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Diretor do DPTC rebate críticas: 'há deficiências mas também muitos projetos'

As reformas dos institutos que compõem o departamento contemplarão várias melhorias, segundo o diretor Mahatma Porto 15/07/2014 às 13:31
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O perito Mahatma Porto, que responde pelo DPTC
Lucas Jardim Manaus (AM)

Diante das recentes declarações do diretor da Associação Brasileira de Criminalística, Bruno Telles, acerca da situação da perícia no Estado do Amazonas, o diretor do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), o perito criminal Mahatma Porto, admitiu as deficiências da instituição, mas ressaltou o trabalho que vem sendo feito no sentido de contorná-las.

Segundo Mahatma, muitos dos problemas advêm do longo tempo em que o DPTC não viu grandes investimentos. “O prédio do Instituto de Crimalística [IC], por exemplo, é de antes de 1984. Antes disso, ele funcionava como delegacia. Desde que passou a sediar o IC, já se vão 30 anos sem qualquer tipo de reforma no edifício. Houve até uma pintura em 2008, mas nada substancial além disso”, ressaltou.

O diretor explicou que em 2012, começou-se a se falar em reforma e ampliação das dependências do DPTC e investimento nos profissionais que nele trabalham. “Para você ver, de lá para cá, dois anos se passaram, que foi o tempo para fazermos levantamentos e aprovarmos os projetos básicos. Há toda a legislação e todo um processo burocrático que temos que respeitar”, explicou.

IC

“O IC passou por uma minirreforma em abril, no entanto, ela era de caráter emergencial e foi feita de maneira superficial mesmo, para manter o maior número possível de atividades em funcionamento. A reforma definitiva, que envolverá a ampliação do prédio, já está com o projeto básico na Comissão Geral de Licitação para análise e o Governador José Melo já assinou a disposição de orçamento para ela na semana passada”, disse o perito.

Segundo ele, esse processo burocrático torna as coisas mais morosas mas não desanima a instituição. “O IC já dispõe de dez computadores novos de configuração básica e o DPTC prevê a compra de mais 16. Além desses, prevemos ainda a compra de 20 computadores de configuração avançada, para possibilitar uma maior gama de operações aos peritos”, enumerou Mahatma.

Cromatógrafo

Sobre os comentários de Bruno Telles, e dos peritos de maneira geral, sobre os equipamentos parados no IC, ele disse que a questão tem a ver com a estrutura do prédio. “Como falei e o próprio diretor [Bruno] comentou, há problemas estruturais no prédio do IC. A rede elétrica, por exemplo, é basicamente a mesma de 1984. O aparelho que, como foi ressaltado, é caro, não pode funcionar em condições assim”, explicou.

“Não é uma questão de reagente, falando especificamente do cromatógrafo. Eu não posso pedir que se compre reagente sem a devida instalação do aparelho, sem a adaptação do local para que ele opere, sem a familiarização dos peritos com o seu funcionamento. Porque se você perguntar dos peritos quais os reagentes que devem ser comprados para essa máquina, eles não vão saber. Nós mesmos ficamos sabendo semana passada e já pedimos que a licitação seja aberta”,  rebateu o diretor do DPTC.

Força Nacional

Além disso, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) tem disponibilizado cursos de aprimoramento para os peritos, segundo Mahatma. “Em parceria com a Senasp, disponibilizamos profissionais para que passassem um período com a Força Nacional, para capacitação”.

Mahatma explicou que ele, juntamente com os peritos Ladislau Brito, Lin Cha, Marilena Menezes e Susana Ilan, ficaram 15 dias com a Força Nacional em Brasília em setembro de 2012 e que depois foi, sozinho, para Alagoas, num programa que durou um ano. Atualmente, segundo ele, Ladislau se encontra em Alagoas pelo programa e Susana se encontra no Rio Grande do Norte.

Futuro

O futuro mais imediato prevê a finalização da obra de reforma do Instituto de Identificação (II), começada em maio e prevista para término em setembro. “A reforma vai incluir a instalação de um laboratório de papiloscopia, imprescindível para revelações de impressão digitais mais detalhadas”.

Nesse sentido, o perito acredita que o planejamento para o laboratório está bem avançado. “O Departamento de Orçamento e Finanças já deu o OK e já estamos fazendo estudos para determinar exatamente a dimensão da estrutura que necessitaremos”, revelou o diretor.

Perguntado sobre o futuro do cargo, vez que o perito Jefferson Mendes foi nomeado por decreto para ocupá-lo no início deste mês, o diretor da DPTC afirmou que não sabe como a situação vai ficar e está esperando o desenrolar dos fatos.

“Conversei com o Jefferson e perguntei a ele se ele sabia quando assumiria plenamente. Ele disse que não sabia e disse que continuasse o trabalho enquanto a situação não ficasse resolvida. De minha parte, eu só estou fazendo meu trabalho”, concluiu Mahatma.