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Deputados esvaziaram reunião na ALE-AM nessa quarta (18)

Governistas somem de sessão plenária no dia em que o presidente da Casa apresentaria pedido de revisão da Constituição 19/04/2012 às 07:52
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Sessão da ALE-AM começou com nove deputados estaduais e finalizou com oito, mas painel registrava 21 presenças
KLEITON RENZO Manaus

Um dia depois da reunião em que o governador Omar Aziz censurou a postura dos deputados de sua base, o plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas estava esvaziado e um dos principais pontos da discórdia entre os parlamentares governistas, a proposta de revisão da Constituição, foi adiada.

Apesar de o painel eletrônico registrar a ausência de apenas três deputados: Wilson Lisboa (PSB), Francisco Souza (PSC), Luiz Castro (PPS) e Josué Neto (PSD), somente oito parlamentares estavam presentes e ficaram até o final da reunião.

O esvaziamento, recorrente em anos eleitorais, é conhecido como 'recesso branco'. Os parlamentares se ausentam dos trabalhos na Casa para as articulações eleitorais. No caso em questão, o sumiço dos deputados pode ter relação com o pedido de criação de uma comissão para revisar o texto da Constituição do Estado.

Esse teria sido um dos pontos da conversa dos deputados com o governador. Omar teria aconselhado Ricardo Nicolau a desistir da ideia, que não foi bem digerida pelos demais deputados, que viram na medida, mais uma ação tomada de cima para baixo pelo presidente da ALE-AM. A iniciativa também foi interpretada como uma estratégia para o presidente emplacar a possibilidade de reeleição.

Questionado sobre a ausência dos membros da Casa, Ricardo Nicolau minimizou a situação e disse o seguinte: “Não é (recesso branco). O que acontece é que os parlamentares não estão no plenário, mas estão nos gabinetes ou em outras funções. Hoje (ontem), não era um dia em que haveria previsão de deliberações de projetos. Todos os projetos aptos a votar foram votados e nós estamos com a pauta zerada”.

O líder da maioria na ALE-AM, Chico Preto (PSD), e Marcos Rotta (PMDB), adversário de Nicolau na briga pela Presidência, negaram ontem que a conversa do dia anterior com o governador Omar Aziz tenha sido para acabar com os atritos dos deputados na Assembleia e afinar o discurso das bases dos parlamentares no interior, com vistas às eleições municipais.

Apesar de negarem, o comportamento dos parlamentares mudou. Ontem, não houve atrito entre deputados do PMDB e do PSD. “Isso (atrito dos deputados) não é matéria que o governador trata. Nós tratamos apenas de assuntos do Estado. O governador tem sido muito democrático com relação à Assembleia. Tem respeitado a Assembleia e não tem falado das (nossas) questões internas”, afirmou Ricardo Nicolau.

Outro que escolheu as palavras foi Marcos Rotta. Disse que as conversas também não enveredaram pelas picuinhas dos parlamentares. “Claro que o interesse do governador é que a bancada esteja unida na questão das deliberações, defesa e aprovação dos projetos. Mas eu não vejo essa rusga (PMDB e PSD) tão intensa. Eu vejo apenas discordâncias pontuais. Ele (Omar) sabe que aqui existem pessoas conscientes de seu papel”, afirmou Rotta.

Nicolau adia pedido de revisão

Ficou para hoje a apresentação do pedido criação da comissão de revisão da Constituição do Estado, proposta pelo presidente da Assembleia Legislativa (ALE-AM), Ricardo Nicolau (PSD).

Apesar de declarações contrárias à matéria, o presidente conseguiu 14 assinaturas de apoio à comissão: Marcos Rotta (PMDB), Josué Neto (PSD), David Almeida (PSD), Wanderley Dallas (PMDB), Chico Preto (PSD), Arthur Bisneto (PSDB), Fausto Souza (PSD), Tony Medeiros (PSL), Cabo Maciel (PR), Orlando Cidade (PTN), Conceição Sampaio (PP), Abdala Fraxe (PTN) e Adjuto Afonso (PP).

Na semana passada, o deputado Vicente Lopes foi um dos criticaram a iniciativa. Disse que Nicolau quer mudar a Constituição para permitir à reeleição para presidência da Casa. Nicolau negou que o governador Omar Aziz (PSD) tenha se posicionado contra a revisão. “Ele não tocou nessa questão. A revisão é uma questão técnica”, afirmou.