Publicidade
Manaus
Cotidiano, Motim, Rebelião, CDP, Ipat, UPP, Sejus, Rocam, Batalhão de Choque

Detentos se rebelam contra transferência em presídio do Amazonas

Uma revista realizada nesta manhã nas dependênsicas do CDP, fez com que um grupo de 13 internos realizassem um tumulto no local, sendo transferidos para o Ipat, onde se recusaram a permanecer e também foram hostilizados pelos presos que se encontravam na triagem 19/11/2012 às 18:33
Show 1
Grupo de 13 presos foi escoltado até a UPP, por viaturas da Rocam
Síntia Maciel Manaus

A transferência de um grupo de 13 internos do Centro de Detenção Provisória (CDP) na manhã desta segunda-feira (19), para o Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) ambos localizados no quilômetro 8, da BR-174 (Manaus - Boa Vista), resultou em uma rebelião entre o grupo que estava sendo transferido e detentos que se encontravam na triagem do Ipat.

Durante a movimentação, um dos detentos da triagem foi enrolado em um colchão e mantido como refém. Vários colchões foram queimados, o que fez com que equipes do Corpo de Bombeiros fossem deslocadas até o local.

A confusão que teve início às 12h terminou por volta das 15h, após os 13 internos do CDP serem transferidos para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), localizado no bairro Puraquequara, na Zona Leste de Manaus, sob um forte esquema de segurança.

A transferência dos 13 internos do CDP para o Ipat, se deu na manhã desta segunda-feira, quando uma revista foi realizada no local, por homens das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). O grupo promoveu um tumulto durante a vistoria nas celas, o que fez com que eles fossem transferidos para o Ipat, localizado a 500 metros do CDP.

Na ocasião foram encontrados seis celulares e 32 estoques (arma branca de fabricação artesanal).

De acordo com o comandante da Tropa de Choque, Antônio Escóssio mais de 30 presos – do Ipat e do CDP – estiveram envolvidos na confusão, que foi controlada após negociações.

As instalações das celas do Ipat - mais seguras e com chapas de aço-, teriam sido um dos motivos para que o grupo se negasse a permanecer na referida unidade prisional. Na UPP, para onde o grupo foi levado, as celas são abertas.

“Há uma rivalidade entre alguns dos presos”, informou o secretário executivo da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), coronel Bernardo Encarnação.

Ainda de acordo com ele, mesmo com a UPP – onde estão 850 internos -, acima da capacidade será possível monitorar os detentos antigos e o grupo recém-chegado.

Os responsáveis pela rebelião no Ipat, segundo Encarnação, serão identificados, submetidos a procedimento disciplinar – como a suspensão temporária de visitas -, além de autuados por dano ao patrimônio público.  

Familiares
Em meio à entrada e saída de viaturas, familiares de presos do Ipat chegavam ao local em busca de informações sobre a rebelião e se o detento havia sido transferido para a UPP.

É o caso da dona de casa AB, 24, cujo marido – que ela preferiu não informar o nome -, se encontrava na triagem do Ipat. Há menos de uma semana ele foi preso por tráfico de drogas.

Não muito diferente do caso de AB, era o do mototaxista André Souza, 28, cujo irmão – que ele identificou apenas como Marcelo, 21 - foi encaminhado para o CDP há uma semana.

“Ouvi a notícia da rebelião pelo rádio e resolvi vir aqui para saber o que estava ocorrendo. Minha mãe e irmãs nem imaginam o que está acontecendo aqui”, desabafa.

TCO
Antes de serem encaminhados para a UPP, os presidiários André Luiz Ribeiro da Silva, 22; Andrey da Silva Leocádio, 18; Emanoel da Silva de Melo, 21; Francimar Lucas Morais, 19; Harlen Erik de Souza Neres, 19; e Ronei Reis da Silva, 21, foram conduzidos por policiais da Rocam até o 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte de Manaus, para o registro de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), por tentarem impedir a realização da vistoria em suas celas.

CDP
No último sábado (18), detentos do CDP (CDP), há 500 metros do Ipat, também se rebelaram.

O motim ocorreu devido à rivalidades entre detentos da unidade. Sete pessoas foram feitas reféns, entre elas um advogado, cinco agentes carcerários e um enfermeiro. Ao fim, 27 presos foram transferidos para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), localizada no bairro Puraquequara, na Zona Leste de Manaus.