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Conjunto Residencial em Manaus sob a mira de assaltos

Acuados, moradores do Hiléia I passaram da indignação à revolta com crescente onda de roubos e prometem agir se nada for feito 19/08/2012 às 12:00
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Imagem de assalto foi entregue à polícia, mas comerciante não teve resposta
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

Os moradores do conjunto Hiléia I, bairro Redenção, na Zona Centro-Oeste de Manaus, estão transformando as próprias casas em celas e fechando as ruas com cavaletes e correntes com medo de assaltos. A partir das 18h nenhum veículo estranho transita pelas vias. Os moradores estão assustados e indignados com a sequência de assaltos e falta de policiamento no conjunto que tem a 5º Companhia Integrada Comunitária (Cicom) da PM vizinha de onde ocorreu a maioria dos crimes.

A onda de assaltos mudou a rotina dos moradores que não sabem mais o que fazer para evitar a violência. Eles vivem trancados. Desde o início do ano, os moradores sofrem assaltos semanais que já resultaram em mortes. Alguns comerciantes estão encerrando as atividades. Outros, só abrem as portas no período da tarde. Nem a presença de câmeras inibe a ação dos bandidos e até mesmo as residências não escapam de arrastões.

O empresário Valdemir Batista da Silva, 51, fechou a drogaria que mantinha há 15 anos na rua 1, por conta dos assaltos. Ele tomou a decisão depois de sofrer oito roubos em sequência. Em todos, ele teve armas apontadas contra a cabeça. “O medo de morrer é constante. Só tem quem uma arma apontada na cabeça e fica prestes a morrer sabe o medo que sente. Mais vale minha vida que qualquer outro bem”, disse. O salão onde existiam prateleiras cheias de remédios está vazio. Apenas um balcão com alguns remédios permanece no local, mas não por muito tempo. O empresário pretende alugar o imóvel e tentar se manter com o dinheiro do aluguel. “Registrei Boletim de Ocorrência, mas nunca prenderam nenhum dos bandidos que me assaltaram”, disse.

Três casas depois da drogaria de Valdemir está localizado o mercadinho Moura. O proprietário do mercadinho, Antônio César Moura, 35, mantém as portas abertas, mas teme um novo assalto. No último dia 3, dois homens armados com um revólver entraram no estabelecimento, renderam a irmã de Antônio, que estava no caixa e levaram todo o dinheiro. Nem o cliente que entrou no local no momento do assalto foi poupado. O detalhe é que esse cliente já havia sido assaltado em outra rua do bairro, na noite anterior.

A ação foi filmada e durou um minuto. Levaram o celular e o dinheiro do cliente. “Parece coisa de filme. Ele ainda disse para os assaltantes: de novo?”, contou o comerciante. Antônio entregou as imagens para a polícia, mas até ontem não teve nenhum retorno.

Outros dois moradores tiveram os veículos roubados na frente das casas. Na primeira ação, um deles chegava de motocicleta do trabalho quando foi rendido por dois suspeitos armados. No outro caso, o carro de um morador estava estacionado quando foi levado.

‘Limpa’ levou até pano de prato

A panificadora Big Pão, conhecida com “Pebinha”, sofreu oito assaltos nos últimos 11 meses, quatro só este ano. No último, registrado em julho, o proprietário morreu depois que os assaltantes, não contentes em recolher o dinheiro, atiraram contra ele. Os crimes mudaram a vida da família e o horário de funcionamento do estabelecimento. Antes da tragédia, o local ficava aberto de 8h às 22h. Agora é de 8h às 18h. Um cartaz na entrada alerta que o horário foi alterado em razão da falta de segurança. Eles criticam a inoperância da polícia.

Outro caso que chama a atenção ocorreu na casa do técnico de máquinas de cartões de crédito, Paulo Barroso, 56. Na semana passada, Paulo, a sogra e a filha dele foram mantidos reféns durante cinco horas, por seis assaltantes. Eles ficaram sob a mira de armas e ameaças. Os criminosos levaram todos os eletrodomésticos, objetos de decoração, TV, computadores, e até mesmo pratos e copos da casa. Nem pano de prato foi poupado. As únicas coisas que os assaltantes deixaram foram a geladeira, o sofá e uma estante que não conseguiram levar por conta do tamanho e do peso.

Os suspeitos também usaram o carro de Paulo para levar os produtos. Ele só encontrou o veículo dois dias depois no bairro Cachoeirinha, Zona Sul. Apesar das ameaças, ninguém ficou ferido. “A revolta é grande. Eles nos ameaçavam a todo o momento. Um deles, que era um adolescente, esfregava o revólver no meu nariz e dizia se eu virasse me mataria porque não tinham nada a perder”. Paulo diz que chegou a hora dos moradores tomarem uma atitude. “As ruas já estão sendo fechadas, mas o Hiléia continua levando porrada dos bandidos e a polícia não faz nada. Moro há 30 anos no conjunto, sou um dos primeiros. Isso nunca tinha acontecido. Nos dois últimos anos a situação ficou perigosa, mas agora está grave demais”, disse.