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Manaus
CELEBRAÇÃO

Devotos de São Jorge contam suas histórias de fé e celebram o santo guerreiro

Fiéis tatuam na pele a imagem do santo e há quem desde os cinco anos de idade se fantasia de São Jorge para homenageá-lo 23/04/2018 às 21:18 - Atualizado em 24/04/2018 às 09:53
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Fotos: Antonio Lima
Vitor Gavirati Manaus (AM)

Fé. Simplesmente, fé. É o que levou Wilsinho de Cima, 47, o intérprete oficial da escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida, a “fechar as costas” com a tatuagem do santo de devoção. É o que faz Alício Neto, 16, uma vez por ano, vestir os trajes característicos daquele a quem sua vida foi entregue e sair pelas ruas de Manaus: São Jorge.

Nesta segunda-feira, dia 23 de abril, a igreja católica celebra o dia de São Jorge. Em Manaus, a data foi celebrada com programação especial na Paróquia do bairro que leva o nome do santo guerreiro, na Zona Oeste de Manaus. Onde a reportagem encontrou Wilsinho e Alício, em meio aos oito mil devotos (conforme a Polícia Militar), que saíram às ruas do bairro São Jorge, mesmo com a chuva, em procissão para mostrar sua fé.

“A minha história com São Jorge é muito grande. Eu estava, na época, desempregado. Com 15 anos de idade, eu estava correndo atrás de emprego, e uma senhora me deu um ‘santinho’ de São Jorge e eu coloquei no bolso. Só que não dei importância para aquilo. Duas semanas depois, eu já tinha lavado a calça e tudo, eu fui ver e o santinho tava intacto. Eu fiquei emocionado com aquilo e me apeguei a ele”, conta Wilsinho.

Todos os anos o sambista participa da tradicional procissão. O santo, que também é o da devoção do Papa Francisco, é a quem Wilsinho atribui as graças que alcança. Devoção que ele sente na pele, que arrepia quando ele fala da fé; que suportou a dor para estampar a imagem de São Jorge.

“É muita coisa. É tanta coisa boa na minha vida, minha família, sem problemas de doença”, responde Wilsinho, questionado sobre as graças alcançadas. “Foram três sessões”, conta ao falar a história da tatuagem.

“Na verdade, eu era doido para fazer uma tatuagem, mas no braço. Eu fui ao meu tatuador, tinha a imagem pequenininha. Ele grudou no canto das minhas costas, virou para mim e falou: ‘Wilsinho, borá fechar tuas costas?’. Eu falei: ‘Sério?’ e ele ‘Sério’. Então eu disse ‘Bora, taca fogo’”, brinca o intérprete. A tatuagem de Wilsinho foi feita em 2016.

Amor ao santo

Desde quando tinha cinco anos de idade, em 2007, outro fiel começou a escancarar a devoção da mãe, que também viria a ser sua anos depois. Foi quando Alício começou a se vestir de São Jorge para participar da procissão de São Jorge em Manaus.

“Eu nasci com problemas respiratórios, peguei uma pneumonia quando era pequeno e quase vim a óbito. No caso, minha mãe veio aqui na igreja, com fé, buscando São Jorge, ela entregou minha vida e disse que se eu sobrevivesse, como estou aqui, ela iria vir comigo. É gratificante me caracterizar, todo ano, desde pequeno, e representar São Jorge”, conta o adolescente, que tem resposta pronta para aqueles que questionam a promessa.

“Para mim é muito gratificante porque eu devo minha vida a São Jorge. As pessoas me perguntam, me criticam porque eu venho assim, mas eu não ligo. Eu tenho fé, eu acredito no meu São Jorge e ninguém muda isso”, ressalta.

Com o passar do tempo, Alício faz os ajustes necessários nos trajes que usa para poder vestir a armadura. A única coisa que muda na vida do fiel ao longo dos anos, já que a fé no santo permanece a mesma. Fé. Simplesmente, fé.

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