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Em Anamã (AM) mais de 8 mil pessoas enfrentam transtornos da cheia

O município de Anamã (AM) está com 100% do território inundado. Em meio ao estado de calamidade pública, mais de 8 mil moradores ainda resistem à cheia do rio Solimões e continuam morando nas casas alagadas 19/05/2012 às 16:46
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Maria José Gomes, com os filhos e o marido, foi levada para uma sala de aula do Centro de Educação Infantil de Anamã, onde as atividades foram suspensas
CAROLINA SILVA Anamã (AM)

Em meio ao estado de calamidade pública, mais de 8 mil moradores do Município de Anamã (a 168 quilômetros de Manaus) ainda resistem à cheia do rio Solimões e continuam morando nas casas alagadas. O abastecimento de água foi interrompido, o fornecimento de energia elétrica está comprometido e unidades de saúde estão funcionando improvisadas em uma balsa. A cidade está com 100% do território inundado.

De acordo com a Defesa Civil de Anamã, 10.193 pessoas foram afetadas pela enchente no município. Ao todo, 8.702 moradores ainda preferem enfrentar a subida das águas dentro de casa em cima das marombas a mais de 1 metro de altura do nível do chão.

Na rua Raimundo Tavares, a dona de casa Isabelita Gonçalves, 51, não abandonou a casa onde mora com a esperança de que o nível do Solimões comece a baixar em breve. “Não nos mudamos em 2009 e esperamos não precisar sair de casa desta vez. Temos insistido com as marombas e pretendemos afrontar ela (enchente) assim mesmo”, disse Isabelita.

Mas com oito filhos pequenos, a dona-de-casa Maria José Gomes, 39, teve que se mudar para um abrigo improvisado pela prefeitura, na rua José Vidal, já que o nível do rio está acima da janela da casa onde morava na rua Francisco de Siqueira. “Não tinha mais condições de ficar por cima das marombas com crianças porque elas corriam muito risco de cair na água e se afogar”, disse Maria José. Ela, o marido e os filhos, estão dividindo, com mais uma família, há cerca de um mês, o segundo piso do Centro de Educação Infantil de Anamã que não foi inundado.

Um total de 869 moradores da área urbana de Anamã foram deslocados para as comunidades na zona rural que estão situadas em áreas de terra firme, conforme o coordenador da Defesa Civil do Município, Laércio Bittencourt. “Poucas famílias estão em abrigos. Muitas se mudaram para a casa de familiares em Manaus”, disse Laércio. Inundados, o hospital e o posto de saúde do município estão funcionando numa balsa levada pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam). A Usina Termelétrica de Anamã também teve que ser adaptada e os transformadores estão sob marombas para manter a cidade com energia elétrica. Mas o gerente da usina, Clóvis Leitão, revela que, se o rio Solimões continuar subindo até meados de junho, o fornecimento de energia pode ser interrompido. A prefeitura já interrompeu o serviço de abastecimento de água.

Manifestação em Iranduba
Os moradores das comunidades Curari e Marchantaria, no Município do Careiro da Várzea ( a 29 quilômetros de Manaus); e Jandira, Catalão e Cacau-Pirêra, do Município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), tiveram suas casas alagadas e ainda não receberam a ajuda. Elas se uniram aos invasores da comunidade Nova Vitória, no km 4 da estrada Carlos Braga (Iranduba). “O prefeito não deu tábuas e nem os R$ 400”, reclamou a dona de casa Maria José Vieira. O carpinteiro Lourenço da Costa disse que mora de aluguel e que a casa está debaixo d’água. “Eu soube que tem um terreno aqui e como não estou recebendo ajuda eu vim para cá”, disse.

Os moradores passaram a manhã em frente à Prefeitura de Iranduba para pedir um posicionamento do prefeito Nonato Lopes (PMDB) que ficou de dar uma resposta na segunda-feira. “O pessoal alagado está unindo forças com a gente para ver se conseguimos um local para morar”, disse um dos coordenadores do movimento, Rilson Oliveira Jr. Colaborou: Mária Derzi e Jonas Santos