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Conselho Nacional da Indústria sai em defesa da Zona Franca de Manaus

Segundo o empresário, a ZFM é “um projeto de sucesso” e quaisquer mudanças nas legislações tem de “preservar os incentivos” do modelo. “As indústrias não podem perder esse diferencial competitivo 19/05/2012 às 12:33
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Robson Andrade, quando visitava o estaleiro Algeplast, onde está sendo construído o novo barco-escola Samaúma
Cimone Barros Manaus

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, esteve ontem em Manaus para conhecer o barco-escola do Senai Samaúma 2, em construção, e participar do prêmio Industrial do Ano, ocasião em que afirmou que se houver mudanças na legislação tributária que venham a penalizar a Zona Franca de Manaus é preciso criar compensações para manter as vantagens tributárias do modelo. Uma das mudanças cogitadas pelo Governo Federal é a redução da alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações interestaduais de 12% para 4%, com cobrança do imposto no destino.

Segundo o empresário, a ZFM é “um projeto de sucesso” e quaisquer mudanças nas legislações tem de “preservar os incentivos” do modelo. “As indústrias não podem perder esse diferencial competitivo. E se houver alguma penalização, temos de ver como compensar essas mudanças à ZFM. Não sei se através de fundos ou de mecanismos que a União possa recompensar o Amazonas”, disse Andrade, que é ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

Apesar da grita frequente dos industriais locais reclamando falta de infraestrutura, logística e problemas com a energia elétrica, o presidente da CNI disse que hoje as empresas se instalam em Manaus não só pelos incentivos ficais. “Hoje não, elas vêm porque tem logística, tem educação, tem energia, uma série de coisas”. Minutos antes, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, reforçava a necessidade que a indústria tem, além da manutenção das vantagens tributárias, de uma melhor infraestrutura. “E agora, temos de tentar resolver os problemas de greve dos fiscais da Anvisa, da Receita Federal”.

Otimismo

Apesar do desaquecimento da indústria brasileira, a atual taxa de câmbio do dólar próximo a R$ 2 dá mais competitividade à indústria em relação aos produtos importados e aumenta o otimismo do setor, que já estima crescimento de 2,5% a 3% este ano ante os 2% iniciais, segundo Robson de Andrade. Esse maior otimismo também apareceu no resultado da pesquisa Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), na qual o índice cresceu 0,7 ponto em maio comparado com abril, alcançando 57,9 pontos.

A pesquisa foi divulgada ontem. O índice varia de zero a 100 pontos e o ICEI é formado pela avaliação das condições atuais e dos próximos seis meses da economia e da empresa. “Tivemos um primeiro quadrimestre muito ruim, com a indústria crescendo pouco. Mas com as últimas medidas adotadas pelo Plano Brasil Maior, agora a redução das taxas de juros e o equilíbrio melhor do câmbio a gente está vendo uma possibilidade de recuperação da indústria brasileira nos próximos meses”, disse Andrade, para quem o câmbio ideal para o dólar gira de R$ 2,40 a R$ 2,60.