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Corregedoria investiga abuso e extorsão de policiais

Grupo de oito homens - quatro fardados - teria invadido residência, levado objetos e dinheiro, e exigido resgate de dona de casa 27/01/2012 às 09:26
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Parente da dona de casa vítima de extorsão contou que por meio da placa da viatura foi possível chegar até os suspeitos
Maria Derzi Manaus

Um grupo supostamente composto por oito policiais - quatro com uniforme de militares e quatro à paisana, que também se identificaram como policiais - está sendo investigado pela Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública (SSP/AM) por envolvimento em ação de coação, invasão de domicílio, apropriação indébita, rapto e tentativa de extorsão da dona de casa Laura* e de seu filho de apenas três anos de idade. O fato ocorreu na segunda-feira, 22, por volta das 23h, no Mauazinho, Zona Leste de Manaus.

Segundo a dona de casa, os policiais levaram bens de valor como netbooks, máquinas fotográficas e videogames, além de R$ 6 mil em espécie. Laura prestou queixa junto à Corregedoria e, na tarde de ontem, identificou um dos PMs fardados. A família exige providências da SSP sobre o procedimento abusivo adotado pelos policiais e sobre a apropriação dos bens e da quantia de dinheiro levada por eles, que não tinham mandado de busca e apreensão.

Em busca de droga

Laura atribui o abuso dos policiais ao fato de ela ser ex-esposa de um ex-presidiário, preso por envolvimento com tráfico de drogas, de quem já se separou há algum tempo. Segundo a dona de casa, ela e os filhos estavam na residência quando foram surpreendidos com a entrada dos policiais militares e outros homens à paisana, pelo portão de trás e pelos lados, perguntando: “Cadê a droga?, sem apresentar nenhum mandado de busca e apreeensão. Como eles não acharam nada, levaram os netbooks das minhas filhas, maquina fotográfica e R$ 6 mil da venda do carro do meu ex-marido. Essa era a minha parte, para abrir um negocio meu”, disse.

Laura disse que os supostos policiais à paisana obrigaram-na a acompanhá-los, levando o filho menor. Segundo a prima da dona de casa, Joana*, Laura permaneceu pelo menos duas horas em poder dos policiais. “Eles não deixaram ela avisar a ninguém, nem telefonar. Depois ligaram para o ex-marido dela e pediram R$ 15 mil para soltá-la com o filho”, disse a prima. Laura foi deixada na Feira do Produtor, na Zona Leste, com o filho.

Identificação

Durante toda a tarde de ontem, a dona de casa e as filhas prestaram depoimento na Corregedoria Geral e identificaram um PM. “Eu identifiquei um PM. Ele é meio forte e moreno e estava com a farda. Minhas filhas contaram como eles invadiram a casa e o que levaram de lá. Depois eles me mandaram fazer um BO (boletim de ocorrência) e disseram para eu aguardar um ofício porque vai ter uma audiência”, concluiu.

Em nota, a Corregedoria Geral da SSP explica que instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar envolvimento de um cabo e um soldado da Polícia Militar, lotados na 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), por violação de domicílio. Os dois PMs foram flagrados pela equipe de sobreaviso da Corregedoria, na madrugada de quarta-feira, 25.

* Nomes fictícios para não identificar as vítimas