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Manaus
Ginástica concessionárias

Concessionárias de motos usam várias estratégias para atrair consumidor

Lojas que vendem motocicletas estão parcelando até lance de consórcio para atrair consumidor 15/06/2012 às 08:24
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Produção nas fábricas não está encontrado mercado consumidor favorável
Cimone Barros Manaus

 Para superar as perdas na comercialização de motocicletas, concessionárias do Amazonas enxugam gastos, empregos, comissões de funcionários e, de quebra, facilitam o pagamento das entradas de financiamento e lances de consórcio, que vão de quatro a dez vezes, conforme as empresas. Elas também investem em promoções, treinamento de mão de obra e em novos canais de relacionamento com o cliente, como site e mídias sociais, como preparação para entrar no e-commerce.

Em função da restrição de crédito e queda na liberação de financiamentos, este ano o setor acumula perdas de 4,2% nas vendas ao consumidor final no País e de 3,68% no Estado, ante janeiro a maio do ano passado, conforme dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) e da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automores (Fenabrave), respectivamente.

Em maio, porém, foram vendidas 2.228 motos no Amazonas, que representa um aumento de 42% sobre abril e de 11,8% sobre igual mês de 2011. As concessionárias desconhecem essa melhora. De cada dez análises de financiamento, de oito a nove são reprovadas. Já no consórcio (planos de 12 a 72 vezes), as empresas conseguem manter uma boa abertura, porém os resultados são de médio e longo prazo.

Restrições

O consumidor não consegue mais comprar sem entrada, que agora tem de ser em média de 20% a 30%, mas se for autônomo sobe para 40%, 50%. Há um ano quem ganhava cerca de R$ 1.200 ainda conseguia financiar uma moto de baixa cilindrada, hoje é quase impossível.

 De acordo com o gerente geral da Manaus Moto Center (Honda), Luís Abdala, eles já acumulam no ano uma queda de cerca de 30% no volume de vendas, contando a loja de Manaus e as cinco filiais do interior, e foram demitidos cerca de 50 funcionários, sendo 15 na capital.

 “Para tentar amenizar a falta de crédito, estamos investindo na promoção ‘Mão na Honda’ veiculada na mídia, com descontos de 15% em todas as motos. Além disso, estamos parcelamento em até seis vezes lance do consórcio”, revelou Abdala.

 Na Amazonas Motocenter, o recuo nas vendas é de 30% e esse início de junho segue com o mesmo patamar, "sem indício de melhora", afetando inclusive o pós-venda, segundo o gerente comercial Márcio Andrey Rodrigues.

 “Estamos parcelando o pagamento da entrada do financiamento em até quatro vezes no cartão de crédito, cheque pré-datado, diminuindo a nossa margem de lucro e negociando com as financeiras taxas de juros menores”, disse Andrey.

O gerente geral da Braga Motos, Hector Duran, informou que em maio houve perdas de 37% nas sobre igual mês de 2011 e de 7% frente janeiro a maio do ano passado. O porcentual é de quatro lojas, sendo três do interior. Após a “dinâmica de troca de funcionários”, houve um saldo negativo de oito vendedores externos. A entrada do financiamento na concessionária pode ser parcelada em até dez vezes, antes era apenas três.

Negócio a prazo e indigesto

 O corretor de imóveis José Orlando simboliza aquilo que acontece com outros que estão atento às armadilhas dos financiamentos. “Eu já possuí quatro motocicletas e comprei financiadas, mas percebi que isso não é bom. A gente termina pagando o valor duplicado, triplicado para o banco, e a burocracia é muito grande para obter financiamento, ainda mais que não tem comprovante de renda”, disse. Além disso, segundo ele, há o problema de correspondências que chegam atrasadas e os juros são altos. Agora, vou levar uma Honda FAN 125 ES à vista para usar para o trabalho, porque sou autônomo, e também para os meus deslocamentos pessoais. Eles não dão um desconto atrativo, Essa moto custa R$ 6.500 e vou levar por R$ 6.300 “, disse o corretor.