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Criminalidade é reduzida na Zona Norte e preocupa na Zona Leste de Manaus

Estatísticas apontam redução no número de homicídios na ZN, mas SSP vê com preocupação a outra zona 01/05/2012 às 09:08
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Policial entrega folder a moradora da Zona Norte, área da cidade que recebeu as primeiras ações do Ronda no Bairro
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

A redução dos índices de criminalidade na Zona Norte de Manaus, por conta do programa Ronda no Bairro, contrasta com a atual situação de violência da Zona Leste. Nos dados consolidados do mês de abril, as estatísticas apontam que houve redução de 39% no número de homicídios, 16% no roubo e 34% no furto na Zona Norte do dia 1º ao dia 30 de abril. Já as ocorrências de estupro e lesão corporal estabilizaram. O único crime que se manteve em 0% na área de atuação da primeira fase do programa, lançado no dia 16 de fevereiro deste ano, foi o latrocínio (roubo seguido de morte).

Em contrapartida, na Zona Leste a situação é preocupante, tanto que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) lançou no último final de semana uma operação com as polícias Militar e Civil para “sitiar” aquela área com um contingente de 600 policiais visando combater a criminalidade.

Embora não tenha divulgado os números de violência na Zona Leste, em nota a SSP admite que a situação exige providências e que a operação, iniciada na última sexta-feira, foi motivada pela necessidade de “conter os índices de violência e criminalidade que se manifestaram nos últimos dias” na área. A operação será encerrada apenas no próximo dia 8 por conta do feriado prolongado.

Para o coordenador do programa Ronda no Bairro, o tenente-coronel Amadeu Soares, a redução de crime na Zona Norte reflete o planejamento, bem como o trabalho realizado pela polícia. Ele explica que os crimes de homicídios funcionam como medidores de violência para a polícia, inclusive, internacionalmente.

No mês de março houve redução de 58% no registro de homicídios na Zona Norte, correspondendo a um total de oito homicídios em 2012, contra 19 registrados no mesmo mês do ano passado. Também em março deste ano houve elevação de 300% no número de estupros e 86% nos registros de lesão corporal na mesma área. Os índices são resultado de comparação realizada com o mesmo período do ano passado quando o programa Ronda no Bairro ainda não havia sido implantado. Em 2012, foram registrados 12 estupros contra apenas três de 2011. Já para o crime de lesão corporal foram registrados 647 casos em março de 2012, ou seja, o dobro do ano passado quando foram contabilizados 343 casos no mesmo período.

Para Amadeu, o trabalho alcançado com o programa já é mais que satisfatório porque o planejamento feito por todos as autoridades que conceberam e coordenam o programa previa que os primeiros resultados do Ronda no Bairro surgissem apenas 180 dias depois do lançamento. No entanto, nos primeiros 30 dias as estatísticas de todos os crimes já haviam sido alteradas positivamente.

Ronda nos bairros será estendida em julho

Até o final de julho deste ano o programa Ronda no Bairro será estendido para outras áreas da cidade, conforme previsão do coordenador do programa tenente-coronel Amadeu Soares. Após a Zona Norte, a próxima a ser assistida na segunda fase do programa será a Leste, que se mantém nas estatísticas recorrentes de crimes, seguida da Centro-Sul e Oeste. Já no final do ano, o programa abrangerá também à Zona Sul e Centro.

Conforme Amadeu, o programa, junto à coordenação da SSP, está em avançado processo de planejamento e execução de ações, inclusive, na aquisição de equipamentos e armas para os policiais que atuarão em todas as etapas do Ronda no Bairro.

Segundo ele, quando todas as zonas forem cobertas pelo programa serão um total de 6.018 policiais nas ruas da cidade. Amadeu explica que o número pode variar de acordo com avaliação dos resultados analisados após a implantação das ações nos bairros. Ele também justifica que o tempo para estender o programa para outras áreas é necessário devido ao planejamento das ações para cada zona, além do ajuste de procedimentos e logística.

Entidade quer retirar fotos de PMs

Um processo que tramita na 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual pede que o comando da Polícia Militar (PM) retire as fotos com os rostos dos 18 policiais militares que integram a 6ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), na Zona Norte, estampados nos panfletos distribuídos à população pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) onde o programa Ronda no Bairro foi implantado.

O processo é uma iniciativa da Associação de Cabos e Soldados da PM para quem a divulgação da imagem dos PMs coloca em risco a segurança dos mesmos dentro e fora da corporação. “A divulgação desenfreada e sem critério restará por cair em mãos erradas, deixando o policial na mira do crime organizado, como uma presa fácil e sem defesa”, diz o texto do mandado de segurança ingressado pela associação.

O texto segue alertando que “não há nenhuma lei estadual regulando o projeto Ronda no Bairro e, ainda que houvesse, não poderia obrigar o policial a conceder autorização para divulgação de sua imagem”.

Segundo o coordenador do programa Ronda no Bairro, o tenente-coronel Amadeu Soares, o material continuará sendo divulgado. Ele diz que a exposição da imagem em folders é uma estratégia que faz parte da filosofia de policiamento comunitária do próprio programa.