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Manaus
Falta concurso

Efetivo defasado atrasa evolução e sobrecarrega Corpo de Bombeiros do AM

Abertura de novas companhias na capital e interior esbarra no baixo número de militares para as operações: os Bombeiros contam com apenas 694 soldados para atuar nas 11 companhias de Manaus e nas sete interioranas 19/08/2017 às 13:11 - Atualizado em 19/08/2017 às 13:11
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O comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Carlos Alberto Tupinambá / Foto: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) vive um momento de desenvolvimento por conta do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (Fundesbom), que está tornando possível aparelhar a corporação com equipamentos tecnológicos para os sinistros ou qualquer ação do dia a dia. No entanto, a carência no efetivo atravanca esse mesmo desenvolvimento, já que a abertura de novas companhias na capital e interior esbarra no baixo número de militares para as operações: os Bombeiros contam com apenas 694 soldados para atuar nas 11 companhias de Manaus e nas sete interioranas.

O aparato hoje existente é de exatos 694 bombeiros para as 11 companhias da capital (Comando Geral, Distrito, Zumbi, Grande Circular, Rodoviária, pelotão fluvial, Ponta Negra, Batalhão de Incêndio Florestal e Meio Ambiente, Compensa, Colônia Oliveira Machado e Subcomandec (braço da unidade da Defesa Civil do Estado, que é subordinada aos Bombeiros). O interior do Estado tem companhias em Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara, Parintins, Rio Preto, Tefé e Tabatinga

“Tudo o que pensamos em fazer, crescer, ajudar, prosperar, esbarra na questão do efetivo. Se tivermos uma grande operação teremos que tirar o pessoal de folga para compor essa grande operação. Exemplo: Carnaval, Reveillon. Tivemos dois grandes eventos sediados em Manaus que foram a Copa do Mundo e as Olimpíadas e o nosso efetivo se desdobrou porque havia gente que estava de serviço no dia e outros de folga trabalhando. Em Parintins (Festival Folclórico) também a mesma situação. Tudo que planejamos cai na questão do efetivo. O ‘piano fica mais pesado’, digamos assim, porque temos que desdobrar o pessoal, recompor o efetivo”, explica o coronel Carlos Alberto Tupinambá, comandante do Corpo de Bombeiros e que assumiu a corporação no último dia 26 de julho.

A crise econômica do Estado, mais a instabilidade política, prejudicaram a realização do concurso marcado para o início do ano, ressalta o militar.

Defasagem

Quando os Bombeiros se desvincularam da Polícia Militar, em 26 de novembro de 1998, havia um quadro de distribuição do efetivo para   aquela realidade e que perdura até hoje gerando defasagem. “O planejamento estratégico elaborado em 2015, e que dá um norte aos Bombeiros até 2025, previa que o ideal seria termos 1.700  bombeiros, mas a corporação cresceu, surgiram outras companhias como Iranduba, Rio Preto da Eva e Tabatinga não estavam previstas no quadro anterior. E com essa redistribuição nós vamos prever, crescendo de  forma organizada e racional para outras companhias no interior, a exemplo de Humaitá, fortalecer Tabatinga, Coari, Tefé. Mas hoje não posso crescer o efetivo porque não há nada previsto e isso seria  irresponsabilidade administrativa. Só dá pro aumentar o efetivo com concurso, que é o único mecanismo legal de entrada, mas o momento econômico não é bom para se ter despesa com concursos e nem aumento de salário”, explica o comandante.

“Com um efetivo maior poderíamos colocar mais postos em Manaus, crescer nas zonas Norte e Centro-Oeste, pro interior, potencializações de Bombeiros e Defesa Civil”, ressalta.

Sobrecarga

A defasagem acarreta, além de dificuldades de expansão, outro grave problema: a sobrecarga entre os bombeiros, que se transformam em soldados multiuso, abrindo mão de especializações para se revezar em outras situações visando ganhar o “pão de cada dia”.

“Nós conseguimos atender os anseios da sociedade. Mas poderíamos melhorar muito se conseguíssemos preencher esse vazio que se encontra hoje no Corpo de Bombeiros. Hoje, um guerreiro que trabalha num carro de combate a incêndio, ele no momento está dando combate ao próprio incêndio, depois sai em outro momento para reforçar o efetivo de guarda-vida lá da Ponta Negra, em outro vai para o efetivo das unidades de resgate nas estradas. Então, ele é uma pessoa multiuso. Com o aumento do efetivo eu poderia deixar ele no combate ao incêndio, investir nele e capacitá-lo cada vez mais para que ele seja muito mais especialista na área dele, fortalecendo-o. Como também os guarda-vidas, unidades de resgate de mergulhadores. Existem salva-vidas que nas horas de folga tiram serviço extra lá na Ponta Negra como guarda-vidas também”, relata o coronel Tupinambá, ex-jogador de futsal do tradicional e campeão Santos de Educandos, na Zona Sul, e sobrinho de uma das maiores educadoras da cidade, a saudosa Tereza Tupinambá.

Sobre equipamentos, o comandante explicou que a corporação está bem aparelhada, mas “é claro que precisa sempre mais”. “Estamos bem equipados graças a Deus, temos muito equipamento para incêndio, desencarceramento de vítimas presas em ferragens, plataformas, escadas que têm acesso a prédios elevados, escada de 68 metros que atende os prédios mais elevados de Manaus e temos as de 31 metros que chegam tranquilamente a prédios de 10 andares. Há viaturas de combate a incêndios, equipamentos de mergulho, compressores de alta pressão para reabastecer os cilindros para eles mergulharem sem o cilindro autônomo nas costas para ele respirar e ter autonomia maior.  E vamos comprar novas roupas. Mas claro que precisamos ter mais. Estivemos muito pior, e a tendência é melhorar bastante. Seguimos a máxima de “quem tem dois só tem um; quem tem três tem dois; quem tem um, não tem nenhum”!”, garante Tupinambá.

O comandante não se esquivou em responder se a política tem atrapalhado a corporação: “A política não atrapalhou os Bombeiros. Seguiremos cumprindo a nossa missão independente de quem estiver no comando do Governo do Estado, fiel a ele e sendo braço forte e mão amiga. Estamos passando um momento sensível da política e quem assumir o comando do Estado que olhe com carinho para o Corpo de Bombeiros independente de quem esteja aqui na equipe de comando, pois é uma ferramenta, um braço forte que ele tem a favor dele, e que nós possamos crescer juntos, ele ajudando os Bombeiros a crescer e nós dando uma resposta do crescimento do Governo como um todo. Se puder, e a economia do Estado deixar, vamos lutar para fazer um concurso para facilitar e tirar um peso muito grande das costas de todo mundo, dividindo esforços”.

Projetos tem ações mirins, de terceira idade e até aplicativo

O Corpo de Bombeiros do Amazonas tem projetos em andamento que estão auxiliando a coletividade e até mesmo interagindo com elas. Um deles é o “Bombeiro Mirim”, que atende 540 crianças e adolescentes, de 7 a 16 anos, e que é desenvolvido nos municípios de Iranduba, Itacoatiara, Parintins, Tefé e Rio Preto da Eva, e deve ser expandido para Manacapuru e o posto do Zumbi, na Zona Leste.

“Esse projeto visa tirar o tempo ocioso da criança, que vai para a aula em determinado horário e no outro, para não ficar em casa pensando besteira, nós trazemos para o quartel e começamos a dar aulas de cidadania para elas, dentro da nossa missão. Ela recebe aulas de ordem unida, de primeiros socorros, de combate a incêndios urbanos e, como eles estão no interior, também florestal, parte de educação ambiental, educação física. Isso é um projeto fantástico que ocorre no Brasil todo e tira a criança do ócio. Nosso objetivo é que essas crianças, quando chegarem à maioridade e estiverem prontas para o mercado de trabalho, sejam cidadãos de bem, e se elas desejarem ser bombeiros, serão muito bem vindos”, explica o comandante Carlos Alberto Tupinambá.

Em Iranduba o Corpo de Bombeiros também desenvolve o projeto “Terceira Chama”, que é desenvolvido com 50 idosos e idosas daquele município que, também dentro do quartel, conhecem mais sobre primeiros socorros. “Oferecemos a eles algo que a idade deles os deixa executarem. Não adianta eu dar uma aula de incêndio florestal que eles vão cansar. Mas damos toda a parte preventiva a eles, aproveitam nosso espaço para ter aulas de danças, alguma coisa de artesanato, realizamos palestras com pessoas de fora sobre prevenção de doenças...”, esclarece o coronel.

Outra ação dos Bombeiros do Amazonas é a criação de um aplicativo para telefones celulares – o “Atender Emergência” – que é destinado à população realizar chamadas de emergência, à corporação receber e gerenciar essas mesmas chamadas e, claro, o atendimento das emergências.

O app, desenvolvido pelo capitão bombeiro Gama, encontra-se disponível para a plataforma Android, estando em fase de testes há 1 ano. Em breve, segundo a assessoria dos Bombeiros, deve estar disponível para IOS.

A instalação de uma nova companhia na área do Centro da cidade, um anseio de lojistas esbarra, além da falta de efetivo, também na necessidade de haver um local apropriado onde o tempo-resposta para as ocorrências seja o mínimo possível, orienta o comandante. “Antes tínhamos um posto na Portobras de onde saímos dalí e entrávamos na Eduardo Ribeiro, fácil, e já atendia o Centro e chegava ao local da ocorrência rápido. Hoje temos que dar um contorno lá na rua Floriano Peixoto, pegando um pouco da avenida Getúlio Vargas, pois não dá para o carro passar por cima dos ‘dentes de dragão’ que há por lá. Tem que ser um posto preciso”.

Os Bombeiros do AM em números

141 anos de fundação

84 viaturas operacionais

29 motocicletas

27 viaturas administrativas

10 embarcações

7 companhias do interior

11 companhias na capital

5 mil ocorrências atendidas por ano, em média

Fonte: Assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros do Amazonas

Frase

“Confie no bombeiro pois ele vai chegar e ajudar você. Temos esperança de aumentar o nosso efetivo para prestar um serviço cada vez melhor e de excelência para a sociedade. Que a sociedade continue confiando pois o bombeiro é um amigo”

Carlos Alberto Tupinambá, comandante dos Bombeiros do AM

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Carlos Alberto Tupinambá, comandante dos Bombeiros do AM

“A corporação, administrativamente, tem um propósito em virtude do planejamento estratégico que foi elaborado em 2015, e que dá um norte aos Bombeiros até 2025. Então, já temos nosso comando delineado em cima desse planejamento estratégico, que foi feito não por algumas pessoas, mas por todos nós, que reunimos no auditório, fizemos um questionário procurando qual o anseio da tropa, e em cima desse anseio da tropa fomos dando as prioridades. Lembro que o primeiro anseio da  tropa foi a construção do nosso Fundo de reaparelhamento do Corpo de Bombeiros. Temos nossa diretoria de atividades técnicas e lá pra você dar entrada em um projeto, analisar obras, você paga taxas proporcionais ao risco e área do projeto. E essas taxas ficavam no fundo único do Estado. Conseguimos reverter isso para que os recursos caíssem no fundo dos Bombeiros. E com ele estamos conseguindo reaparelhar. O Fundo foi, então, a prioridade zero, e desenvolve algumas subações que é a modernização da nossa diretoria de atividade técnica para dar uma melhor otimização para aquela diretoria e, com isso, quem vai sentir mais é o nosso cliente, que é sociedade amazonense que vai ter um serviço de excelência com agilidade, que é o que mais eles querem, e tudo dentro da legalidade. Então já estamos executando isso e nós já passamos pro segundo passo, que é a outra prioridade, que é a questão do reaparelhamento. Já compramos com esse recurso do Fundo duas unidades de resgate zero, novas; 120 conjuntos de roupas par equipamento de proteção individual (cujo kit é formado por capacete, a balaclava, a roupa de aproximação que são a camisa e a calça, a bota e a luva que, somados, custam unitariamente quase R$ 5 mil e será para uso individual de casa bombeiro, personalizando esse mesmo equipamento de EPI para a capital e interior); dois conjuntos cada um com duas máscaras de mergulho chamada Full Face que proporciona ao mergulhador falar com a superfície (hoje mergulhamos sem falar com a superfície e só com a comunicação via cabo e em toques ainda dos primórdios, o que vai possibilitar grande segurança nas nossas operações de mergulho do nosso Estado; outra grande conquista é atualizar nosso quadro de distribuição de efetivo”.