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Manaus
ESQUEMA

Diretor do Compaj é afastado após carta denunciar esquema de corrupção com FDN

José Carvalho da Silva foi denunciado de receber dinheiro da facção para facilitar fugas, entrada de ilícitos e mortes no presídio 10/01/2017 às 15:37 - Atualizado em 10/01/2017 às 16:57
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(Foto: Winnetou Almeida)
Vinicius Leal Manaus (AM)

O diretor interino do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, José Carvalho da Silva, foi afastado do cargo após ter sido denunciado de participar de um esquema de corrupção no presídio, onde receberia dinheiro da facção criminosa Família do Norte (FDN) para facilitar a entrada de armas, drogas e celulares no presídio e também permitir fugas e mortes. A denúncia foi divulgada hoje pela edição impressa do Jornal A Crítica e pelo Portal A Crítica.

O afastamento do diretor foi confirmado pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Em nota, a Seap declarou que foi aberta uma sindicância para averiguar o suposto envolvimento do diretor nas denúncias. Segundo a Seap, o diretor ocupava desde julho de 2016 o cargo de diretor adjunto do Compaj e, depois, assumiu como interino com a saída do diretor Ilson Vieira Ruiz, no dia 28 de dezembro.

Entenda o caso

A acusação de corrupção envolvendo José Carvalho da Silva estava em uma carta escrita a punho no dia 10 de dezembro de 2016 – 20 dias antes do massacre de 56 internos no Compaj. A carta foi assinada por dois detentos – Alcinei Gomes da Silveira e Gezildo Nunes da Silva – que foram assassinados na chacina do dia 1º de janeiro de 2017. O documento foi enviado pela 2ª Defensoria Pública Especializada em Execução Penal para conhecimento do Tribunal de Justiça do Amazonas no dia 14 de dezembro, duas semanas antes das mortes, e anexado em um processo que tramita na Vara de Execuções Penais (VEP) de Manaus.

No escrito, os detentos afirmam, em relatos diferentes, que eram ameaçados de morte, e que mesmo com autorização da Justiça de permanecerem em área segura do regime fechado – sob medida cautelar de segurança, dois diretores do Compaj – incluindo José Carvalho da Silva – faziam ameaças de retirá-los da região segura e colocá-los em uma ala “de risco”, onde poderiam ser assassinados.

“Não temos convívio em nenhum lugar. Só temos convívio onde estamos. Porque por todos os cantos, nós já passamos e saímos entre a vida e a morte. O juiz determinou que permanecêssemos aqui como está”. “O subdiretor e GSI querem nos tirar da [...] sem motivos, só pelo fato de nós internos sabermos que eles são corruptos e recebem dinheiro da facção FDN, facilitando a entrada de armas, drogas e celulares, e facilitando a última fuga que teve no Compaj, onde fugiram 14 internos”.

Enviada ao TJ-AM

Após ser escrita, a carta foi entregue à companheira de um dos detentos que assinam o documento, no caso Gezildo, durante visita dela ao Compaj. A mulher, então, repassou o documento ao defensor público Arthur Sant’anna Ferreira Macedo, que fazia a defesa de Gezildo na Justiça. A partir daí, no dia 14 de dezembro de 2016, quatro dias após ser escrita, o defensor protocolou e anexou a carta ao processo de Gezildo no TJ-AM, de número 0229886-50.2015.8.04.0001, com destinação e para conhecimento do juiz Luis Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Penais (VEP).

Ao anexar as cartas ao processo, o defensor pede ao juiz Luis Carlos Valois que Gezildo fique preso no Centro de Detenção Provisória (CDP), “não podendo ser transferido para nenhuma outra unidade prisional sem que esteja em risco sua integridade física”. O defensor também pede para que fossem “apuradas e tomadas as devidas providências acerca das denúncias relatadas” na carta. Não há movimentação no processo após o pedido do defensor público, feito em 14 de dezembro. O judiciário entrou em recesso no dia 20 de dezembro, uma semana após o pedido.