Publicidade
Manaus
Manaus

Disputa eleitoral contamina vereadores na Câmara de Manaus

Partidários do ex-prefeito de Manaus Serafim  Corrêa e do deputado Francisco Praciano trocaram ofensas em sessão plenária 06/03/2012 às 07:22
Show 1
Vereador Waldemir José apoia candidatura do deputado Francisco Praciano
FABÍOLA PASCARELLI Manaus

A disputa pelos holofotes proporcionados pela questão do abastecimento de água em Manaus gerou conflito, desta vez, entre membros da oposição na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Os vereadores Joaquim Lucena (PSB) e Waldemir José (PT) se desentenderam durante a sessão plenária. Foi preciso o vice-presidente da Casa, Marcel Alexandre (PMDB), que presidia a reunião, interromper os trabalhos e retirar os dois parlamentares do plenário.

Na semana passada, vereadores da base aliada do prefeito Amazonino Mendes (PDT) já haviam ensaiado confronto com a oposição ao tacharem de “eleitoreira” a proposta de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Água. O requerimento foi protocolizado pelo vereador Waldemir José, na última segunda-feira (27).

A briga dessa segunda-feira (5) começou após pronunciamento de Joaquim Lucena, na tribuna, que reclamou do posicionamento do deputado federal Francisco Praciano (PT) em criticar a repactuação do contrato, feita em 2007, pelo ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB). Lucena foi secretário municipal  na gestão de Serafim (de 2005 a 2008), que é pré-candidato a prefeito nas eleições deste ano.

Mais cedo, Praciano e o deputado estadual José Ricardo Wendling, ambos do PT, estavam fazendo discurso, em cima de uma Kombi, na Avenida Constantino Nery, no Centro. Praciano tenta viabilizar sua  candidato à prefeitura de Manaus. Mas o PT ainda não decidiu se lançará candidato próprio ou se apoiará  candidatura de partido da base aliada.

Joaquim Lucena disse, ainda, que Praciano deveria se preocupar com o 'mensalão', como ficou conhecido o escândalo de cooptação da base governista no Congresso, no Governo Lula. “O PT tem cargos no governo e na prefeitura, portanto, não tem moral para criticar”, afirmou. “O Praciano quer se passar por paladino da justiça, usando o tema da água como palanque eleitoral”, disparou Luena.

O petista Waldemir José rebateu dizendo que Lucena estava ofendendo o partido ao qual ele pertence e estava baixando o debate para um nível “chulo”. Lucena  afirmou que a atitude do parlamentar era “coisa de moleque”.

O vereador Luiz Alberto Carijó (PDT) tentou apartar a briga, mas os dois só pararam de discutir quando o vice-presidente da Casa, Marcel Alexandre, suspendeu a sessão e retirou ambos do plenário. Depois, mais calmos, os dois descartaram a possibilidade de ‘racha’ no bloco da oposição

Procurado pela reportagem, Praciano disse que não iria comentar as declarações de Lucena. “Eu trato de fatos, e os fatos acontecem independente do posicionamento dele”, ressaltou.

Novo regulamento para comissão

O vereador Waldemir José (PT) afirmou que deve apresentar hoje projeto de resolução definindo a forma de composição e os prazos para emissão de parecer e instalação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) da Casa. Atualmente, o Regimento Interno não prevê essas diretrizes.

Na semana passada, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Isaac Tayah (PSD), disse que poderia aproveitar os membros da Comissão Especial da Água, criada em agosto do ano passado, para compor a CPI proposta pelo petista.

Pelo projeto, o maior bloco da Casa terá a preferência para escolher a presidência ou a relatoria. Se a escolha recair sobre a presidência, caberá ao segundo maior bloco ficar com a vice-presidência e ao autor da proposição, a relatoria.

Após a protocolização do requerimento de CPI, a Mesa Diretora deverá encaminhar a proposição à Procuradoria da Casa, que terá três reuniões ordinárias para emitir parecer e a Mesa Diretora terá mais três reuniões ordinárias para instalar a Comissão.

Nessa segunda, Waldemir, o deputado federal Francisco Praciano e o deputado estadual José Ricardo Wendling, todos do PT, estiveram na Arsam para pedir cópias de relatórios de investimento, metas contratuais e ajuste de tarifa.

 

 

Braga denuncia suposto esquema

No último fim de semana, o senador Eduardo Braga (PMDB), um dos nomes cotados  para disputar a eleição para prefeitura de Manaus, disparou sua artilharia contra  o prefeito Amazonino Mendes e o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), João Simões.

Contra Amazonino, Eduardo Braga denunciou que o prefeito pretende fazer uma manobra para tirar a concessão do serviço de água de Manaus da Água do Amazonas e passar uma empresa que pertence ao mesmo grupo empresarial da atual concessionária. 

Em relação a Simões, ao criticar a lentidão do tribunal em julgar representações propostas pelo Ministério Público contra a privatização da Cosama e os problema de fornecimento de água em Manaus, o senador chegou a enfatizar que partiu das mãos dele a nomeação do desembargador.

Nessa segunda, ao ser questionado sobre as cobranças de Eduardo Braga, João Simões, no lançamento das atividades da Escola de Magistratura, atenuou o fato. Disse que qualquer cidadão tem o direito de cobrar informações da Justiça. Uma das ações citadas por Braga está desde novembro de 2003 sem manifestação do Judiciário.