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Educação de má qualidade em escolas particulares de Manaus

Escolas particulares têm uma série de problemas que vão da falta de infraestrutura até à formação ruim dos professores 04/06/2012 às 07:44
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Mobiliário inadequado é uma das irregularidades verificadas nas escolas
Milton de Oliveira Manaus

A rede particular de ensino tem em Manaus 400 escolas dedicadas ao ensino pre-escolar, mas 280 delas funcionam de maneira irregular. Os problemas estão na infraestrutura, formação de professores e despreparo para lidar com as crianças.

“Já recebemos denúncias de pais que reclamavam sobre abuso na hora de chamar a atenção das crianças e muitos professores não estão preparados para educar”, diz a secretária executiva do Conselho Municipal de Educação (CME), Nara Helena Teófico. “(professores) Não são pedagogos, nem possuem curso superior de magistério. Então, o que e como vão ensinar”, questionou .

Essa situação pune os pais que  fogem das escolas públicas. No intuíto de dar melhores condições educaionais aos filhos, eles pagam mais caro, no entanto são submetidos a escolas que tem os mesmo problemas de uma escola pública.

“A gente paga pro filho ser bem formado, ter as melhores condições, mas ai acontece isso. Me sinto enganado”, diz o funcionário público Rodrigo Rabello, cuja filha de cinco anos estuda numa escola particular. “Vou ver se a escola está entre as irregularidades”, afirmou.

Mobiliário inadequado, falta de alvará do Corpo de Bombeiros, falta de área de lazer e excesso de crianças em sala de aula e até a ausência do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), são itens que engrossam a lista de irregularidades dos estabelecimentos de ensino.

“Por isso, não conseguem alvará da saúde nem licença dos bombeiros. Outras têm problemas com relação à qualificação docente”, disse o gerente administrativo do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular de Manaus (Sinepe) Luciano Martins.

Calados
A  CRÍTICA procurou ouvir os secretários de Estado da Educação, Gedeão Amorim, e Municipal de Educação, Mauro Lippi, para comentar  sobre o assunto, mas assessorias informaram que o funcionamento da rede particular é um assunto “de competência dos conselhos municipal e estadual de educação” e, portanto, os secretarios não têm nada a ver com o problema que afeta os alunos de Manaus.

Problemas também em outros níveis
A situação das escolas particulares de ensino fundamental e médio não é diferente. Segundo o Conselho Estadual de Educação (CEE), muitas instituições particulares de ensino deram entrada no processo de autorização, mas não esperam o final do processo para funcionar.

“Durante o processo a instituição recebe a visita do assessor pedagógico e a do conselheiro. Mas, há instituições que, no decorrer do processo, começam a funcionar sem ter concluído as exigências”, explicou a presidente substituta do CEE Fernanda Melo. Ainda conforme ela, o corpo docente da escola deve estar de acordo com o que a escola propõe.

Números
Segundo o Censo Escolar de 2011, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no Município de Manaus, 3,2 mil crianças estão matriculadas em creches privadas e 13,1 estão em pré-escola. Na rede pública  da prefeitura e do Governo do Estado, o número sobe para 3,3 mil e 37,2 mil respectivamente.