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Depoimentos dos envolvidos na morte de estudantes em Manaus têm contradição

Policial acusado teria mentido duas vezes, diz processo contra ele. Sebastião Pereira, pai de Bruno, é um dos familiares que querem justiça 03/04/2012 às 07:44
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Sebastião Pereira, pai de Bruno, é um dos familiares que querem justiça
MARIA DERZI Manaus

A reportagem de A CRÍTICA teve acesso ao processo que pede a prisão temporária do policial militar Marcos Marques Pinheiro, acusado pelos homicídios de Ewerton Felippy Marreiros e Bruno Menezes de Souza, por motivo passional. No processo ainda em análise pela justiça, a titular da Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS), Cristina Portugal, considerou “imprescindível” a prisão preventiva do PM dizendo que ele já estava atrapalhando as investigações e poderia destruir provas valiosas ao caso.

O processo também aponta que um dos indícios do envolvimento do policial militar no crime é o fato de que Joseane se comunicou com Bruno, através do celular de Ewerton, avisando ao namorado que Marcos estava rondando a área em busca do estudante. O fato foi confirmado pela família das vítimas no dia em que o corpo de Bruno foi encontrado.

Segundo a mãe, Francinete Menezes, o celular de Bruno tinha sido roubado no mesmo dia em que ele foi levado. “Aí ele pediu o celular do Ewerton emprestado para falar com a Joseane”, disse a mãe. O celular está sendo periciado pela Polícia Civil.

O processo apresenta, também, que os depoimentos de Marcos e Joseane e de mais uma terceira testemunha apresentaram contradições. Marcos teria mentido duas vezes: uma ao dizer que estava na área para deixar o filho na casa da mulher, fato não confirmado por Josiane; e, que das 22h às 6h, estava em um posto de gasolina, conversando com um frentista, versão também não foi confirmada.

Outro fato que embasou o pedido de prisão preventiva foi que Marcos lavou o carro, um modelo Fiesta, de cor escura, na madrugada da última segunda-feira, após o desaparecimento de Bruno. Marcas de sangue foram encontradas no veículo.

Famílias de vítimas ameaçadas
O Comandante da Polícia Militar, Coronel Almir David, determinou a instauração de processos administrativo para apurar as denúncias do Caso Bruno e o possível envolvimento de PMs.

Marcos Pinheiro  será submetido a processo administrativo e ficará detido no Batalhão de Guarda da PM, isto se a prisão preventiva for decretada. O comandante garantiu que vai investigar, também, as denúncias de ameaças à famílias que teriam sido feitas supostamente por policiais militares.

“Nós já recebemos essas denúncias, inclusive, com a placa da viatura, que não é do Grupamento Marte (ao qual pertence o acusado Marcos Pinheiro”, disse ele.

As investigações sobre os demais policiais militares não foram descartadas. “Mas vamos aguardar as  investigações da Polícia Civil”, ressalta.

A reportagem de A CRÍTICA enviou e-mail à Corregedoria Geral de Segurança quanto às denúncias e a identificação dos policiais, mas não obteve resposta.

Suposta pivô do crime sumiu
Onde está Joseane Alves, pivô dos assassinatos dos estudantes Bruno Menezes de Souza e Everton Felippy Marreiros?

Segundo os vizinhos, a dona de casa foi levada da vila onde morava pelo ex-marido e três policiais, numa viatura da polícia militar.

“Nós temos uma filmagem de celular dela saindo de lá com ele e entrando no carro da polícia. Desde esse dia, ninguém soube dela”, disse a mãe de Bruno, Francinete Menezes.

No processo, Joseane confirma que saiu da vila acompanhada do ex-marido, mas por vontade própria, não sob ameaça.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que Joseane Alves não pode ser considerada cúmplice pois prestou depoimento. Se necessário, poderá ser requisitada a depor novamente. As 8h desta terça-feira (3), as famílias das vítimas realizam ato público na frente do Colégio Estadual Dom Pedro II, na avenida Sete de Setembro, Centro.