Publicidade
Manaus
TRANSPORTE

Plataforma de transporte Uber pode render até R$ 1.750 por semana em Manaus

Serviço de carona remunerada movimenta concessionárias, locadoras de carro e renda para autônomos durante a crise econômica no Brasil 31/10/2017 às 09:12
Show din
O motorista Angelo Cabral conta que para se dar bem no Uber precisa traçar metas e horários fixos. (Foto: Marcio Silva)
Rebeca Mota Manaus (AM)

O que era para ser um ganho a mais passou a ser a principal fonte de renda de muitos motoristas que perderam o emprego e encontraram na plataforma de transporte Uber o sustento da família. O serviço conquistou muitos usuários e já faz parte do cotidiano dos manauaras, movimentando inclusive a economia da cidade. Os ganhos atraem condutores e até profissionais de outras áreas, como funcionários públicos, dentistas e advogados.

A reportagem conversou com motoristas que utilizam a ferramenta, que chegou à capital amazonense no dia 12 de abril desse ano. Os rendimentos líquidos dos condutores, por semana, variam de R$ 800 a R$ 1.750, já descontada a porcentagem de 25% da receita total de renda com as viagens que fica com o Uber. 

O instrutor de paraquedismo, que pediu para não ser identificado, encontrou na plataforma uma alternativa para driblar a crise. Ele atua como motorista do Uber há quatro meses e que fatura por mês R$ 4 mil com 37 viagens mensais e uma meta pessoal por dia de R$ 250. 

“Há dois anos sofri um acidente, fraturei a coluna durante uma apresentação em São Paulo com paraquedas. Daí um amigo fez o convite para virar motorista do Uber. E hoje tenho mais de 1 mil corridas e aproximadamente 800 com cinco estrelas. Vale a pena, faturo aproximadamente R$ 4 mil por mês já tirando os custos com combustível e óleo”, diz.

Seu tempo de trabalho é de 9h às 12h, em seguida almoço. Depois das 14h30 às 17h. E por último das 20h a 1h. Marinho já deixou clientes em Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo.   

 Crescimento
Concessionárias e locadoras percebem o crescimento na procura por  veículos para Uber. É o caso da Braga Veículos que aumentou a venda de forma significativa. “Aumentou tanto nas vendas como no pós-vendas, o número de pessoas interessadas com a finalidade para ser Uber. A cada 10 que compram 5 dizem que vão virar Uber. A KL Rent a Car foi uma das locadoras que comprou de forma significativa conosco recentemente”, revela a coordenadora central de agendamento da Braga Veículos, Bruna Lopes.

Outra concessionária que aumentou 17% nas vendas de seminovos por conta do motoristas interessados em virar Uber foi a Renault em Manaus.  “Aqui nós sentimos muito a procura. De 17 carros vendidos 3 são para fins de Uber, isso representa um aumento de 17% nas vendas e ficamos muito felizes com isso”, revela o gerente de seminovos da Renalt, Alvanir Magalhães.

A secretária da Locadora MCM Rent a Car, Estefany Salan,  explica que 10 pessoas por dia estão buscando carros na locadora, mas que por enquanto a locadora não aluga carros para fins lucrativos, mas que estão em proposta para mudar. 

“São muitas pessoas interessadas, por conta disso, em breve vamos estar alugando para Uber”, adianta Salan.

Gastos 
Os gastos com combustível nem chegam aos pés do faturamento dos motoristas. Em Manaus, eles desembolsam de R$ 300 a R$ 350 por semana, em casos de veículos a álcool ou gasolina. “Aproximadamente 40% do faturamento é para gastos com combustível e manutenção. Eu gasto R$ 300 com gasolina por semana e R$ 300 com manutenção a cada 10 mil quilômetros, ou seja, a cada quatro meses”, conta Rosendo Bruno.

Motoristas do Uber em Manaus

Angelo Cabral
O motorista Angelo Cabral conta que para se dar bem no Uber precisa traçar metas e horários fixos. “Se alguém quiser trabalhar no Uber tem que se dedicar, ter foco e metas, caso não tiver essas ferramentas não compensa”. Ele revela ainda que tem outros projetos de investir o dinheiro do Uber em outra fonte de renda. “Nós não temos apoio de nenhum político, é sempre uma ameaça na mobilidade do Brasil”.

Rosendo Bruno Tavares

O estudante de odontologia Rosendo Bruno Tavares conta que resolveu ser motorista do Uber para ganhar uma renda extra. E por seu curso ser integral ele trabalha depois das 18 horas até às 22 horas e nos finais de semana das 08 horasàs 23 horas. “Em média realizo 80 viagens na semana. Até dia 18 do mês o retorno é muito bom, depois disso o movimento fica bem fraco, assim faturo de R$ 800 a 1100”, conta.

Paulo Victor Brasil

O estudante de direito Paulo Victor Brasil resolveu ser motorista do Uber por causa da instabilidade de emprego no Amazonas. “Eu estava somente estagiando com minha mãe. Alguns dias tinha coisas para fazer e em outros não. E sempre que tenho tempo disponível eu opto ser Uber, não tem um horário fixo, atuo na madrugrada ou horário de almoço. Gasto com combustível e o aluguel do veículo”.

Alan Castro

O motorista do Uber Alan Castro conta que resolveu investir na plataforma para ter uma renda independente. “Tenho experiência ampla em vários setores, mas o mercado de trabalho é concorrido”.  Alan dedica integralmente seu dia como motorista do Uber até bater as metas. “Faturo entre R$ 180 a $350 e busco com este dinheiro honrar dívidas e investir num projeto empreendedor”.

Urgência em votação contra aplicativos
O Senado Federal aprovou  na última terça-feira (24) por 46 votos a 7, a urgência para votação do Projeto de Lei 28/2017, que regulamenta o uso de aplicativos de transporte remunerado privado de passageiros, como o Uber, Cabify e 99. Inicialmente, o objetivo era votar ainda na terça-feira o projeto na Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa, mas, como não houve acordo, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, colocou em votação no plenário o pedido urgência. Com isso, a proposta não precisará mais tramitar nas comissões.