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Descaso da população contribui para proliferação dos focos do mosquito Aedes aegypti

Levantamento aponta que moradores dos bairros com maiores índices de criadouros do Aedes são os que mais são contaminados com o vírus da dengue 20/01/2016 às 15:28
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O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) explicou que todos os bairros da capital têm a presença do Aedes aegypti
Luana Carvalho Manaus (AM)

Na rua Padre Francisco, no bairro Coroado, Zona Leste, pelo menos três pessoas estão com suspeita de dengue. Um caso já foi confirmado e os outros dois aguardam diagnóstico.

Segundo os moradores, o problema poderia ter sido evitado. Isto porque, há quase um mês, eles denunciam uma caminhão parado que, além de acumular água, também está servindo de lixeira viciada. 

O último Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) confirma que moradores dos bairros com maiores índices de criadouros do Aedes são os que mais sofrem contaminação com o vírus da dengue.

O Coroado, por exemplo, está incluso na lista dos bairros de alto risco. No ranking de casos de dengue notificados em 2015, o bairro ocupa a terceira posição, com 151 casos, sendo que, deste total, 64 foram confirmados. 

“Este caminhão está parado desde o mês passado. Além dos entulhos que alguns moradores estão aproveitando para jogar, como sofá velho, caixa de isopor e até aparelhos de televisão, quando chove a água se acumula e é possível ver as larvas dos mosquitos”, relata o administrador Gilberto Ribeiro, 53, cuja esposa foi diagnosticada com dengue e a filha está com suspeita da doença. Somente nesta terça-feira (19), após a denúncia à reportagem, fiscais foram à rua Padre Francisco, no Coroado, e autuaram o responsável pelo caminhão.

Alerta geral

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, explica que todos os bairros da capital têm a presença do Aedes aegypti, mas os moradores das áreas com maior densidade vetorial são os mais vulneráveis às doenças transmitidas pelo mosquito. Porém, ele alerta para o perigo.  

“Apesar do raio de voo do Aedes ser em torno de 300 metros,  isso não impede o mosquito de pousar e voar de novo, a cada 300 metros. A gente sempre alerta também para essa questão das construções verticais. Não é porque eu moro no 8º andar que o mosquito não vai me alcançar. É preciso que todos fiquem em alerta contra o mosquito”, ressalta.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa),  Manaus permanece em médio risco para doenças transmitidas pelo mosquito. Indicadores apontam que o município possui 22 bairros em alto risco, 29 em médio risco e 12 em baixo risco, sendo eles a Ponta Negra, Lago Azul, São Jorge, Glória e Presidente Vargas, na Zona Oeste, e Distrito Industrial 1e 2, Puraquequara, Colônia Antônio Aleixo, Mauazinho, Santa Luzia e Vila Buriti, no extremo Leste.   

Depósitos de água e lixo são maioria

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), os locais que mais contribuem para a proliferação do mosquito em Manaus são os depósitos de água para consumo em nível de solo, como tambores, tonéis ou camburões, barril, seguido de lixo acumulado nos quintais. 

Ainda segundo a pasta, em 90 dias de desenvolvimento das ações de combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti, a Vigilância Sanitária (Visa) Manaus inspecionou 89 locais e autuou 70 estabelecimentos comerciais, entre borracharias, sucatas e ferro velho, localizadas nas quatro principais zonas da cidade.

“As multas ocorreram após a constatação feita pelos agentes de endemias que, depois de vistoriar os possíveis focos do mosquito denunciados pela população, e dado o prazo limite de 15 dias, voltaram aos locais e constataram a permanência dos criadouros e larvas do Aedes aegypt”, disse o diretor da Visa Manaus, Marco Fabris, que informou também que a menor multa aplicada foi de R$ 837,00 e, a maior, no valor de R$ 8.461,00.