Publicidade
Manaus
Infraestrutura

Depois do medo, o drama: famílias ainda amargam prejuízos após temporal

Ruas e casas dos moradores do Rio Piorini, na Zona Norte, foram tomadas pelas águas do igarapé do Passarinho, que transbordaram com a forte chuva 14/04/2016 às 04:00
Show portal 114
Da casa de Alcione, na comunidade Rio Piorini, a chuva levou o telhado e parte do piso de madeira
Luana Carvalho Manaus

As famílias que moram às margens do igarapé do Passarinho, na comunidade Rio Piorini, Zona Norte de Manaus, tiraram a manhã ensolarada de ontem para contabilizar os prejuízos, colocar os colchões para secar e fazer os reparos nos barracos atingidos pela chuva da última terça-feira. 

Embora tenham construído as casas a menos de 30 metros do curso d’água, o que caracteriza crime ambiental, os moradores fizeram uma manifestação após a chuva e pedem providências do poder público.

A dona de casa Alcione Macário, 31, moradora da rua Caiena,  foi uma das que mais sofreu com a forte chuva. O barraco onde mora, com dois compartimentos, ficou sem as telhas e até sem parte do assoalho. “Tenho cinco filhos e todas as vezes que chove a gente fica morrendo de medo. Mas a minha casa nunca tinha ficado tão alagada quanto ontem (terça-feira)”, relata.

Ontem, os vizinhos fizeram um mutirão para tentar ajudar a dona de casa. Ela conta, ainda, que mora na área invadida há mais de três anos e que optou pelo local por falta de condições de pagar aluguel. “Eu pagava R$ 250 para morar no Jorge Teixeira (Zona Leste) e, quando tive a oportunidade, vim para cá, para ter minha casa própria”.

Assim como ela, Ketlen de Souza, 20, perdeu os eletrodomésticos por conta do alagamento. “Meu colchão molhou, perdi geladeira, fogão, e até roupas. A gente não sabe o que fazer”, desabafa. Segundo ela, esta é a segunda vez que a casa sofre com a alagação causada pelo transbordamento do igarapé.

“Moro aqui há quatro anos. Tenho dois filhos e um eu deixo com minha mãe porque é perigoso que ele fique aqui em casa. O menor, de um ano, precisa ficar comigo, mas é um risco constante”, comenta.

A aposentada Raimunda Lima, 63, teme pela vida da mãe dela, Nicária Lima, de 83 anos de idade. “Foi um dia inteiro de desespero. Eu não conseguia sair de casa e muito menos tirar minha mãe, que é idosa e não enxerga. A gente queria ao menos que a prefeitura olhasse por nós e visse a situação que a gente vive. Nosso bairro está esquecido”, reclama.

Defesa Civil de Manaus

Segundo os moradores, a Defesa Civil foi acionada e chegou a fazer uma visita no local. Porém, eles contaram que a equipe não pegou o nome dos moradores e nem o contato deles. “É sempre isso. Eles vêm, olham, tiram fotos, e não fazem mais nada”, disse Ketlen.

A Defesa Civil do município, no entanto, informou que esteve no local na terça-feira e ontem. As equipes fizeram uma avaliação da área e foi constatado que é preciso fazer o desassoreamento do igarapé para evitar o transbordamento.

Ainda segundo o órgão, o curso foi assoreado por resíduos (lixo, materiais de construção, etc). Um relatório está sendo elaborado e será encaminhado para a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Aulas normalizadas em escola

A Escola Municipal Professor Themistocles Gadelha, no Jorge Teixeira 2, Zona Leste, cujo igarapé e os bueiros localizados próximos ao colégio  transbordaram e causaram transtorno na estrutura do imóvel na terça-feira,  já está recebendo manutenção.  

Hoje, as aulas serão normalizadas, segundo a Prefeitura de Manaus.  A Secretaria Municipal de Infraestutura (Seminf) realizou o atendimento e resolveu a questão, tornando possível o restabelecimento das aulas ainda no turno da tarde de ontem.

O setor de engenharia da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que também agiu na ocorrência, identificou que uma calha na escola precisa de reparos: ela cedeu com a quantidade de água. Uma equipe fará o serviço ainda esta semana, segundo a Prefeitura.

Em sua página do Facebook, o prefeito Artur Neto (PSDB) comentou sobre os estragos causados pela chuva. “Gostaria de dizer aos abutres de plantão que não vou esmorecer com as críticas. Fui muito bem recebido tanto pelas crianças quanto pelos profissionais e pais dos alunos. Eles entenderam que isso poderia ter acontecido em qualquer lugar, pois só hoje (ontem) choveu 65,2 milímetros em apenas onze horas”, declarou.