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Dados da Seduc mostram que o aluno que abandona escola custa R$ 10 mil aos cofres públicos

A Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino (Seduc) informa também que, dos 280 mil estudantes do ensino fundamental da rede estadual em Manaus, 52 mil não conseguem concluir o ensino fundamental aos 17 anos de idade, o que equivale a 18,7% 15/04/2012 às 08:20
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Distorção idade/série em escolas de Manaus preocupa as autoridades
Milton de Oliveira Manaus

A evasão de um estudante do ensino fundamental da rede pública custa aos cofres públicos aproximadamente R$ 10 mil por mês. Mas, o valor pode variar de acordo com o orçamento anual para a educação, que, a exemplo do ano passado, gira em torno de R$ 1 bilhão.

As informações são da Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino (Seduc), que lançou, durante a semana, a 5ª edição da Campanha de Mobilização para a Redução do Abandono Escolar. O tema é “Minha Escola: Onde Eu Quero Ficar!".

Dados da Seduc informam também que, dos 280 mil estudantes do ensino fundamental da rede estadual em Manaus, 52 mil não conseguem concluir o ensino fundamental aos 17 anos de idade, o que equivale a 18,7%. Para os educadores isso é conhecido como ”distorção idade/série”.  Em 2005, essa distorção chegou ao índice de 35% no Estado.

Em 2009, segundo informaçõees da secretaria de Educação, 233,7 mil alunos foram matriculados. Desses 31, 4 mil evadiram da escola, o que corresponde a 12,1%.

De 2010
No ano de 2010, de 460,1 mil matriculados no Amazonas, 41,6 mil saíram da escola, o que equivale a 8,7%. Sobre dados do ano passado e do Ensino Médio, a Seduc informou que eles ainda não foram concluídos.

Problema da evasão é mais profundo
Para o antropólogo e coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, ações do poder público como o Programa de Redução do Abandono Escolar (Prae) são válidas e importantes, mas a família deve ser trazida para dentro das escolas também.

“Isso é visão qualitativa do ensino, ou seja, além de haver as reuniões com pedagogos, psicólogos e gestores, temos de pensar na família. E, uma forma, de trazer a família à escola, é criando conselhos em que ela possa participar. Dessa forma, os pais estão mais perto dos seus filhos e se interessam pela formação dele”, ressaltou.

Outro aspecto destacado pelo antropólogo são as condições que a família deve receber do Estado para exercer seu papel de educadora.

“Dentro de uma sociedade democrática é dever do Estado criar mecanismos para trazer a família para a escola. Então, a escola deixa de ser do Estado e passa a ser pública”, concluiu o especialista.

PROBLEMAS
De acordo com a coordenadora do Prae, Adriana Boh, a saída de estudantes da escola provoca outros problemas além da próprópria evasão.

“Acontece que, às vezes, os pais estão desempregados. Então, fica em casa todo aquele pessoal vivendo em uma situação bem difícil e o filho dorme muito, não vai para a escola. Diante dessa ociosidade, surgem convites para o crime, droga e à prostituição”, ressaltou.