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Congestionamentos no trânsito complicam vida dos manauenses

Motoristas gastam até 30 minutos para percorrer 150 metros em vias que, na teoria, deveriam estar desafogadas 13/03/2012 às 07:35
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Djalma Batista é um dos gargalos do trânsito em Manaus; avisos sobre retenção no tráfego nas duas vias são constantes, principalmente na hora do rush
MILTON DE OLIVEIRA Manaus

Motoristas e passageiros de ônibus coletivos que precisam circular, em horário de pico, em vias consideradas desafogadas, devido à construção de viadutos e passagens de nível, continuam sofrendo a cada dia para fazer trajetos que, em teoria, poderiam ser feitos em segundos.

Em trechos como o da Torquato Tapajós, no bairro de Flores, Zona Centro-Sul, e Rodrigo Otávio, no Coroado Zona Leste, motoristas gastam até 30 minutos para percorrer 150 metros.

Há 15 anos como motorista de táxi, Francisco Marques faz o percurso Cidade Nova-Zona Leste-Centro todos os dias.

“Com a construção dos viadutos você pensa que os gargalos no trânsito vão desaparecer e que vai ter mais fluidez nas ruas e avenidas. Mas não é verdade. Você passa o viaduto e aí está o maldito engarrafamento”, disse ele, dizendo, também, que as administrações públicas não prepararam a cidade para ser uma metrópole.

“Levamos o nome de metrópole, mas esqueceram de ampliar as ruas, de fazer novos projetos urbanos e de estruturar melhor a cidade. Dessa forma, as autoridades vão transferindo os problemas”.

Em outros trechos como o da André Araújo, bairro Aleixo, Zona Sul, próximo ao viaduto Gilberto Mestrinho alguns condutores procurados pela reportagem de A CRÍTICA disseram que os semáforos não estão coordenados.

“Você leva muito tempo esperando o semáforo ficar verde, e quando passa o semáforo seguinte está vermelho. Então, os veículos da avenida principal e os que estão no retorno se juntam todos em um mesmo quarteirão, provocando congestionamento, justamente porque o semáforo seguinte está fechado”, conta o dentista Nelson Lima.

Na avenida Mário Ypiranga (antiga Recife), em Adrianópolis, Zona Centro-Sul, a psicóloga Nayara Gusmão, disse que a saída de caminhões de uma fábrica de refrigerantes ajuda a congestionar: “Você só vê marronzinhos no semáforo. Eles parecem que ignoram o conjunto do problema, vendo somente quem avança o sinal ou fala ao celular”.

Outro fato que a incomoda é que os agentes de trânsito não chamam a atenção dos pais de alunos que estacionam em filas duplas na avenida Djalma Batista: “Você passa a passagem de nível da Darcy Vargas e tem que parar, porque há duas filas de carros. Ninguém diz nada, ninguém multa, não se faz coisíssima nenhuma”.

Sem projetos para o futuro
Para o especialista em Planejamento de Transporte e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Geraldo Alves de Souza, vários fatores contribuem para o aumento dos problemas no trânsito.

“A frota de veículos não para de crescer porque o transporte público não atende à população e nem é prioridade para o poder público. Então, as pessoas preferem migrar para o transporte individual”, afirmou.

Segundo ele, o problema vai continuar. “Querem mudar o transporte com frotas de ônibus novas, mas sem consertar o trânsito. O resultado disso é frota nova engarrafada”, enfatizou.

Ele frisa que não há projetos pensados para o futuro, e sim eleitoreiros, que tentam passar uma ideia de organização nas vias.

Definição
Metrópole é o termo empregado para se designar as cidades centrais de áreas urbanas formadas por municípios ligados entre si, fisicamente, ou através de fluxos de pessoas e serviços ou, ainda, que assumem importante posição econômica, política e cultural na rede urbana da qual fazem parte.