Publicidade
Manaus
Manaus

Deputados antecipam campanha eleitoral na ALE-AM

Um dia depois do prefeito Amazonino Mendes ter revidado, na CMM, declarações dadas pelo senador Eduardo Braga, por conta dos problemas de abastecimento de água em Manaus, deputados estaduais usam sessão plenária para discutir tema 08/02/2012 às 07:04
Show 1
Tribuna da ALE-AM virou palco de discursos contra o atual sistema de fornecimento de água à população de Manaus
KLEITON RENZO Manaus

A troca de farpas envolvendo o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), e o senador Eduardo Braga (PMDB), sobre o Programa Água para Manaus (Proama), incendiou os debates na Assembléia Legislativa do Estado (ALE-AM) nessa terça-feira (7), e deu impulso ao embate político pelo comando da Prefeitura de Manaus nas eleições de outubro.

Na última segunda-feira (6), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), Amazonino tachou Braga de “picareta” depois que o senador entrou com uma representação contra a prefeitura e a empresa Águas do Amazonas.

O debate na ALE-AM foi aberto pelo deputado José Ricardo (PT), que defendeu a criação de uma Comissão Especial para tratar o assunto dentro da Assembleia, e criticou a postura de Amazonino e Braga, ao afirmar que “o mesmo grupo político há 28 anos governa o Amazonas e ajudou a criar essa situação”. José Ricardo rebateu a informação de que o Proama está pronto para uso, como afirmam os deputados aliados ao senador Braga.

 “Essa obra não foi concluída, e nem tem data definitiva para ser. Uma completa falta de respeito com o povo”, disse o petista, que é cogitado para vice na chapa do deputado federal Francisco Praciano (PT). O deputado Chico Preto (PSD) pediu que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), deputado Marcos Rotta (PMDB), dê prosseguimento a uma ação judicial contra a prefeitura de Manaus e a Águas do Amazonas para que cumpram um Termo de Compromisso assinado em 2008 e integrem o Proama à rede de distribuição.

“A Águas do Amazonas move-se nos bastidores para impedir que o programa seja implementado”, disse Chico Preto. Ele e Marcos Rotta, se articulam, em seus partidos, para concorrer à prefeitura. Rotta disse que vai aguardar mais uma semana pela resposta do Ministério Público Estadual (MPE) para, então, se for o caso, ajuizar uma ação contra a prefeitura e a concessionária.

O deputado Sidney leite (DEM) disse que um dos calos do sistema está na ausência dos ‘grandes clientes’ na folha de pagamento. Leite apontou os condomínios, shoppings, universidades e indústrias, que possuem poços artesianos, prejudicando o balanço financeiro da concessionária. “A solução”, disse, “é rescisão imediata do contrato de concessão com a Águas do Amazonas”.

O deputado Belarmino Lins (PMDB) usou a tribuna para dizer que não acredita que o prefeito Amazonino tenha feito as declarações, em que chamava Braga de ‘picareta’. “Ocorreu algum equívoco”, disse. Todos os envolvidos nas discussões sobre o problema do abastecimento de água em Manaus, nessa terça-feira, na ALE-AM, são ou apóiam pré-candidatos à prefeitura da cidade.

Ricardo Nicolau (PSD) Presidente Assembleia Legislativa do Amazonas

 “A Prefeitura Municipal de Manaus poderia fazer um acordo com a Águas do Amazonas, já que essa é a empresa concessionária do serviço. E se a empresa não tem competência para assumir esse serviço, a prefeitura executaria o serviço. Ou ainda, faria um acordo com o Governo do Estado para conceder a este o serviço de abastecimento. Aqui é uma Casa política, e o parlamento é o termômetro do momento e da sociedade. Então fatos políticos e eleitorais, naturalmente acabam sendo discutidos na Assembleia, mas o nosso propósito não é que as questões não sejam debatidas. O que nós vamos procurar é que não ocorram prejuízos no trabalho legislativo. Eu acho que é natural do processo político, porém, nós vamos criar os dias prioritários de deliberação e nesses dias vamos fazer o maior número de projetos possíveis”, disse o presidente da ALE-AM, sobre o uso do Pequeno e do Grande Expediente, para a discussão do Proama.

Ramos defende gestão de Serafim

Cotado como candidato a vice-prefeito de Manaus na chapa do ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB), o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) defendeu a posição do ex-prefeito em repactuar em 2007 o contrato com a empresa Águas do Amazonas, e ainda aproveitou para alfinetar os 'botos' que comandam o Estado há 30 anos.

“As discussões entre eles (Braga e Amazonino) são boas, porque deixam cair as máscaras que cada um usa e permite à sociedade reconhecer que eles são os responsáveis por todas essas mazelas”, disse. Ramos disse que Amazonino se trai ao dizer que há 30 anos não havia miseráveis no Amazonas.

“Réu confesso. De 30 anos pra cá só foram governadores, o Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Se alguém é responsável por 680 mil miseráveis, são eles. Eles governam o Amazonas”, disparou o parlamentar.

Quanto às críticas contra o PSB pela renovação do contrato com a Águas do Amazonas, feita na gestão Serafim, Ramos afirmou: “Foi uma decisão política. Necessária. Assim como a decisão pelo Proama de aplicar R$ 368 milhões em uma obra que até hoje não fez pingar uma gota de água”.

Vereador petista pede criação de CPI

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), a polêmica sobre o abastecimento de água foi discutido nessa terça-feira, pelo vereador Waldemir José (PT), que prometeu, até a próxima semana, protocolizar requerimento junto à Mesa Diretora para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra a Águas do Amazonas, a Prefeitura de Manaus e o Governo do Estado.

De acordo com o petista, a intenção da CPI é questionar dois pontos: primeiro, o que a Águas do Amazonas está fazendo para manter as caixas d’águas (patrimônio público), recebidas na concessão; e segundo, o que de fato foi feito com o dinheiro da privatização da Cosama, e valores investidos no Proama.

“O que percebemos é que o patrimônio público está se depreciando, sem que ocorra manutenção da concessionária. E também, queremos saber é a quantia exata de dinheiro que não reflete a melhoria do sistema à população”, disse. Waldemir, que apóia a candidatura do deputado federal Francisco Praciano (PT) à prefeitura de Manaus, disse que espera a adesão dos demais vereadores à proposta.

“A CPI é uma política de minoria. Não precisa dos 38. Basta ter um objeto, e nós temos, e o apoio de pelo menos 13 vereadores”.