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Manaus
Órfãos de Amazonino

Conquistar eleitorado de Amazonino é desafio para candidatos à prefeitura de Manaus

O eleitorado do atual prefeito, oriundo das classes populares, representa 235 mil votos que devem ser disputados acirradamente entre os candidatos à sucessão 02/07/2012 às 08:23
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Amazonino Mendes disse que não é candidato e não indicará ninguém a prefeito
Lúcio Pinheiro Manaus

 Com sua saída da disputa eleitoral, Amazonino Mendes (PDT) deixa “órfão” um eleitorado que, na último pleito municipal, lhe garantiu 402.717 votos no 1º turno e 495.460 no 2º turno. Segundo analistas ouvidos por A CRÍTICA, o prefeito ainda tem a fidelidade de 20% do total de eleitores da cidade. O que representa 235.624 votos. Conquistar esse eleitorado, predominantemente das classes populares, é o desafio dos oito candidatos à Prefeitura de Manaus, segundo os especialistas.

Na convenção do PDT realizada no último sábado, o prefeito confirmou a sua desistência de brigar pela reeleição e disse que não tem candidato. Ele assumiu o compromisso de fazer campanha apenas para os vereadores que hoje integram sua base de apoio. “Não indico candidato para não correr o risco de me decepcionar e decepcionar o povo mais na frente”, disse.

Nas eleições municipais de 2004 e 2008, Amazonino manteve a fidelidade do eleitorado de Manaus com média de 364,7 mil votos, ou 44,85% dos votos válidos. Em 2008, foi o candidato mais votado nas 59ª e 68ª zonas eleitorais, na Zona Leste da cidade, a mais populosa da cidade. Votam nas duas áreas 249,1 mil pessoas. O que representa 21% do total de votantes do município.

Calibragem

Conquistar o eleitorado deixado por Amazonino exigirá habilidade dos candidatos, e não apenas porque as principais candidaturas confirmadas têm mais apelo à classe média, avalia o cientista político Carlos Santiago. “Os candidatos terão que ter muito cuidado na calibragem do discurso e de suas propostas. Se for muito bonzinho com o prefeito, corre o risco de perder o voto do eleitor que tem rejeição a Amazonino. E se for muito duro, dificulta a conquista do voto do eleitor fiel ao prefeito”, disse Santiago.

O presidente da Action Pesquisas, Afrânio Soares, estima que o prefeito deixa, no máximo, 20% dos votos para ser disputados pelos atuais candidatos. “Todos vão brigar por 15% ou 20% do eleitorado que estavam decididos em votar no prefeito”, afirmou Afrânio.

Carlos Santiago Cientista Social

 “É preciso dosar discurso”

Desistir da candidatura não significa que essas figuras não participem como apoiadores de algum candidato. O prefeito Amazonino Mendes (PDT), pela história que tem, é quase certo que participe do processo eleitoral. Hoje, é possível dizer que o voto da massa popular, dos eleitores mais humildes, ficou um tanto órfão. Penso que a campanha ficou aberta ainda mais. Ao ponto de os candidatos ficarem mais atentos, e adotarem muito cuidado na calibragem dos seus discursos e de suas propostas.

Embora o prefeito não saia candidato, ele detém uma parcela de eleitores que confia nele, um eleitorado fiel. Além de ter a máquina da Prefeitura de Manaus nas mãos, que, teoricamente, consegue conquistar até 20% dos votos. Assim, o candidato, durante os discursos na campanha, não pode ser nem muito bonzinho ao falar sobre o prefeito para tentar agradar aquele que não gosta da administração de Amazonino. E nem pode ser muito duro e crítico. Porque dificultará aquilo que ele quer conquistar, que é exatamente o eleitor do Amazonino. Os candidatos vão ter que saber lidar com isso. Saber dosar os discursos. Mas em principio, ninguém vai ganhar de forma automática a parcela do eleitorado do prefeito, ou daquele eleitorado que rejeita o prefeito. Definido o quadro, é preciso esperar as primeiras pesquisas para saber como vai se comportar o eleitorado.