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Delegacia vira foco de dengue em Manaus

Com 400 veículos abandonados no patio, Especializada em Roubos e Furtos de Veículos tem 260 focos do Aedes Aegypti 25/02/2012 às 09:31
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Carros abandonados viram criadouros do mosquito transmissor da doença que já pegou investigadores e vizinhos da DERFV Antônio Lima Delegado conta que vizinha já ameaçou tocar fogo nos carros abandonados
MILTON DE OLIVEIRA Manaus

A Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DEFV), em Flores, Zona Centro-Sul, tem aproximadamente 260 focos do mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti.

Os criadouros estão espalhados em aproximadamente 400 veículos apreendidos como parte de inquéritos promovidos nos últimos 15 anos. Conforme investigadores, a maioria dos funcionários já contraiu a doença, bem como os vizinhos da especializada. “Eu peguei pelo menos duas vezes. E, a cada 15 dias, uma equipe da Semsa faz o fumacê”, afirma o delegado titular Sinval Sousa.

Ainda conforme ele, uma vizinha da delegacia teria ameaçado queimar os veículos amontoados no pátio, porque um familiar dela teria sido infectado pelo mosquito. As larvas estão espalhadas por carros amontoados, motocicletas e acessórios desses veículos.

O número de 260 focos foi informado por um investigador, que pediu para não ser identificado. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) confirmou que o lugar tem muitos focos positivos, mas não especificou o número exato. A Semsa informou que as visitas são feitas em mais de 300 pontos, que acumulam material.

“Temos mapeados várias áreas, chamadas de Ponto Estratégico (PE) em que existe acúmulo de água, verificando recipientes e materiais em que possam haver água parada”, disse a diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológico e Ambiental da Semsa, Shelley Maynnarth.

Ela disse também, que a delegacia é um desses pontos. Ainda segundo ela, os mosquitos são eliminados com o fumacê e as larvas com um larvicida, “um inibidor de crescimento de larvas”,

É feita ainda uma orientação a moradores e funcionários, com a sugestão de criar uma brigada contra dengue. “A brigada é uma equipe encarregada de ver os lugares, onde há água parada, porque todo ponto estratégico é um lugar propício ao desenvolvimento do mosquito da dengue”, concluiu a diretora.

 Conforme o delegado titular da D.E.F.V., Sinval Sousa, existem carros que estão no pátio há mais de 15 anos. “São carros que foram recuperados pela polícia, mas nunca foram reclamados pelos seus donos, porque estavam em estado deplorável. Quem vai querer um carro depenado com chassi adulterado ou carcaça”, questionou.

Outro fator do abandono, segundo ele, é que quase todos os veículos são financiados ou foram assegurados por empresas de outros Estados. “Então, o assegurado já recebeu o dinheiro, quem financiou e pagou duas prestações, procura adquirir outro veículo e carro roubado vai ficando aqui”, destacou.

Eliminação é fácil e barata, diz cientista

O pesquisador responsável pelo laboratório de malária e dengue do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Wanderli Pedro, afirmou que o mosquito transmissor da dengue é “um mosquito urbano” e, portanto, pode viver em locais insalubres como é o caso da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos. Já o mosquito da malária é “silvestre”.

De acordo com a equipe do pesquisador do Inpa, a mistura do cal e cloro é a combinação ideal para combater o Aedes. “É uma mistura não diluída, com uma proporção de oito copinhos de café com cal para dois de cloro. Mistura-se tudo isso em um copo de água de 180ml, e se aplica em cada metro quadrado do local”, ensinou. O pesquisador disse também, que o método é eficiente tanto para evitar a eclosão dos ovos do mosquito, quanto para provocar a morte das larvas, que podem se desenvolver em uma tampa de caneta com água parada.