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Delegacia registra 550 homicídios até o mês de julho, em Manaus

Vinte e sete corpos, todos vítimas de execuções, foram encontrados na área rural do bairro do Tarumã, Zona Oeste de Manaus, somente no primeiro semestre deste ano 25/07/2012 às 18:07
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Características de execuções se assemelham e têm marcas apontadas como recado dado por traficantes
Camila Pereira Manaus

A Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS) registrou de janeiro a julho deste ano, 550 homicídios em Manaus. As informações foram obtidas com o delegado adjunto da DEHS na Capital, Antônio Rodon.

Até maio deste ano, foram registrados 312 casos na cidade. Pelo total, os meses de junho e julho foram os mais violentos do ano até agora. Desse número, a cidade registrou uma média de 78 crimes por mês.

A maior parte dos crimes, segundo o delegado, tem ligação com o tráfico de drogas. De acordo com o delegado, a maioria dos crimes de execução (pistolagem), foram registrados na Zona Leste e nesses casos, também verifica-se a participação do autor e da vítima no tráfico de drogas.

Tráfico de drogas

As vítimas dos últimos homicídios registrados na capital, como os casos de ‘Glau’ e ‘Pedrinho’, tinham ligações com o tráfico de drogas. “Muitas vezes os crimes desta natureza são por causa de dívidas, ponto de drogas e chefia do tráfico. Nota-se há algum tempo, que quando uma das lideranças do tráfico morre, há um descontrole do próprio grupo em busca deste poder e vão se exterminando pouco a pouco”, explicou o delegado

O delegado conta que as execuções por motivos passionais conseguem ser elucidados rapidamente e, em seguida, estão as brigas que resultam em morte. Segundo ele, as maiores dificuldades de se identificar um crime com natureza de execução são a obtenção de provas técnicas e a colaboração de testemunhas. “Nós conseguimos no local, muitas informações, mas que não podemos considerar como provas técnicas para um possível pedido de prisão, processo e condenação do autor. Muitas vezes, há testemunhas, mas elas tem um certo receio de colaborar com a investigação”, contou.

Tarumã

Além da Zona Leste, que tem maior incidência deste tipo de crime, outra área que chama atenção pelos crimes que vem acontecendo é o Tarumã, alerta o delegado. Vinte e sete corpos, todos vítimas de execuções, foram encontrados na área rural do bairro do Tarumã, Zona Oeste de Manaus, somente no primeiro semestre deste ano.

Grupo de investigação

A grande incidência, nos últimos meses, deste tipo de execução com características de pistolagem motivou as delegacias a criarem um grupo de investigação criminal, para agilizar os processos e a prisão do autor do crime. “É um trabalho que já acontece, mas haveria uma integração maior das delegacias. A DEHS entraria lado a lado com a Delegacia Especializada em Prevenção e Repreensão a Entorpecentes (DEPRE), a Divisão de Repreensão ao Crime Organizado (DRCO) e a Secretaria de Inteligência”, informou.


Em nota, a Delegacia Geral de Polícia Civil do Amazonas contestou a matéria acima, afirmando que o Delegado Antônio Rondon não revelou as informações contidas no último parágrafo referente a quantidade de corpos encontrados no Tarumã. E, ainda, que as informações declaradas por ele apontam que ocorreram em Manaus 550 registros de mortes e não homicídios, e nem que os crimes acontecem em maior parte na Zona Leste de Manaus.