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Manaus
CHEIA 2018

Defesa Civil realiza mapeamento preventivo em áreas de Manaus com risco de enchente

Cerca de 2.800 famílias moram em locais vulneráveis à enchente deste ano em 15 bairros de Manaus. Na Zona Rural, cerca de 500 famílias deverão ser atendidas caso a enchente seja grande 17/04/2018 às 05:06
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Cadastramento é realizado, entre outras coisas, para estimar o gasto com madeira. Foto: Jair Araújo
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Há 29 anos morando no beco Ana Nogueira, bairro Educandos, Zona Sul de Manaus, a aposentada Erotildes Ferreira de Oliveira, 68, é uma das cadastradas pela prefeitura na “Operação Cheia 2018”, que identifica residências passíveis de alagação, para a atualização do banco de dados do “SOS Enchente”. A ação, iniciada nessa segunda-feira (16), atinge 15 bairros com áreas vulneráveis ao fenômeno da cheia. 

“Enfrento enchente desde o primeiro ano morando aqui. Sem ajuda de ninguém, nós pegávamos tábuas velhas, pernamancas e a gente fazia a ponte. Na enchente 2012 eu perdi geladeira, cama e outras coisas. Por isso, fiz mais um piso na casa”, relatou a aposentada.

Segundo o titular da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, Cláudio Belém, o trabalho, envolvendo mais de 100 pessoas, é preventivo. Estão sendo identificados os moradores e a quantidade de material a ser usado, caso a enchente deste ano chegue a níveis iguais ou superiores ao do ano passado, quando alcançou 29 metros. “Estamos nos antecipando para que, caso ocorra grande alagação, possamos saber quanto de madeira vamos usar para construir pontes nas quinze áreas que oferecem risco”, disse o secretário.

Segundo Cláudio Belém, o plano de contingência inclui a construção de pontes e até a retirada de moradores, caso haja proliferação de doenças por conta de água parada. O cadastro também prevê uma ação humanitária que inclui atendimento com cestas básicas e ajuda financeira para pagamento de aluguel em local seguro.
 
“Estamos vendo o grau de vulnerabilidade das famílias. Se a cota passar de 29 metros, teremos que agir. Não podemos deixar para cima da hora. Precisamos saber quem vai precisar de ajuda humanitária”, disse Dante Souza, titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh).

O último alerta da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) registrou a cota provável para este ano de 27,80 metros, o que não representaria situação de emergência. Ainda faltam dois alertas, um no final de abril e outro no final de maio.

A ação é organizada pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil de Manaus e pela), com a participação das secretarias municipais de Infraestrutura (Seminf), de Meio Ambiente (Semmas), da Saúde (Semsa), de Educação (Semed), de Limpeza Pública (Semulsp), além do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Guarda Municipal, Subsecretaria de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab), da Semmasdh e Polícia Ambiental do Amazonas.

Monitoramento

De acordo com o Departamento de Operação da Defesa Civil, 15 bairros da cidade são monitorados semanalmente pelo órgão: Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara. No ano passado, no Educandos, 678 famílias foram prejudicadas pela cheia.

2.800

Esse é o número de famílias que moram em locais vulneráveis à enchente deste ano em 15 bairros de Manaus. Na Zona Rural, cerca de 500 famílias deverão ser atendidas caso a enchente seja grande.

"Benefícios apenas para casas de madeira", reclama moradora

A autônoma Maria de Nazaré Custódio Braga, 75, passou a morar no beco Ana Nogueira 13 anos antes de dona Erotildes e, entre secas e enchentes, tem muitas histórias para contar. Na década de 70, quando seu marido adquiriu o terreno e construiu a casa, eles levavam uma vida tranquila e saudável.

“O Educandos era tão limpo que nossos filhos tomavam banho no igarapé, não havia essa poluição, esse monte de lixo passando. Tinha a Ponta Branca, uma praia frequentada por todos os moradores e que hoje nem existe mais”, lembra a moradora.

A filha, Nara, só lamenta que a prefeitura só disponibiliza ajuda com cestas básicas as residências de madeira. Como a da família é de alvenaria, não recebe o benefício quando o nível da água sobe tanto que invade a casa. “Não podia ter essa discriminação, porque todos sofrem. Que diferença faz se a casa é de madeira ou alvenaria, se todas são alagadas?”, indaga a moradora.

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