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Manaus
PREOCUPAÇÃO

Deslizamento encobre nascente e moradores da área denunciam riscos na Zona Leste

População do conjunto Jardim Mauá afirma que área sofre com constantes deslizamentos de terra há dois anos. Prefeitura afirma que obra é "complexa" e não tem prazo de conclusão 20/03/2018 às 07:36
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Deslizamentos de barrancos ameaça igarapés no Jardim Mauá, na Zona Leste (Foto: Antônio Lima)
Danilo Alves Manaus (AM)

Moradores do conjunto Jardim Mauá denunciaram que a nascente de um dos igarapés que corta a área, situada no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus, desapareceu depois dos constantes deslizamentos de terra que ocorreram na área nos últimos dois anos.

A situação piorou, conforme a cozinheira Elza de Almeida, 45, após o temporal que atingiu a capital na última sexta-feira (16), e soterrou boa parte da vegetação, além de ter atingido uma casa na rua 13. Morando há 19 anos no bairro, ela explicou que devido à expansão urbana, os problemas começaram se agravar.

“Em fevereiro de 2016, duas casas da rua 13 desabaram. Ano passado, outra também despencou do barranco. Todas essas estruturas e sedimentos não foram totalmente retirados. Além disso, todo o barro que escorre com as chuvas, só provoca ainda mais danos à nascente”, disse ela.

Ainda de acordo com a cozinheira, ela já visitou pessoalmente o local onde moradores chamam de olho d’água. “É uma área de difícil acesso, mas era bonito de ver. Ultimamente não tivemos como ir, devido aos riscos com a infraestrutura”, afirmou a cozinheira.

A vista da casa do comerciante César Goés, 33, na avenida Solimões, do Jardim Mauá, fica em frente a um barranco de 30 metros. Embaixo, a área de vegetação onde a nascente se “esconde” e, ao redor, um corredor verde. “Em época de cheia, a área toda é tomada por água, por isso ninguém percebeu que por lá havia uma nascente. Eu acredito que o poder público deva realizar um estudo no local, já que com a natureza ninguém mexe”, afirmou.

Medo de desabamento

Já o aposentado Roselindo Praia, 76, veio de Parintins (distante 369 quilômetros da capital em linha reta), para morar com a filha. Desde que se mudou, ele teme que a casa onde mora seja engolida pela vala. Ele explicou que todas as ruas são intercaladas por barrancos gigantes.

“Nós chamamos de vala, pois tudo está escoando para o rio. A prefeitura não percebe agora, mas depois que houver um impacto ambiental irreversível aqui, eles vão querer chegar com projetos inovadores. Eu vou me planejar para voltar para Parintins e ainda levo minha filha junto comigo”, desabafou.

Risco alto

O bairro do Mauazinho foi considerado pela Defesa Civil do Município como um dos bairros com mais áreas de risco. Em 2017, o levantamento identificou mais de 800 moradias vulneráveis em áreas de risco geológico muito alto. Quase 40% dessas áreas estão na Zona Leste.

Seminf diz que obra é complexa

Após uma obra emergencial de escoamento da rua 13, no conjunto Jardim Mauá, ter sido destruída pela tempestade que atingiu Manaus na semana passada, o trabalho para a reconstrução da rede de drenagem reiniciou esta semana. Conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), a obra prevê a instalação de 300 metros de tubulação, que serão instalados ao longo do trecho da rua 13 e interliga outras áreas do conjunto para escoamento da água.


Secretaria Municipal de Infraestrutura iniciou obra para evitar acidentes. Foto: Antônio Lima

A obra de drenagem profunda irá aterrar o local de forma que outros problemas sejam evitados no futuro. O responsável pela obra, que não quis ter o nome revelado, disse que a construção não tem prazo para finalizar devido a complexidade da obra.

A dona de casa Sheila Viana, 51, disse que aguarda melhoras. “Eles disseram que vão aterrar plantas, árvores, e quem sabe uma praça seja construída. Vamos só aguardar a próxima chuva”, comentou.

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