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De mãe pra mãe: Anna Kempen quer presentear mãe biológica do filho adotivo com lembranças

Mãe adotiva de amazonense que procura sua mãe biológica em Manaus diz que não tem medo de perdê-lo. "Ele não é meu filho, nem dela. Ele é nosso", declarou 26/01/2016 às 18:19
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"Dona Tereza" mostra o álbum de infância do filho adotivo
Mônica Prestes Manaus (AM)

“Não tenho medo de perdê-lo. Ele não é meu filho, nem dela. É nosso. Quero que ela saiba que cuidei bem dele, e estou aqui para devolvê-lo, para que ela veja que ele está bem, feliz, e, quem sabe, amenizar um pouco a dor no coração dela”. É com esse sentimento que Anna Kempen, 60, acompanha o filho, o DJ e marceneiro Agosto Alfredo da Matta Kempen, hoje com 28 anos, na busca pela mãe biológica dele, de quem eles não sabem sequer o nome.

Nascido no antigo hospital São José, localizado à época na avenida Constantino Nery, Zona Centro-Sul de Manaus, Alfredo foi entregue pela mãe - uma mulher pobre do interior, nunca identificada - a uma enfermeira da unidade de saúde, que, por sua vez, o entregou a um homem chamado Franciscus Cornelis Bouwman.

Segundo Anna, foi Franciscus o responsável por intermediar a adoção e foi sob os cuidados dele e de uma mulher, identificada apenas como ‘dona Tereza’, que Alfredo passou as oito primeiras semanas de vida.

Com dois meses de idade, ele foi oficialmente adotado por Anna e o marido dela, Johannes Kempen, e levado para a Holanda, onde cresceu com os três irmãos -  dois filhos biológicos de Anne e Johannes e Emanuel, 30, também brasileiro, adotado em Pernambuco. 

Após 28 anos, Alfredo volta à terra natal, desta vez acompanhado da mãe adotiva, em busca de informações sobre o paradeiro da família biológica. “Quero muito encontrar minha mãe biológica. Sempre senti que faltava alguma coisa na minha vida, talvez pelo fato de não conhecer meu passado, minha história”, explica ele. 

Preparados

A fixação do filho em encontrar a mulher que o trouxe ao mundo, no entanto, não aflige Anna, que se mantém serena enquanto Alfredo, bem mais agitado, gesticula e explica os motivos da “busca implacável”. 

“Sei que é importante para ele; para mim também é. Meus filhos sempre souberam que eram adotados, onde nasceram, as condições em que os encontramos... não à tôa nos preparamos para que, um dia, eles pudessem fazer essa viagem de volta à terra natal deles, para entender suas origens, de onde vieram.  O que eu mais quero é olhar para essa mãe e dizer que cuidei bem do filho dela, que ele cresceu saudável e feliz, e hoje esta aqui, de volta, para ela abraçar”, disse.

Presente

Durante a entrevista, Anna trazia, nas mãos, um diário com relatos da viagem a Manaus em setembro de 1988, quando ela e o marido vieram adotar Alfredo, assim como dos primeiros anos de vida dele.

Um álbum de fotografias que revelam passagens da infância e da adolescência do amazonense na Holanda também foi confeccionado por Anna, este último ela trouxe de presente para a “mãe biológica”.

“São para ela se sentir mais próxima dele. Ela perdeu essas fases, mas agora vai poder recuperar de alguma forma. Espero poder encontrá-la para entregar essas lembranças”, disse Anna.