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Manaus
INSEGURANÇA

Amazonenses denunciam fragilidade social e cenas de violência vistas na Venezuela

Debate reacendeu após morte do amazonense Amaury Castro da Silva, 47, vítima de latrocínio durante viagem de carro ao país vizinho 16/01/2018 às 07:28
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Amaury estava a caminho de Margarita quanto foi morto em uma rodovia venezuelana entre Puerto Ordaz e San Felix. Foto: Reprodução/Internet
Kelly Melo Manaus (AM)

O assassinato do amazonense Amaury Castro da Silva, 47, na cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela, no último sábado, abriu o debate para a falta de segurança para quem pretende pegar a estrada e chegar no país vizinho de carro. Nas redes sociais, várias pessoas denunciam a fragilidade social e as cenas violência vistas nas cidades venezuelanas.

O empresário Leandro Nascimento, 40, esteve em Margarita na última semana e disse para A CRÍTICA que, no momento, não é seguro viajar para o país.

“A segurança está complicada. Tentaram roubar a minha van e quebraram os vidros. Um total descaso. A sensação que a gente tem é que a cada momento uma pessoa vai querer nos roubar lá”, disse ele, que realiza viagens para a ilha desde de 2010. “Não aconselho ninguém a ir para lá neste momento. Eu pretendia ir novamente no Carnaval, mas está sem condições”, reafirmou.

O assistente de compras Jonathan Diniz, 26, também visitou Margarita nos primeiros dias do ano e contou para a reportagem que, apesar das belezas naturais da Venezuela, sentiu medo durante percurso.

“Vimos muitas barreiras do Exército Venezuelano e passamos por muitas revistas, inclusive com cães farejadores, mas não sabíamos o que eles queriam. Na cidade, vimos várias crianças pedindo comida, dinheiro, roupas e o conselho que recebíamos era para não andar com jóias e guardar o celular para não sermos assaltados. Isso me deixou assustado”, comentou.

No Facebook, uma usuária da rede social identificada como Giselle Araújo postou um vídeo onde conta o drama dos irmãos e primos que também viajaram para a Margarita de carro. Além do grupo não conseguir chegar ao destino, eles foram assaltados duas vezes e extorquidos por venezuelanos. Até o fim da tarde de ontem, a postagem dela havia alcançado mais de 405 mil visualizações e 12 mil compartilhamentos.

De acordo com o delegado federal Pablo Oliva, esse não é o melhor momento para realizar turismo na Venezuela. “É arriscado pela fragilidade social. Quanto maior a fragilidade, mais fácil fica de acontecer delitos como assaltos e outros crimes”, afirmou.

O delegado orienta os turistas a tomarem cuidados, caso queiram seguir viagem, como evitar pegar a estrada à noite, viajar seguindo um comboio, preferencialmente formado por carros mesclados (com placas brasileiras e venezuelanas), ou contratar serviços que levem o veículo até a Venezuela em segurança. “Essas medidas são importantes para tentar evitar um crime. Por exemplo, as placas dos carros brasileiros são totalmente diferentes das de lá. Então, uma pessoal mal intencionada reconhece um turista facilmente”, ressaltou.

Translado

O corpo de Amaury Castro foi trazido para Manaus na noite de ontem. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado em Santa Elena do Uairen está acompanhando o caso e está em contato com as autoridades venezuelanas e com as famílias dos brasileiros para prestar a assistência consular cabível.