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Constrangimento: Vítimas mais uma vez

Ação desastrada do Poder Público expôs as “meninas”, algumas mudaram de endereço e outras ficaram traumatizadas 02/12/2012 às 16:42
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No dia da operação, agente público deixa a mostra foto de uma das vítimas
Náferson Cruz Manaus (AM)

A Operação Estocolmo, deflagrada no último dia 23, com o objetivo de desmascarar o envolvimento de homens “respeitados” em Manaus que se tornaram clientes de uma rede de prostituição sexual infanto-juvenil deixou um rastro de sequelas e dúvidas quanto aos procedimentos da ação e os efeitos entre as vítimas.

A CRÍTICA teve acesso com exclusividade a um documento “deixado” por policiais durante a operação na casa de uma das vítimas, cujo teor indica o nome e o endereço de 30 adolescentes aliciadas pela rede de prostituição.

Além de pôr em “xeque” a ação, o documento (mandado de busca e apreensão) coloca em risco a vida das vítimas. A partir da informação documentada, A CRÍTICA localizou as vítimas. As moradias, sem exceção, tinham as mesmas características de infraestrutura precaria, locais de difícil acesso em zonas periféricas.

Quando não silenciam, as vítimas optaram por mudar de endereço, como aconteceu com Geovana, 18, que morava no bairro Petrópolis, Zona Sul. Segundo relatos de vizinhos, Geovana convivia com a família, porém nos últimos dois meses ela passou a morar sozinha. Um vizinho, cujo nome não pode ser revelado, informou que desde a operação a casa está fechada. Em pelo menos cinco casas listadas no mandado, a vítima já havia se mudado.

Ex-policial condena ação

Mulher dele foi impedida de fazer uma biópsia

O mesmo pretende fazer o ex-policial civil João, marido de Suelem, 20, que teve o nome envolvido no caso. Segundo Lima, a mulher não possui vinculo com a rede de prostituição. “Ela estava de posse de um chip de celular de uma pessoa cujas informações foram rastreadas, isso levou a polícia até nossa casa”, contou.

O policial João lamenta a situação que está passando e que espera deixar o bairro São Jorge, Zona Oeste, onde reside com a mulher e o restante da família, o mais breve possível.

João declarou ainda que durante a ação os policiais agiram com truculência e não informaram do que se tratava. “Nesse dia minha mulher faria uma biópsia, mas foi impedida pela polícia. Até agora estamos aflitos com a situação”, contou.

A maioria das vítimas localizadas preferiu se esquivar do assunto, por temerem uma ação violenta por parte dos acusados poderosos.

(A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa).