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Manaus
ÔNIBUS

Defensoria Pública do AM vai inspecionar ônibus ‘cacarecos’ na cidade de Manaus

O órgão também vai verificar se os ônibus apreendidos pelo Detran-AM foram substituídos por outros regulares para não afetar o serviço à população 29/11/2017 às 13:52 - Atualizado em 29/11/2017 às 14:00
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Estado de ônibus da linha 680, no bairro João Paulo 2º: se desligar não dá mais partida (Fotos: Jair Araújo)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A crise no transporte coletivo de Manaus levou a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) a anunciar uma inspeção para fiscalizar o estado precário de boa parte da frota de ônibus da cidade. O órgão anunciou, também, que vai verificar se os ônibus apreendidos recentemente pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) foram substituídos por outros regulares para não afetar o serviço público da população.

“A Defensoria Pública sempre está de portas abertas a conversar com quem tem informações, e é muito importante que o Sindicato dos Rodoviários entre em contato conosco. A propósito nós já pedimos em outras ocasiões conversas para tratar sobre assuntos semelhantes e não tivemos retorno, mas diante dessa informação é o caso de se fazer uma inspeção. Vamos aciona neste caso os demais integrantes da força-tarefa para poder retorno quanto a essa demanda”, afirmou o defensor público Carlos Alberto Almeida Filho, da Defensoria Pública das Causas Coletivas.

Rodoviários

“O motorista é obrigado a sair com o ônibus sem freio, correndo o risco de morrer, porque não pode se recusar senão é demitido, e quando bate o veiculo, tem que pagar pelo dano causado. Ele não pode sequer esperar pela perícia porque o ônibus está com o licenciamento anual em atraso”, afirmou o dirigente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, na última segunda-feira (27), durante reunião com o diretor-presidente do Detran-AM, Vinícius Neto.


Foto: Jair Araújo

Déficit de ônibus

Ao ser questionada sobre quais medidas poderia impetrar caso as empresas estivessem descumprindo a obrigatoriedade de colocar outros veículos para servir a população, a Defensoria Pública do Estado informou que existe um processo em tramitação observando sobre esse déficit.

“Não estamos nem tendo informações de quanto é o déficit que está havendo. O que sabemos que é fato é que estamos observando que o serviço público que deveria estar sendo prestado está sendo prejudicado, e é bem provável que iremos judicializar ainda nesta semana em relação à necessidade de fornecimento do serviço e envolvendo tanto o Sinetram quanto o poder público”, informou o defensor público Carlos Alberto Almeida Filho.

Não procede, diz Sinetram

Ao ser  questionado em relação aos ônibus irregulares que foram retirados de circulação pelo Detran-AM e se as empresas estão suprindo o déficit temporário e colocando outros veículos para a população, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) afirmou, por meio de assessoria, que os passageiros “não estão sendo prejudicados, pois as frotas reservas estão suprindo a demanda”.

Em reunião com o Detran no início da semana, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, denunciou que há trabalhadores parados por conta das apreensões de 40 veículos. O Sinetram informou que não procede a reclamação. “Após o recolhimento do carro, o motorista é orientado a formalizar qualquer defeito do veículo que passará por reparos durante a noite, de modo que não procede a reclamação, salvo se houver falha de algum motorista que deixou de avisar sobre algum problema em algum carro”.


Foto: Jair Araújo

Várias irregularidades

Motoristas e cobradores de algumas linhas do transporte coletivo da cidade, que não quiseram se identificar por medo de represálias nas empresas onde trabalham, denunciaram o “sucateamento” dos ônibus e o medo que sentem ao trabalhar num desses coletivos. No bairro João Paulo 2º, Zona Leste, a reportagem de A CRÍTICA constatou sérias irregularidades em veículos de linhas como a 680 e a 677 (Jorge Teixeira/Educandos), da empresa Global Green: todos os veículos apresentaram pelo menos um tipo de problema em sua estrutura.

No primeiro ônibus observamos, principalmente, que o motorista não desligava o veículo porque, se fizesse isso, o mesmo não daria partida novamente devido problemas no motor. “A tampa da porta traseira fica sempre aberta. Quase todos os dias ficamos no ‘prego’ (parando no meio do caminho por problemas mecânicos), e quase todos os dias temos que andar com um balde de água do lado por conta do aquecimento. O balaustre e o corrimão estão quebrados. Nós ‘carregamos nas costas’ essa situação, e o poder público não resolve nada”, disse um motorista. Ele confirmou, inclusive, que em alguns casos dirige o veículo tendo uma das mãos no volante e outro em sua cadeira, para ela não deslizar para o lado e desequilibrá-lo.

SMTU não vê redução


Foto: Jair Araújo

O SMTU não constatou, nos últimos dias,  qualquer redução da frota por causa das recentes apreensões de veículos, informou o órgão por meio de sua assessoria de imprensa. “Por meio de monitoramento via GPS, a SMTU verifica o cumprimento da frota de ônibus em operação na cidade e, nos últimos dias, não foi constatado redução da frota por causa das recentes apreensões de veículos”, declarou o SMTU por e-mail.

A SMTU ressalta que “está atenta a necessidade de manter a frota em bom estado de manutenção, por isto tem utilizado os mecanismos previstos na legislação e nos termos contratuais para cobrar das empresas que os veículos colocado em operação atendam todos os requisitos de segurança e manutenção”.

Frota reserva

Por força das regras de licitação, as empresas de transporte coletivo da cidade de Manaus são obrigadas a manter uma frota reserva para suprir a necessidade em caso de eventual recolhimento de ônibus. “Uso um pedaço de pau para segurar a minha cadeira”, denunciou uma cobradora. “Tenho medo de dirigir com um ônibus assim”, comentou um motorista.

A reportagem constatou a existência de pneus desgastados e com vazamento de óleo (causado por retentor estourado), assentos avariados, portas destinadas a pessoas com deficiência (PCDs) quebradas e sujeira no interior dos veículos. Em áreas como o bairro Colônia Antônio Aleixo, a população reclamou também da demora de até 2 horas para pegar um coletivo.


Foto: Jair Araújo

Blog

“A situação dos ônibus aqui no bairro Colônia Antônio Aleixo é precária. Há motoristas que dirigem com uma mão no volante e a outra na cadeira para não deslizar; há problemas de pneus carecas, cadeiras quebradas, há ônibus que pregam na rua, com teto furado. Não querem pagar o 13º salário... A culpa não é dos colegas que saem às 3 horas da madrugada para trabalhar, e aí chegam na empresa e não tem ônibus. Eles vêm para suprir a necessidade da empresa. Foram pegos vários ônibus pelo Detran. Quem sofre com essa situação são eles. Já fui rodoviário e sei disso. Nós sofremos também. E sábado e domingo reduz demais, ficando só dois, três ônibus", disse Paulo de Assis de Serrão, usuário do transporte coletivo.

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