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Crise no Batalhão Ambiental do Amazonas é denunciada

Com medo de represálias os profissionais que trabalham no Batalhão Ambiental, e que preferiram não ter a identidade revelada, afirmam: a situação está no limite 18/06/2012 às 16:25
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Os policiais reclamam da falta mínima de uso das novas instalações oferecidas do Batalhão, um ambiente que serviu de alojamento para os operários do Prosamim, e que fica no terreno da Vila Olímpica
JOELMA MUNIZ Manaus

Enquanto representantes do mundo discutem métodos eficazes para a preservação do meio ambiente mundial na Rio+20, os policiais militares lotados no único Batalhão de Polícia especializado em combate aos crimes ambientais no Estado do Amazonas denunciam precariedade nos materiais de serviço, além da falta de um quartel fixo para o desempenho dos seus trabalhos.

Com medo de represálias, os profissionais da segurança pública, que preferem não ter a identidade revelada, afirmam que "a situação está no limite".

O ápice do problema foi o “despejo” dos policiais que atuam em área terrestre da sede do Batalhão, localizada na Travessa Hermes Fontes nº 60, bairro da Compensa III e que só servirá à equipe até a próxima quarta-feira (20).

Os policiais reclamam da falta mínima de uso das novas instalações oferecidas do Batalhão, um ambiente que serviu de alojamento para os operários que trabalharam nas obras do Programa de Saneamento dos Igarapés de Manaus (Prosamim), e que fica nos fundos do terreno da Vila Olímpica, localizada na Zona Centro-Sul da cidade.

A reportagem foi até o local e verificou que o ambiente está aparentemente abandonado, sem janelas e com portas sendo recolocadas. As redes hidráulica e elétrica também estão sem funcionamento.

“Nunca tivemos um prédio fixo, sempre ficamos nesse troca-troca. Isso não só atrapalha nosso trabalho, mas também prejudica a manutenção dos nossos documentos. Muita coisa se perde nessas mudanças”, lamentou um dos denunciantes.

Base Fluvial


“O apoio do Batalhão pela água não existe! Atualmente só temos uma lancha em funcionamento, e ainda com um motor 40, inútil se necessária alguma perseguição”, apontou um dos profissionais.

No batalhão, localizado no porto do São Raimundo, Zona Oeste de Manaus, pode-se constatar a existência de seis lanchas sem uso.

“Nossa rotina de trabalho tem sido dramática, não temos as mínimas condições de combater os crimes que diariamente são cometidos contra a floresta e os animais da Amazônia com a estrutura que nos é disponibilizada”, reclamou um dos policiais. Seu discurso foi emendado por um colega. “Isso está acontecendo porque incomodamos interesses de homens poderosos. Ultimamente estávamos realizando operações e fazendo apreensões que incomodavam essas pessoas”, acrescentou.

Responsável nega

Responsável pelo policiamento Ambiental no Estado, o Major Diniz nega a existência dos problemas. De acordo com ele, o que está acontecendo é apenas a mudança por conta de obras no atual local usado pela equipe.

“Essa mudança está sendo causada por conta das obras de reforma do atual prédio ocupado pelo Batalhão. O lugar que fica na Vila Olímpica já começou a ser ajustado não vejo problemas em ocuparmos esse lugar”, ressaltou, lembrando que já está em estudo um projeto para a construção de uma base própria do Ambiental.

“Nossa base precisa ser sustentável, não podemos fazer isso de uma hora para outra. Nossas parcerias com entidades ambientais pelo mundo serão imprescindíveis para a consolidação deste lugar”, afirmou.

Sobre as lanchas Diniz pondera que as lanchas atracadas e sem uso na base fluvial, são antigas e que já foram substituídas por outras. “Quando assumi o Batalhão firmei o compromisso de recuperá-las, e assim faremos com a ajuda do governo do Estado e com os nossos parceiros”, amenizou.

Treinamento

Outra promessa é a capacitação de mais homens para dar apoio aos 98 que atualmente pertencem ao quadro.“Primamos principalmente pela qualidade, sabemos que nosso Estado é continental, e por isso nossa ideia é ampliar o número de homens, para isso realizaremos cursos em pelo menos seis municípios para que esse policiais possam prevenir e reprimir crimes contra o meio ambiente”, falou.