Publicidade
Manaus
Manaus

Dia Mundial da Água: Mais de 300 mil famílias ficam na ‘seca’ em Manaus

Devido a rompimentos de adutoras e torneiras sem de água, moradores da cidade não têm muito o que comemorar na data designada pela (ONU), como Dia da Água 22/03/2013 às 10:10
Show 1
O quarto rompimento de adutora só este ano, desta vez no bairro São Jorge, alagou ruas e casas e deve deixar mais de 300 mil pessoas sem água, da Zona Oeste à Leste
Ana Celia Ossame ---

De um lado, empresas traçando metas de redução do uso da água, seminários e palestras de educação ambiental e ações de limpeza de igarapés. De outro, mais um rompimento de adutora de água, levando transtornos a mais de 300 mil famílias e causando o desperdício de um bem fundamental que ainda é um “luxo” para mais de 400 mil pessoas, não atendidas pela rede de abastecimento de água em Manaus. 

Tudo isso em uma cidade que abriga mais de 1,8 milhão de habitantes, na maior reserva de água doce do planeta e na véspera do Dia Mundial da Água, celebrado nesta sexta-feira (22). A data foi designada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu 2013 como o “Ano Internacional de Cooperação pela Água”.  

Mas, segundo a Manaus Ambiental, mais de 300 mil famílias, do Alvorada, Zona Centro-Oeste, até à Cidade de Deus, Zona Norte, ficaram sem água e devem permanecer assim parte do dia desta sexta-feira, após os reparos, que entraram pela madrugada.

O rompimento da adutora de 1.000 milímetros, que leva água da Ponta do Ismael para a Zona Norte, aconteceu por volta das 15h, na estrada da Ponta Negra, em frente à Transportadora Jorpam. A água derrubou o muro da empresa, levando móveis e objetos para a garagem da casa de show Porão do Alemão, ao lado. William Lauschner, dono da casa de show, lamentou o ocorrido e suspendeu o funcionamento do local nesta quinta-feira, enquanto o sócio da Jorpam, Rocklane Júnior, disse que precisará fazer um levantamento do prejuízo. Como aquela via é de grande movimento, a interdição causou engarrafamento.

Alerta

Especialistas vêm fazendo alertas para a má gestão dos recursos hídricos, que não vem apenas dos gestores públicos e da população em geral. Em Manaus, a preocupação vai além do desperdício das ligações clandestinas, que desviam mais de 100 bilhões de litros de água por ano, e da poluição dos igarapés, de onde a prefeitura retira 700 toneladas de lixo por mês. Os riscos de vazamentos nas adutoras também revelam, mais que um “paiol” de problemas, um grande desperdício.  

A justificativa para este, que foi o quarto rompimento de adutora nos últimos meses,  foi a oscilação de energia elétrica, causadora de ondas de água dentro de uma adutora com mais de 30 anos de uso, segundo o diretor técnico da Manaus Ambiental, Arlindo Sales, que foi ao local e prometeu agilizar os serviços para até a madrugada de hoje fazer o reparo. Mas o vice-prefeito, Hissa Abrahão, garantiu que não aceitará a “desculpa”.

Ao cobrar um programa de prevenção de acidentes, ele anunciou a suspensão do contrato do Programa de Águas para Manaus (Proama), que estaria a cargo da Manaus Ambiental. Segundo ele, “se a empresa não consegue dar conta do que tem, não vai conseguir empreender as ações do Proama”.

Enxurrada surpreende moradores

“Estou tremendo até agora”. Assim, o aposentado Armando Tavares de Souza, 64, relatou o momento de ver a casa dele, na rua Agostinho Pereira, no bairro de São Jorge, invadida por torrentes de água e lama, vindas da adutora rompida na pista principal. “Não conseguia acreditar, causou até rachaduras na parede”, afirmou ele.

Morador há 17 anos da rua, Armando mostrou a casa com todos os compartimentos alagados por água e barro. Houve perda de sofá, camas e roupas que estavam em cestos, além de outros móveis. O que o confortava era a promessa, feita pelo vice-prefeito, Hissa Abrahão, de que todos os prejuízos seriam calculados e pagos pela empresa. Na verdade, segundo ele, todo e qualquer valor pago será pouco pelo susto levado por ver a própria casa, um lugar seguro, tomada por lama. “Não dá para esquecer”, finalizou.