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CPI da Água segue aos tropeços na Câmara de Manaus

Comissão que apura problemas no abastecimento de água em Manaus tem sido marcada pelo desencontro de informações 12/04/2012 às 09:15
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Vereadores que compõem a CPI se reuniram com subprocurador-geral para Assuntos Administrativos do MPE (à direita) para pedir apoio às investigações
FABÍOLA PASCARELLI Manaus

Em atividade há mais de duas semanas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Água, que representa um custo de R$ 300 mil ao bolso do contribuinte e foi criada para investigar uma questão já apurada em 2005, ‘tropeça nas próprias pernas’. A CPI não conseguiu ainda sequer nomear uma equipe de assessoramento técnico e sua atuação tem sido marcada pelo desencontro de informações.

Nessa quarta-feira (11), por problemas de “logística”, leia-se falta de transporte, o grupo de vereadores encarregados de apurar as mazelas do sistema de abastecimento de água de Manaus, adiou visita a um dos bairros mais afetados pelas irregularidades, o Nova Vitória, na Zona Leste de Manaus.

Na semana passada, sem conhecimento prévio dos números da Águas do Amazonas, membros da comissão participaram de encontro com representantes da empresa. O mais grave é que as mesmas informações repassadas pela concessionária haviam sido divulgados em audiência pública na Câmara Municipal de Manaus, da qual a maioria dos vereadores estava ausente.

Os membros da CPI também não conseguiram ter acesso aos documentos solicitados da Águas do Amazonas, Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos (Arsam), Prefeitura de Manaus e Programa Águas para Manaus (Proama).

O vereador Waldemir José (PT), que propôs a investigação, reconheceu que a demora para montar a equipe técnica e a falta de acesso à documentação está prejudicando os trabalhos. “A estrutura ainda não está ‘azeitada’. Precisamos acelerar o passo porque a CPI está a desejar nessa movimentação”, afirmou.

O presidente da CPI, vereador Leonel Feitoza (PSD), afirmou, nessa quarta, que serão contratados três técnicos: um engenheiro especialista em saneamento e dois auditores, sendo um fiscal e outro contábil. “Os profissionais já foram escolhidos, falta apenas acertar questões relativas ao pagamento”, afirmou. Feitoza negou a existência de problemas. “O começo é assim mesmo. A imprensa é que quer que as coisas sejam rápidas”, disse o vereador.

Já o vereador Marcel Alexandre, relator da CPI, disse que ainda não havia nada definido sobre a contratação e que, somente na próxima segunda-feira, ele iria tratar da questão.

Leonel Feitoza ameaçou ingressar com uma ação na Justiça caso a documentação solicitada não seja entregue à CMM.

No lugar da visita ao Nova Vitória, os membros da CPI foram ontem à sede do Ministério Público do Estado (MPE-AM). Coube ao subprocurador geral para Assuntos Administrativos, promotor Jorge damasceno, recebê-los. A ida ao Procon-AM foi cancelada por falta de confirmação. O objetivo da visita, segundo Feitoza, foi pedir apoio nas investigações.

Vereador pelo PDT Wilton Lira

“Não irei às visitas técnicas” Um dos membros da comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Água, vereador Wilton Lira (PDT), chegou a informar, ontem, que iria pedir para ser substituído devido a problemas de saúde. O parlamentar faltou a duas das quatro reuniões feitas pelo grupo até agora e também não participou da visita técnica à empresa Águas do Amazonas, na semana passada.

Após conversa com o presidente da CPI, Leonel Feitoza (PSD), o parlamentar decidiu permanecer com a condição de não ter que acompanhar as visitas técnicas. “Eu resolvi não sair para não prejudicar a comissão. Mas eu informei que vou participar apenas das reuniões dentro da Câmara”, afirmou.

Leonel Feitoza afirmou, na semana passada, que o parlamentar estava com cálculo renal. Nessa quarta, Lira disse que preferia não falar sobre o assunto.

Wilton Lira, integrante da base aliada do prefeito Amazonino Mendes (PDT), era um dos críticos da criação da CPI. Quando o vereador Waldemir José protocolizou o requerimento, no dia 27 de fevereiro, o vereador disse que a comissão serviria de palanque eleitoral.