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De olho na prefeitura: Quem são os candidatos em Manaus?

Estatísticas revelam baixa participação feminina e média de idade de 55 anos entre os nove candidatos a prefeito de Manaus 07/07/2012 às 20:50
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Candidatos tiveram até o inicio da noite desta quinta-feira (05) para registrarem candidatura
Lúcio Pinheiro e equipe de Política Manaus (AM)

A disputa pela Prefeitura de Manaus deste ano traz de novo nove nomes, mas mantém velhas estatísticas das candidaturas registradas nas eleições municipais de 2008, como a faixa etária predominante dos candidatos com média de 55 anos e a baixa participação das mulheres.

Nestas eleições, entre os nove nomes, há apenas uma candidatura feminina, a da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), o que representa 11% do total de candidatos. Em 2008, em Manaus, nenhuma mulher concorreu ao cargo de prefeita.

Em todo o Amazonas, nas eleições de 2008, das 244 candidaturas a prefeito ou prefeita, apenas 25 eram de mulheres, o equivalente a 11% do total de candidatos.

Entre os 219 candidatos a prefeito do sexo masculino no Amazonas em 2008, 170 tinham idade entre 35 e 59 anos. Este ano, em Manaus, dos nove candidatos a prefeito, seis têm  entre 47 a 57 anos.

Dos nove candidatos, seis já navegaram pelo poder que  estão disputando. Seja como prefeito de fato, seja como aliados de quem já governou Manaus.

A fala de um dos candidatos, Artur Neto (PSDB), em entrevista esta semana a A CRÍTICA, reflete bem a falta de novas lideranças políticas na cidade. “Fico muito feliz que, 24 anos depois da minha eleição de prefeito, e 20 anos depois do final do meu mandato, a minha candidatura é de novo a candidatura da renovação. Por um lado é ruim porque não aconteceu tanta coisa de novo aqui. Por outro, é bom, porque a gente continua com a cabeça em dia. Eu imagino”, disse o ex-senador tucano.

Artur Neto (PSDB) e Serafim Corrêa (PSB) já foram prefeitos de Manaus no passado, assim como aliados de velhos grupos políticos dominantes no Estado (Gilberto Mestrinho e Eduardo Braga).

Eleito vereador em 2008, e deputado federal em 2010, Henrique Oliveira (PR) apresenta-se ao eleitor como alternativa às velhas caras. Mas tem como principal cabo eleitoral o senador Alfredo Nascimento (PR), que já foi prefeito de Manaus eleito em 1996. Antes ocupava o posto de vice-governador de Amazonino Mendes (PDT), atual prefeito de Manaus.

O deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB), até às eleições de 2008, era o principal cabo eleitoral de Amazonino. Mas, mal o governo do líder começou, houve um racha entre os dois. Sabino correu para o grupo liderado pelo senador Eduardo Braga (PMDB) e o governador Omar Aziz (PSD). E Amazonino tratou de migrar do PTB, do deputado, para o PDT.

Pauderney Avelino (DEM) consolidou a carreira política longe dos poderes Legislativo e  Executivo de Manaus. Desde 1991 é deputado federal, com uma interrupção em 2006, quando não conseguiu se reeleger. São cinco mandatos. Hoje, apesar de lançar candidatura própria, também está aninhado no grupo de Omar e Braga.

O engenheiro Jerônimo Maranhão tenta descolar a imagem do PMN do governador Omar Aziz, que comandou a sigla até 2011, quando migrou para o recém criado PSD. Desde a saída de Omar da sigla, Jerônimo coloca-se como opositor do grupo do ex-aliado. Assim como Jerônimo, Herbert Amazonas (PSTU) e Luiz Navarro nunca conquistaram um mandato. Os dois últimos são figuras conhecidas das eleições majoritárias no Amazonas.  Da extrema esquerda, ambos garantem: são os únicos que podem representar o novo no modo de administrar Manaus.

Reprise

Em 2004, seis candidatos concorreram à Prefeitura de Manaus (Serafim Corrêa, Amazonino Mendes, Vanessa Grazziotin, Plínio Valério, Arthur Bisneto e Herbert Amazonas). Serafim disputou com Amazonino o segundo turno e venceu. Assim como na eleição anterior, a de 2008 trouxe novamente seis nomes para a disputa: Serafim, Amazonino, Omar Aziz, Francisco Praciano, Luiz Navarro e Ricardo Bessa. Novamente Serafim e Amazonino foram para o segundo turno. Amazonino levou a melhor.

Representação 

Vanessa Grazziotin é a segunda mulher a disputar o comando da Prefeitura de Manaus nos últimos 16 anos. Participou do pleito em 2004. Em 1996, Irineia dos Santos concorreu ao cargo.

Experiência

Dos nove candidatos à Prefeitura de Manaus, dois já ocuparam o cargo. E outros dois  que concorreram  mas não conseguiram ser eleitos.

Quem é quem?

Time de prefeituráveis, em Manaus, confirma tendência histórica de baixa participação feminina nas chapas majoritárias. As candidaturas são compostas por 89% de homens. Os perfis dos que pleiteiam o cargo mostram de debutantes em eleições a ex-prefeitos  e parlamentares de múltiplos mandatos.   

Artur Neto

Coligação: ‘A esperança é agora’

Diplomata, Artur Virgílio Neto, 68, conquistou o primeiro mandato em 1982, quando foi eleito deputado federal. Em 1987, foi eleito prefeito de Manaus, guindado por uma união entre os partidos de oposição. Em 1995, voltou à Câmara dos Deputados, onde ficou por dois mandatos consecutivos. Nesse período, foi líder do governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, Artur se elegeu senador, onde tornou-se líder do PSDB. Para os aliados, Arthur se transformou em um dos “críticos mais firmes” ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, perdeu a vaga no Senado para Vanessa Grazziotin.

Henrique Oliveira

Coligação: ‘Manaus pra frente’

O deputado federal Henrique Oliveira (PR), 51, começou a sua vida política em Manaus  em 2008 quando venceu as eleições para vereador, cargo que ocupou por apenas dois anos. Nascido em Florianópolis, Henrique atribuiu a sua eleição aos telespectadores do “Fogo Cruzado”, programa policial que o tornou o vereador mais votado com 35.476 votos. O único bem declarado pelo parlamentar, segundo o site do TRE-AM, é uma casa financiada no valor de R$ 645 mil. Em 2008, teve o registro cassado pelo TSE por ser funcionário do TRE-AM, o que impossibilitava filiar-se a partido político e concorrer a cargo eletivo.

Herbert Amazonas

Candidato pelo PSTU

Aos 52 anos de idade, o funcionário público federal Herbert Amazonas entra na sétima campanha pela disputa  majoritária no Amazonas, sem nunca ter exercido um cargo eletivo. É líder do PSTU no Estado e, a cada campanha, defende os ideais socialistas. Participou da criação do PT no Amazonas e faz parte do grupo de descontentes com a postura que o partido assumiu ao chegar no Governo Federal em 2003. A cada eleição, a declaração de bens de Herbert é destaque quando comparada aos demais candidatos. Nos últimos seis pleitos, declarava ter um fusca avaliado em R$ 2 mil. Desta vez, o patrimônio aumentou: é dono de um Gol avaliado em R$ 12 mil.

Jerônimo Maranhão

Candidato pelo PMN

Candidato a Prefeito de Manaus pela primeira vez, pelo PMN, o engenheiro, Jerônimo Maranhão Vieira Rodrigues, 50, herdou do pai Heber Maranhão, cassado no período da ditadura militar, a perseverança e o desejo de mudanças políticas. Depois de morar em 18 países, Maranhão aposta no discurso técnico para conquistar o eleitorado. Fala em priorizar investimentos na educação, infraestrutura, urbanização, saneamento básico e saúde, para mudar a história de Manaus. Com um orçamento modesto, o candidato pretende investir R$ 100 mil na campanha eleitoral. Segundo o site do TRE-AM, todo seu patrimônio está avaliado em R$ 25 mil.   

Luiz Navarro

Candidato pelo PCB

Esta é a quarta vez que o manauara Luiz Navarro (PCB), 69, concorre a uma eleição. Casado com uma professora e pai de dois filhos, Navarro começou a sua vida política em 2006, quando disputou uma vaga para senador. Em 2008, pleiteou a vaga de prefeito da cidade perdendo para o atual prefeito Amazonino Mendes. A última eleição que concorreu foi em 2010, quando se candidatou para governador  e recebeu 0, 39% dos votos válidos. Navarro volta a disputar um cargo eleitoral este ano apoiado do seu jovem candidato a vice, o estudante Marcelo Leitão (PCB) de apenas 21 anos. Nas  três campanhas eleitorais que disputou não registrou nenhum tipo de irregularidade.

Pauderney Avelino

Coligação: ‘Renova Manaus’

Respaldado pela experiência de cinco mandatos como deputado federal, Pauderney Tomaz Avelino, 57, da coligação DEM/PRB, é amazonense da cidade de Eirunepé e  ficou conhecido pelos eleitores do Amazonas pela sua militância em defesa da Zona Franca de Manaus. Pauderney começou na política em 1991 quando ganhou sua primeira eleição para deputado federal. Agora o candidato Democrata quer oferecer  sua experiência no Congresso Nacional para o desenvolvimento de Manaus. Pela declaração do candidato, ele pretende gastar na campanha R$ 700 mil. À Justiça Eleitoral declarou bens no valor de R$ 1,7 milhões.

Sabino Castelo Branco

Coligação: ‘O povo caminha para vitória’

O manauara Sabino Castelo Branco (PTB), 47, é deputado federal e pela primeira vez se candidata à Prefeitura de Manaus. Com a aliança formada pelo PTB e PSDC, o parlamentar estimou em R$ 4 milhões os gastos de sua  campanha. Segundo o site do TRE-AM, Sabino  declarou sete bens, que somam R$ 237,6 mil São R$ 946,3 mil a menos do que declarou quando se candidatou em 2006. Possui oito processos em seu nome, dentre eles desvio de dinheiro  público. Em 2006, Sabino foi acusado de ter agredido a esposa, a deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco, o caso foi negado pela parlamentar. Teve o mandato cassado este ano. E está no cargo por força de liminar.

Serafim Corrêa

Coligação: ‘Agora somos nós e o povo’

Antes de derrotar Amazonino Mendes no 2º turno das eleições para prefeito de Manaus, em 2004, o economista Serafim Corrêa, 65, havia sido vereador de 1988 a 1992. Até chegar à cadeira de prefeito, concorreu duas vezes sem sucesso (1996 e 2000) à Prefeitura de Manaus. Nesse caminho, aliou-se (como candidato a vice) a Eduardo Braga na disputa pelo Governo do Amazonas (1998). A chapa foi derrotada por Amazonino. Em 2002, já brigado com Braga, disputou o Governo contra o ex-aliado, que levou a melhor. Em 2004, Serafim brigou pela reeleição contra Amazonino. Com a máquina nas mãos, foi derrotado. Em 2010, foi vice na chapa de Alfredo Nascimento.

Vanessa Grazziotin

Coligação: ‘Melhor pra Manaus’

Em 2010, saiu vitoriosa de uma disputada eleição em que conquistou um mandato de oito anos no Senado. O principal adversário foi o ex-senador  Artur Neto (PSDB). Desde o início da vida política é filiada a mesma sigla: PCdoB. Tem 51 anos, é casada com o Secretário de Estado de Produção Rural, Eron Bezerra, com quem tem uma filha. De 2006 para 2012, o patrimônio da senadora declarado à Justiça Eleitoral evoluiu 120%. Na disputa de 2006, em que se elegeu deputada federal, declarou patrimônio de R$ 243,5 mil. Na quinta-feira, informou ter R$ 536.442,21. Responde a dois processos com pedido da cassação por compra de votos em 2010 movidos pelo Ministério Público Eleitoral.