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Crise atinge setor de duas rodas na Zona Franca de Manaus

Produção cai nas fábricas instaladas na ZFM e atinge as empresas do setor de componentes 24/05/2012 às 08:07
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Nas fábricas, a produção recuou e nas concessionárias as vendas caíram
Renata Magnenti Manaus (AM)

A crise que atinge vários segmentos da economia brasileira está afetando toda a cadeia do setor de duas rodas. A Honda, por exemplo, deixou de produzir 14 mil motos esta semana. As fábricas de componentes também têm diminuído o ritmo de produção. Na ponta final, a falta de crédito tem contribuído para que concessionárias de motocicletas vendam menos, o que tem levado a demissões.

De acordo com o presidente da Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial de Manaus (Aficam), Cristovão Pinto, a situação do setor é muito ruim e a falta de crédito nos bancos acentua ainda mais o problema. “A Honda suspendeu as atividades na segunda e na terça-feira desta semana, deixando de produzir 14 mil motos”, disse.

Cristovão acrescenta que essa situação vai “quebrar” as fábricas de componentes, que já operam no vermelho. “Sei de fábricas de injeção plástica, de fundição e estamparia que suspenderam algumas linhas de produção, pois não estão tendo pedidos das montadoras”, explicou Cristóvão.

Na avaliação do presidente da Aficam, o problema poderia ser resolvido se houvesse reajuste no IPI das motos importadas que entram no País por Fortaleza e Pernambuco, melhorando assim a situação de fábricas no PIM que produzem motocicletas de até 50 cilindradas, como a Kasinski. Do outro lado, para as fábricas maiores, como Honda e a Yamaha, a saída é liberar o crédito. “Do contrário, as fábricas irão quebrar”, afirmou Cristóvão.

Varejo

Na Canopus, revendedora da Honda, há, no estoque, pouco mais de mil motos. No mesmo período no ano passado, o número era de 700. “Nossas vendas caíram 20% e, por conta da retração do mercado, estamos concedendo descontos de até R$ 2 mil”, afirmou o gerente Leandro Santos.

Na Braga Motos, revendedora da Yamaha, a aprovação de crédito para financiamento é de 12% ao mês. Até novembro de 2011, o índice de aprovação era de 50%. Em decorrência queda nas vendas, oito funcionários foram demitidos. “Para não ficarmos com produtos no estoque, suspendemos novas compras por três meses”, disse o gerente Hector Duran.

Na última semana, os indicadores da Suframa, apontaram retração na produção de motocicletas no PIM de - 4,04%. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) mais de 150 mil motocicletas estão nos pátios das fábricas e concessionárias de Manaus e mais de 5 mil industriários já foram demitidos. As fábricas tomaram duas medidas diante da crise, parte está dando uma folga por semana aos colaboradores e outra optou pelo benefício seguro-desemprego, utilizado quando há a suspensão do contrato, como alternativa à demissão.