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Deputado Federal do AM confirma candidatura a prefeitura de Manaus

"Vou buscar as condições políticas", disse Pauderney Avelino em entrevista ao Jornal Acrítica 23/02/2012 às 07:57
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Pré-canditado a prefeitura de Manaus, o deputado articula-se nos bastidores com os principais caciques políticos do Estado
KLEITON RENZO Manaus

Membro da bancada de oposição ao Governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado federal Pauderney Avelino (DEM) afirmou que está tentando emplacar a candidatura dele a prefeito de Manaus com o governador Omar Aziz (PSD), o senador e ex-governador Eduardo Braga (PMDB) e o prefeito de Manaus Amazonino Mendes (PDT). Os três comandam, no Amazonas, partidos que fazem parte da base do Governo no Congresso Nacional. Contra os planos do presidente estadual do Democratas, de assumir a cabeça de uma chapa na eleição de outubro, existe o fato de Amazonino ser candidato natural à reeleição. E, apesar de negar a candidatura, tem mobilizado sua gestão para o confronto nas urnas. Outro empecilho é a possível candidatura de Braga. O apoio de Omar se complica pelo fato do governador depender das costuras patrocinadas pelo seu antecessor. Em entrevista ao A CRÍTICA Pauderney comenta suas articulações de bastidores e diz que “por onde passei não deixei portas fechadas”.

AC- Qual a relação do senhor com o PSD, do governador Omar Aziz?

PA- Apesar do PSD ter sido criado não de uma costela, mas do tronco inteiro do Democrata (DEM), continuo mantendo boa relação de amizade com o prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP), porque é anterior a isso. Mantenho relação com todos os deputados que saíram do partido. Mantenho uma boa amizade, por conta da eleição passada, com o governador Omar Aziz (PSD). Fico muito confortável com a aliança aqui no Estado com o governador, por estar tocando bem o governo, não há sobressaltos na administração do Omar. Ele tem cumprido bem os seus deveres de governador. Criado programas sociais extremamente relevantes e que tocam o coração da gente. E é uma pessoa boa, como todo mundo sabe.

AC- O senhor buscou apoio do governador Omar Aziz à sua candidatura?

PA- Existe a conversa. Eu estou conversando com o governador. Estou conversando com outros atores do processo. E com relação ao PMDB, eu mantenho uma ótima relação com o senador Eduardo Braga. Mantenho uma ótima relação com os comandantes do partido em Brasília. E também óbvio, que tive uma conversa com Eduardo no final do ano passado, e uma nova conversa ficou para termos em março. Estamos conversando com várias pessoas. Iniciei conversa também com os deputados federais. Vou buscar, antes de mais nada, criar essas condições políticas, para que a gente possa criar as condições eleitorais.

AC- A sua relação com o PSD e o PMDB inviabiliza uma possível união com o PSDB?

PA- Não, pelo contrário. Eu poderia ser aí um elo. Trazendo, inclusive o apoio do PSDB. Tenho conversado muito com o senador Aécio neves (PSDB-MG), de quem eu sou amigo. Ele tem me perguntado muito pela posição do Artur Virgílio (PSDB-AM). E nas vezes que tenho conversado com o Artur, porque temos conversado menos sobre política e mais sobre outras coisas. Vamos retomar as conversas quando ele retornar do 'exílio voluntário'. Então a ideia é conversar com o PSDB. Eu tenho um amplo leque de amigos, por onde eu ando eu não deixo a porta fechada.

AC- Essas conversas incluem o prefeito Amazonino Mendes?

PA- Inclusive o prefeito Amazonino. Saí do círculo dele, mas sem criar nenhuma dificuldade. Tenho certeza que a hora em que eu telefonar para ele a gente vai conversar. Coloquei meu mandato à disposição da prefeitura de Manaus e dele. E isso eu continuo fazendo. A minha proposta é exatamente de uma candidatura ampla que viabilize uma pessoa que passou a vida se preparando para exercer a função pública. Porém, venho da iniciativa privada, conheço administração. Fui plantado, cresci e amadureci na política nacional, porque só exerci mandatos federais.

AC-Como seria uma eventual gestão Pauderney na prefeitura de Manaus?

PA-Quero fazer uma administração moderna. Fui à um seminário no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) sobre a Lei de Transparência Pública. Me orgulho de dizer que participei não apenas da estabilização da economia brasileira, mas criamos os alicerces para Lei de Responsabilidade Fiscal, como um dos alicerces para a eficiência e transparência da administração pública. Agora é preciso ressaltar que, no Governo do Estado e na Prefeitura, a administração pública precisa de planejamento. Nós teremos 45 anos de Zona Franca no próximo dia 27 de fevereiro, e precisamos pensar Manaus e o Amazonas para os próximos 10 e 20 anos.

AC- A falta de planejamento ocorre por falta de diálogo entre Prefeitura e Governo?

PA- Não. Isso aí é outra coisa. Planejamento, significa planejar para executar o futuro. Ou seja, quando você faz um plano plurianual é um plano de quatro anos. Você precisa estar baseado naquele plano para fazer um orçamento anual. O que proponho é muito mais. É fazer planos decenais. Para que possamos dizer o que queremos para Manaus em 10 anos. Não podemos continuar com a cidade onde o pedestre não tenha por onde caminhar, as ruas e calçadas sendo tomadas pelas construções irregulares, ou muitas vezes com permissão até de órgãos da prefeitura. É preciso ordem.

AC- Nos moldes do Choque de Ordem da gestão Amazonino?

PA-Não. Não esse 'choque de ordem' que ficou vulgar. Manaus precisa de ordem. Precisamos ter a cidade entregue de volta para os seus moradores e habitantes. E nós não podemos ter uma pequena minoria tomando conta da cidade em detrimento da sua expressiva maioria.

AC-E isso o senhor não consegue observar nas duas últimas administrações municipais?

PA-Não consigo. Nas duas últimas não, nos últimos anos. E nós vamos enfrentar desafios enormes. Mas se cidades como Brasília, Barcelona, Belém, Florianópolis, podem ser usadas pela população, com áreas comuns e equipamentos comuns, por que Manaus não pode? Se eu chegar a ser prefeito de Manaus, eu irei administrar com esse objetivo, devolver a cidade para os seus habitantes.

AC-O senhor é pré-candidato à prefeito de Manaus?

PA- Sim. Serei.

AC- Só resta saber de quem o senhor terá apoio.

PA- Não se esqueça, de que o principal apoio que um prefeito precisa ter, é do povo. Então, eu vou buscar, sobretudo, o apoio popular.

AC- O senhor toparia ser candidato a vice-prefeito, por exemplo, na chapa do senador Braga?

PA- Isso não está em cogitação. Mesmo porque ele diz que não é candidato. Então, eu não posso dizer que aceitaria ser candidato a vice de alguém, que não é candidato. O que eu estou colocando aqui é uma eventual pré-candidatura. Então parte daí. E tudo isso que eu falei parte dessa premissa.

AC- Como o DEM está articulando para a eleição no interior do Estado?

PA- Nós conseguimos construir no Estado inteiro candidaturas, ou trazer para o partido, nomes muito bons para disputar as eleições. Só que na última semana de setembro (de 2011), nós sofremos um ataque de outras lideranças partidárias, tirando pessoas do nosso partido e levando para os seus partidos.

AC- De quem foram os ataques?

PA- Do Amazonino levando para o PDT. Tirou muita gente nossa que tinha preferência para ganhar a eleição. Mas não tem problema. Isso aí é superado. E nós estamos constituídos em todo o Estado. Temos várias lideranças nos interiores.