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Detentos são flagrados em piscina da cadeia pública em Manaus

Assim como no Puraquequara, detentos da cadeia  têm direito a futebol e um alegre banho piscina 02/04/2012 às 20:44
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Piscina entrou na cadeia pelas mãos de um pastor evangélico, desconfia a Sejus
Thiago Monteiro Manaus

Festas, churrascos e dias de lazer não são exclusividade da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), Zona Leste de Manaus. Desta vez cinco internos da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa foram flagrados brincando e tomando banho numa piscina de plástico instalada ao lado do campo de futebol da unidade.

Segundo uma fonte, que pediu para não ser identificada, a “festinha particular” aconteceu no ano passado dentro unidade prisional e mostra os presos brincando em uma luta corporal dentro da piscina.

De acordo com o secretário executivo-adjunto da Secretaria Estadual de Justiça do Amazonas (Sejus), coronel Bernardo Encarnação, o material ainda vai ser analisado e só depois ele falará sobre essa situação.

“Vamos investigar para saber o que aconteceu na Raimundo Vidal, saber quais foram as circunstâncias que isso aconteceu e a Sejus vai apurar para ver quem é o responsável por isto”, disse.

Segundo ele, o atual diretor da Raimundo Vidal Pessoa, é Jean Carlo Silva de Oliveira. A suspeita inicial do diretor é que essa piscina possa ter entrado na unidade prisional através do pastor Razk de Paulo Farias que fizeram um batismo nos presidiários no último dia 25 de outubro de 2011, que tinha autorização da Sejus em ofício.

“Informações do pastor foram que a piscina ficou montada um dia antes e os presidiários possam ter usado no banho de sol”, disse o secretário executivo.

O presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Amazonas (Sinspeam), Antônio Jorge de Albuquerque, explica que normalmente esses objetos passam nas vistorias dos policiais militares e agentes penitenciários tercerizados ou do Estado.

Com a ajuda deles o material entrou na Raimundo Vidal.  “Nessa situação como entraram com esses materiais esses presidiários podem usar em uma possível rebelião as barras de ferros como objeto de luta contra os agentes penitenciários ou contra eles mesmo”, destacou o sindicalista.

Similaridade
Em menos de uma semana um problema semelhante foi apontado na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Fotografias de detentos foram postadas por um deles na rede Facebook e mostravam criminosos fazendo festa na cadeia, com direito a cerveja e churrasco. A denúncia anônima expôs a vulnerabilidade do sistema de segurança.

Na semana passada, o promotor de Justiça  André Seffair afirmou que essas e outras condutas ilegais que acontecem dentro dos presídios do Amazonas estão sendo investigados por um grupo formado por outros três promotores de Justiça.

As investigações, conforme Seffair, avaliam todo o esquema ilegal que ocorre dentro dos presídios: “O esquema é muito maior e muito mais forte do que se imagina. É muito simplório  exonerar o diretor do presídio, por exemplo. No entanto sabemos que ele não é o único responsável. Sabemos que há cobrança de propina dos agentes carcerários, por exemplo, mas isso não está sendo comentado”, afirma.