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Dobram as demissões no trimestre em empresas do PIM

Foram mais de 6 mil até março, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, que homologa apenas o desligamento de trabalhadores com um ano de carteira 12/04/2012 às 08:59
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O setor de Duas Rodas está entre os que mais demitem nas indústrias do PIM
Renata Magnenti Manaus (AM)

As demissões registradas no primeiro trimestre deste ano no Polo Industrial de Manaus (PIM) são duas vezes maiores que a registrada no mesmo período em 2011, segundo dados do Sindicato dos Metalúrgicos. A situação preocupa entidades de classes que têm pedido auxílio do Governo Estadual e Federal, mas, até agora, não obtiveram sucesso.

No primeiro trimestre deste ano, as fábricas do PIM demitiram 3.043. Este ano, as demissões já chegaram a 6.188. Nos dois anos, a Moto Honda liderou o ranking das fábricas que mais demitiram, porém, é a fábrica que mais demanda colaboradores. Além dela, aparecem nas duas listas das que mais demitiram a LG Eletronics e Ecoltec.

Nesta quarta-feira (11), somente a Sony homologou 30 desligamentos. Segundo as representes do RH da multinacional, o motivo é redução de quadro. A industriária Suzane Reis é uma das demitidas, e trabalhou na linha de produção das máquinas digitais da Sony por oito meses. O mesmo aconteceu com Erika Souza, que trabalhou por dois anos na empresa e ao retornar da licença a maternidade foi demitida.

Porém, nem todos os industriários inclusos no registro da CUT foram demitidos. É o caso de Gilmar Souza que trabalhou no período de um ano e oito meses na Samsung e pediu demissão. “Eu trabalhava no setor de qualidade, mas era um trabalho muito desgastante. Pedi para sair”. Como ele, a reportagem encontrou ontem mais de cinco trabalhadores que pediram para deixar o emprego.

Situação

O presidente da CUT-AM, Valdemir Santana, disse que desde setembro do ano passado vem batendo na tecla das demissões e o aumento é decorrente da importação de produtos chineses que vem quebrando, principalmente, as fábricas do polo de Duas Rodas e do segmento de arcondicionado do PIM. “O problema é que os empresários sabem que importar alguns itens chineses custa menos e acabam optando por este caminho”.

A discussão sobre a entrada dos chineses na disputa do mercado brasileiro tem sido alvo há algum tempo de discussões. Em dezembro do ano passado, o presidente Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, afirmou que era necessário que o Governo do Estado encontrasse uma maneira para “blindar” os empregos no PIM frente à entrada de produtos chineses.

Na semana passada, no lançamento da segunda etapa do projeto nacional Brasil Maior, Valdemir disse que questionou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, sobre quando viria ao Estado e se poderia contribuir para evitar mais demissões no PIM. “Mas ele não me disse nada”, informou Santana.