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Comércio vai mal das pernas em Manaus, dizem lojistas

No primeiro trimestre, desacelerou o ritmo das vendas. “A situação é muito preocupante e no segundo semestre ainda deve ser pior”, diz o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Gaitano Antonaccio 05/04/2012 às 08:12
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Expectativa dos lojistas é que a partir de maio o cenário mude para melhor
Cimone Barros/Jornal A Crítica Manaus (AM)

Empresários do comércio estão preocupados com o desempenho do setor. No primeiro trimestre, houve diminuição no ritmo de crescimento das vendas do comércio varejista no Amazonas comparado à igual período do ano passado, em contrapartida aumentaram a restrição ao crédito para o consumidor, o percentual de inadimplência e as exigências burocráticas para a importação de produtos da China e da Índia. Atualmente, 382 mil pessoas estão com o CPF (Cadastro de Pessoa Física) negativado.

“A situação é muito preocupante e no segundo semestre ainda deve ser pior”, disse o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Gaitano Antonaccio. “Ela acende o sinal amarelo, mas, pelo menos, estamos crescendo”, destacou o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag.

Nos três primeiros meses deste ano, as vendas no Estado cresceram 2,70% ante 4,20% de igual intervalo de 2011.  Em março deste ano, a entidade estimava um crescimento de 3,5%, mas registrou 2,6%.

A cada mês, a média de inadimplência aumenta. Em março atingiu 3,5%, com entrada no estoque do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de mais 3.588 CPFs. O índice de maus pagadores em fevereiro e janeiro deste ano foi 3,3% e 3,2%, respectivamente.

Frustração
Segundo Assayag, os comerciantes esperavam um desempenho melhor para o trimestre. Nesse período, os governos Estadual e Federal já deveriam estar a pleno vapor com obras. Para piorar, com a queda de Selic (taxa de juros), o filtro dos bancos para a concessão de crédito aumentou, afetando principalmente os veículos de duas e quatro rodas. De Cada dez análises de financiamentos, apenas um ou duas passam. Há seis meses, eram pelo menos, cinco ou seis.

“Além disso, o problema da Europa é sério demais. A presidente Dilma Rousseff apresentou ontem as medidas para estimular à competitividade da indústria, mas as ações são pequenas; não quebraram paradigmas”, destacou Assayag.

Antonaccio lembrou que asmedidas de proteção à indústria nacional restringiram a importação de produtos como eletroeletrônicos, brinquedos e bebidas da China e Índia. “O governo está onerando os impostos de importação e há uma burocracia muito grande. Com tantos crivos à importação, como o comércio vai viver?", questionou.

Blog - José Fernando

Economista da Fecomércio-AM

 “O crescimento das vendas do comércio trimestre é tímido, preocupante, mas os indicadores de que dispomos ainda não são alarmantes. Na minha avaliação, penso que a tendência é de melhora do atual cenário no segundo semestre, que historicamente é mais movimentado para o comércio do que o primeiro. Logo teremos a Páscoa e o Dia das Mães, essa a segunda melhor data para o comércio ficando atrás do Natal. Esperamos, nessas datas, que as vendas apresentem sensível melhora. Nas nossas pesquisas, os empresários têm manifestado otimismo em relação ao retorno da economia ao ritmo normal nos próximos seis meses, apesar do crescimento pequeno verificado agora. Além disso, tem agora o Liquida Manaus, e as campanhas ajudam a melhorar a atividade comercial”.