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Manaus
Relatório quinteto fantástico

Comissão que investiga Quinteto Fantástico deve divulgar relatório na segunda-feira

Grupo designado pelo governador para investigar o " Quinteto Fantástico" da polícia adiou a entrega do parecer 26/05/2012 às 10:49
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Os cinco delegados cujo processo de nomeação está sob investigação por uma comissão governamental
Lúcio Pinheiro Manaus

A comissão governamental encarregada de investigar a legalidade da nomeação dos delegados do caso conhecido como “Quinteto Fantástico” promete para a segunda-feira entregar o relatório ao governador do Estado recomendando ou não a exoneração do grupo.

Os quatro membros da comissão passaram o dia de ontem reunidos analisando a defesa dos cinco delegados. O trabalho do grupo do Governo já se arrasta por 18 dias. A portaria para criar a comissão foi publicada no dia 8 deste mês.

Somente no dia 22 a comissão decidiu pedir que os cinco delegados se manifestassem no processo: dando prazo de 72 horas para que isso ocorresse. No último dia do prazo, 24, o quinteto enviou defesa à comissão.

 A comissão governamental é presidida pelo procurador-geral do Estado, Clóvis Frota. Os outros membros do grupo são Raul Zaidan, chefe da Casa Civil, Mário Antônio Sussmann, subcontrolador-geral da CGE-AM, e Jairo Bezerra Lima, advogado representante da OAB-AM.

A reportagem tentou contato por telefone com Clóvis Frota, mas ele não atendeu as chamadas ao 81xx-xx13. Raul Zaidan também não atendeu às chamadas para o telefone 99xx-xx31, e não esteve na Casa Civil durante a manhã de sexta-feira.

Por meio da Agência de Comunicação do Governo (Agecom), Raul Zaidan disse que a comissão não irá comentar com a imprensa o conteúdo do relatório. Somente o governador.

 A CRÍTICA falou por telefone com o advogado que faz a defesa dos cinco delegados, Franco Júnior, mas ele não quis comentar o assunto. Apenas disse que estava em Brasília, e que só retornará a Manaus na próxima semana.

Segundo reportagens do jornal A CRÍTICA e da TV A Crítica, o delegado-geral Mário César Nunes recomendou, sem respaldo legal, a nomeação de cinco candidatos reprovados no concurso para delegado realizado em 2009.

Entre os nomeados favorecidos está o próprio filho de Mário César, Caio César Medeiros Nunes. Os outros investigados pelo Governo são Celani Leal, Laura Câmara, Thomaz Vasconcellos e Herbert Ferreira Lopes.

O governador Omar Aziz (PSD) será orientado a exonerar o “Quinteto Fantástico”, caso a comissão governamental julgue as nomeações dos cinco delegados ilegais. Foi o que afirmou a A CRÍTICA o chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, na quarta-feira.

Na quinta-feira, o governador afirmou, pela segunda vez, que vai seguir o que for indicado pela comissão (leia três perguntas). No dia 4 deste mês, quando criou o grupo de investigação, Omar Aziz declarou: “Não tenho compromisso com esse grupo. Não fosse pelo Thomaz (Vasconcellos), que eu conheço pessoalmente, qualquer um desses, se passasse aqui por mim, eu não reconheceria. Eu não quero ter esse ônus. Vou fazer o que for determinado pela comissão”.

MP orientou criação da comissão

Após as denúncias de irregularidades na nomeação de delegados publicadas por A CRÍTICA, o Ministério Público Estadual (MPE-AM) orientou o governador Omar Aziz a criar uma comissão para investigar o caso.

Considerando o que se tinha conhecimento do caso até às reportagens, e mais as denúncias já apuradas pelo MPE-AM, o subprocurador-geral de Justiça José Hamilton Saraiva recomendou ao governador Omar Aziz a até, se fosse o caso, anular a nomeação e exonerar o quinteto supostamente beneficiado irregularmente.

Omar determinou, no dia 4 deste mês, que a comissão fosse instaurada. Mas a equipe designada pelo governador foi composta, de fato, no dia 11, três dias depois da portaria que a criou.

Segundo o governador Omar Aziz, o MPE-AM foi convidado para compor a comissão, mas recusou. “O Ministério Público não quis participar porque entendeu que não era o papel dele, mas foi convidado”, disse Omar, na última quinta-feira.

Governador cita contribuição de Nunes

Mário César Nunes  participou, na quinta-feira, do ato no qual o governador Omar Aziz (PSD) anunciou Josué Rocha de Freitas como o novo delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).

Omar Aziz disse ser grato ao trabalho do ex-delegado-geral. “Não posso sacrificá-lo só por essa questão. Porque teve outras questões que o Mário (César) nos ajudou. Ele passou quatro anos na delegacia (geral). Tivemos muitos avanços. Ele também contribuiu para que a gente chegasse aqui”, declarou o governador.

Procurado no evento pela reportagem, Mário César disse que não tinha nada a declarar a A CRÍTICA. No dia 30 de maio, o delegado completaria quatro anos à frente da PC-AM. Ele foi nomeado pelo então governador e hoje senador Eduardo Braga (PMDB).

 Mário César Nunes já havia sido delegado-geral da PC-AM por um período de seis meses: de 25 de junho a 27 de dezembro de 2002, no governo do hoje prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT). O delegado indicado, Josué Rocha, assumiu o cargo prometendo unir a polícia. “Unir, mas não em torno do delegado-geral, e sim em torno da instituição”, afirmou Rocha, na quinta-feira.