como parte do projeto foi a desativação do terminal de ônibus da Matriz, no dia 21 de junho.

Além da retirada dos camelôs, também está previsto no projeto a redistribuição das rotas das 129 linhas de ônibus convencionais e dos 260 micro-ônibus e um novo plano de circulação de veículos no Centro da cidade.

2.134 camelôs trabalham atualmente no Centro de Manaus. O projeto da Prefeitura de Manaus de revitalização da área central da cidade inclui a construção de um camelódromo de três andares com capacidade para abrigar 1.448 camelôs. Se a obra for executada, outro espaço será avaliado para retirar mais 686 camelôs das calçadas do Centro.