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Consumidor manauara sente a elevação dos preços do comércio

Consumidor local já sente no bolso a elevação dos preços de produtos essenciais como o leite e o feijão 18/08/2012 às 09:01
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Feijão está entre os produtos cujo preço vem acelerando no comércio local
LUANA GOMES ---

Efeitos climáticos, alta da inflação, greves e “brigas” entre concorrentes trazem efeitos imediatos ao consumidor local, que já sente no bolso a elevação dos preços de produtos essenciais. Com a dependência de gêneros alimentícios importados de outros Estados, por exemplo, o pior ainda está por vir. Gerentes de supermercados não descartam os efeitos aqui das oscilações de preços verificadas esta semana nas grandes cidades das Regiões Sul e Sudeste, em função de problemas com a safra de milho e soja, por exemplo.

A universitária, Suely Assam comentou que uma vez por semana realiza compras para a casa dela, por isso a sua percepção de que “estão aumentando os preços de tudo”. Segundo ela, apesar de não ser um produto de extrema necessidade, a pera sai a R$ 15,49 o quilo. “Não faz muito tempo, comprava por R$ 7 o quilo dessa mesma fruta”, disse. Vivendo com um salário mínimo (R$ 622), a aposentada Lídia Holanda destacou que é preciso pesquisar bastante antes de comprar. Ela afirmou que há uma semana comprava feijão ao preço de R$ 3, no máximo R$ 4, e hoje só consegue sair dos supermercados com o item se pagar R$ 8.

Concorrência
Gerente plantonista do Supermercado Carrefour no bairro de Flores, Ronaldo Santos avaliou que, antes mesmo dos reajustes feitos com base nos problemas sócioeconômicos de outras regiões, os preços em seu estabelecimento são alterados a partir do que é estabelecido pela concorrência. “Se for comparar, entre esses dois maiores supermercados da cidade, a diferença nos preços é mínima”, argumentou. Santos explicou que, de três em três meses, também são enviadas as propostas de alteração (para cima ou para baixo) nos preços, a partir da análise do cenário nacional.

Desta forma, com a estiagem - que afetou as principais regiões fornecedoras -, na próxima semana os consumidores devem perceber uma pressão maior. O coordenador de operações do supermercado Bonna Vitta, Marcos Vinícius, detalhou que uma grande parte do que é ofertado na empresa vem de fora, por isso reajustes precisam ser feitos para minimizar os custos atribuídos pelas mudanças no mercado. Problemas climáticos afetam os Estados Unidos, onde o preço do milho produzido obteve bom ganho, assim como o da soja, o que levou produtos brasileiros a privilegiar as exportações, encarecendo internamente esses produtos.

Carreteiros prejudicaram
 A manifestação dos caminhoneiros - que iniciou no final de julho - prejudicou a entrega de mercadorias e, consequentemente, encareceu os produtos que o Estado importa, conforme declarou o presidente da Faea, Muni Lourenço. De acordo com ele, muitos dos itens consumidos no Amazonas vêm de outras regiões, como determinados legumes e hortaliças.

Auxiliados pelas dificuldades logísticas do Amazonas, os protestos dos caminhoneiros assim como a greve da Polícia Federal resultaram em elevação dos preços destas mercadorias, por retardar a oferta do produto. Lourenço acha que as condições atuais sinalizam com uma escalada de preços dos produtos, que terminará por se refletir até nos valores daquilo que aqui se planta.

Sexta mais cara
Em julho, o custo da cesta básica chegou a R$ 279,06, alta de 11,85% em relação a julho de 2011, quando o preço da cesta era de R$ 249,49, conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).