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Economia é afetada pela falta de práticos no AM, diz deputado

Parlamentar e empresários acham que há falta de práticos no Estado, mas isso não é verdade, segundo a Conapra 05/10/2012 às 08:12
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A R$ 35 mil é o valor cobrado pelas associações de praticagem por apenas uma manobra executada, já que o serviço está disponível 24 horas
RENATA MAGNENTI Manaus

A escassez de profissionais práticos no Amazonas está afetando a economia local, segundo o deputado estadual Luiz Castro, que foi provocado pela classe empresarial. O parlamentar enviará para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e a bancada amazonense em Brasília um requerimento para que avaliem a situação. Os profissionais de praticagem em Manaus afirmam que o número de práticos na região não atende à demanda atual. Mas o presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Ricardo Falcão, afirma que o parlamentar encaminhará um “documento mentiroso” ao Mdic.

Há dois meses Luiz Castro recebeu empresários da indústria que fizeram a queixa sobre a falta de práticos em Manaus. Estes profissionais auxiliam na atracação e navegação de navios de cargas e representam o Estado nos navios estrangeiros. No discurso, o parlamentar afirma que dirá ao Mdic que o número de práticos é insuficiente. Embora não tenha feito referência ao número necessário desses profissionais.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, explica que o Amazonas fica entre duas das zonas de praticagem (ZP). A ZP-1 corresponde a Belém e a Itacoatiara e a ZP-2, de Itacoatiara a Manaus. “É na ZP-1 que temos problemas. Os navios ficam dias parados esperando por um prático para chegar até Manaus e isso tem causado transtorno para fábricas dos setores eletroeletrônicos e de duas rodas”, disse Périco, que não soube dizer com quanto tempo de atraso os navios chegam à cidade.

O outro lado

O coordenador operacional da Manaus Pilots, André do Valle, disse acreditar que falta práticos para atuar na ZP-1 onde os atrasos são maiores. “Fazemos o trecho da ZP-2 e se a ZP-1 atrasa, consequentemente, atrasamos também”, disse.

O presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) e prático da ZP-1 da Bacia Amazônica Prática, Ricardo Falcão, afirmou que hoje a região Amazônica tem 82 práticos e outros 32 estão em treinamento. “Nos Estados Unidos, que têm demanda dez vezes maior que no Brasil, há 1.200 e no Brasil 450”, explicou.

O gargalo, segundo Ricardo, está na malha aérea da região Amazônica. “Somos avisados da chegada de um navio com 24 horas de antecedência e muita das vezes o deslocamento dos práticos é feito em 16 horas”.

Dois anos dentro de navios

Os práticos são subordinados à Marinha Mercante, da qual o Conapra está solicitando que os chamados por parte dos armadores sejam feitos com 72 horas de antecedência. “De Macapá para Belém, por exemplo, há apenas dois voos diários se o prático perder um deles são 12 horas de espera para o próximo”, disse o presidente da entidade, Ricardo Falcão.

Para ser prático é necessário ter habilitação de aquaviário junto à Marinha. Além de formação universitária e inglês fluente. Com estes requisitos, o candidato passa por um processo seletivo.

Aprovado, passará dois anos em treinamento dentro de navios. O treinamento é gratuito, mas como precisam se manter, as associações fazem uma espécie empréstimo onde o futuro prático tem acesso a cerca de R$ 1.200 ao mês. Na última etapa, ele é avaliado por uma banca de nove profissionais.