Publicidade
Manaus
Manaus

Companhia corta ligação clandestina de energia e interrompe aulas em escola de Manaus

Em mais um exemplo de descaso da prefeitura, Eletrobras/Amazonas Energia corta 'gato' e interrompe as aulas de uma escola na Zona Leste de Manaus 14/06/2012 às 07:55
Show 1
Depois da denúncia feita por A CRÍTICA, escola Professora Joana Vieira recebeu, um lote de alimentos, uma lousa aparentemente usada e cadeiras
Milton DE OLIVEIRA Manaus

A escola municipal Francisco Nunes da Silva, localizada na rua Princesa Dayane, comunidade Bela Vista, no distrito do Puraquequara, Zona Leste, funcionava há cinco anos com uma ligação clandestina, o popular “gato”. Nesta quarta-feira (13), ao meio-dia, após fazer uma rastreamento na área, a Eletrobras/Amazonas Energia cortou o gato e as aulas foram suspensas por tempo indeterminado.

É o segundo exemplo de descaso da Secretaria Municipal de Educação (Semed) para com estudantes da Zona Rural de Manaus. Nesta quarta (13), A CRÍTICA revelou que 300 alunos da escola municipal Professora Joana Vieira estudam desde fevereiro num galpão improvisado no ramal Água Branca,  comunidade Bandeirante, na estrada AM-010, a Manaus-Itacoatiara.

Mãe de uma aluna da escola Francisco Nunes da Silva,  Neuza França contou que, por conta da ligação clandestina, o poste de luz e a própria parede da escola conduziam energia e davam choques nas pessoas.

Conforme ela, após o corte do gato a  direção da escola informou aos pais que as férias escolares seriam antecipadas em duas semanas e  no retorno das aulas haveria compensação aos sábados. Neuza, contudo, disse que a comunidade não aceitou a decisão e pretende se reunir para cobrar da Semed uma solução alternativa.

Joana Vieira
Na tarde desta quarta (13), depois da denúncia feita por A CRÍTICA, os estudantes da escola municipal Professora Joana Vieira receberam caixas de frutas, pacotes de feijão, arroz e cadeiras escolares.

“Os professores já tinham comprado um frango e dois quilos de arroz para fazer canja para os alunos, quando chegaram carros, trazendo as caixas e o material escolar”, disse o caseiro Tiago Valente, 54. Ainda conforme os moradores do ramal, os alimentos foram entregues no galpão da igreja evangélica onde funciona a escola improvisada, no km 7. As lousas entregues, contudo, pareciam de segunda mão.

Sobre a conclusão da reforma da escola, situada no km 9 do ramal, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que “a obra teve uma parada técnica e a sua nova previsão de conclusão é até a primeira quinzena de agosto de 2012”, diz nota  enviada pela assessoria da pasta.

Pais de alunos disseram que hoje e amanhã não haverá aulas porque o galpão será usado para as atividades da igreja. “Não pagamos aluguel pelo local improvisado e sabemos quais são as condições para usar o galpão, que foi solicitado pela própria comunidade e não pela Semed. Mas, quem perde são os alunos”, contou Tiago.
    
Sofrimento longo
A reforma da escola municipal Professora Joana Vieira começou em março do ano passado. Neste ano, ainda sem ter a obra concluída, as famílias dos alunos solicitaram a igreja evangélica do ramal que emprestasse o galpão onde hoje estudam, de forma improvisada, aproximadamente 300 alunos. No local não há salas de aulas nem cadeiras suficientes para todos os alunos.