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Manaus
ENSINO E APRENDIZAGEM

Em audiência pública, educadores dizem que opinião é fundamental

Envolvimento dos principais ‘atores’ da educação será fundamental para a formatação da Base Nacional 08/07/2017 às 05:00
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Primeira audiência contou com boa participação dos educadores. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus

Professores e representantes de organizações que atuam em causas educacionais afirmaram, nesta sexta-feira (7), durante a primeira audiência pública sobre a proposta de formação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC),  que o País vive um momento histórico e a opinião dos educadores começa a ser valorizada. A BNCC redefine os objetivos de aprendizagem da educação infantil e fundamental em todo o País.

Para a gerente de relacionamento com professores da Fundação Lemann, Lara Alcadipani,  a base não é o fim, mas o começo para que Estados e Municípios construam seus currículos de forma que possam preparar os alunos para o século 21 e todas suas mudanças.

“A gente sabe que a qualidade da educação ainda é um privilégio, infelizmente. Não só de algumas regiões do País, mas também dentro de regiões do País. Você ainda vê muita desigualdade rolando dentro das próprias regiões”, avaliou Lara. “A gente acredita que é possível construir políticas públicas que atendam a sala de aula de verdade e a base traz essa proposta não de ser um fim, mas, na verdade, de ser um recomeço da educação no País. É histórico”, completou a gerente da organização sem fins lucrativos que é mantida pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil conforme a revista Forbes.

Lara contou que a fundação atua há cerca de três anos em prol da proposta da base e incentivando e convidando educadores a se envolveram cada vez mais nas discussões que podem mudar a forma como o ensino é aplicado nas escolas, em todas regiões do Brasil.

“Nosso compromisso é sempre contribuir para a qualidade e equidade, essas duas coisas andam juntas na nossa lista de prioridade. É impossível construir essas políticas públicas sem ouvir e envolver os professores nesse debate e na participação dessas políticas”, afirmou.

De acordo com Lara, a Fundação, que tem 15 anos, atua também cobrando que os governos possam aderir cada vez mais à participação de professores nas discussões que podem mudar o rumo do ensino. “Os professores tem uma participação forte e o governo precisa saber deles quais são as demandas reais e quais são as ideias que eles têm para acrescentar”.

4 - Outras audiências públicas, como a de ontem, em Manaus,  serão realizadas em Recife, Florianópolis, São Paulo e Brasília até setembro. Após as reuniões e a partir da colaboração da sociedade, o material será enviado ao MEC.

Professores destacam a importância do novo currículo
Para o professor de Matemática da rede pública de ensino Eriberto Façanha, a proposta da Base Nacional Curricular Comum é de extrema importância para transformar a educação por meio de um cronograma unificado em todas as regiões do País e sem  distinção.

“O objetivo  é fazer com que todos os alunos possam ter a possibilidade de estudar de forma igual em todo o País. Ou seja, a base traz os conhecimentos essenciais que as crianças e os jovens têm que ter para serem desenvolvidos. É extrema importância e nós estamos fazendo parte desse processo de mudança”.

A também professora Vera Lúcia, que participou da coordenação estadual de articulação da base, afirmou que é um processo importante e a participação dos professores acontece desde a primeira versão. “No Amazonas todo foram realizadas discussões e tivemos uma participação forte do professores. É totalmente histórico para o Brasil e para educação porque a sociedade voltou os olhos para a educação básica. É um documento construído a muitas mãos”, afirmou.

Mudanças profundas no Programa do Livro Didático
O secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, Rossieli Silva, destacou que a base trará consequências importantes para o Programa de Livro Didático.  “Nós teremos várias mudanças, do primeiro ao quinto ano, todos os livros serão consumíveis. O que significa isso? Quer dizer que esses alunos não vão precisar devolver esses livro, eles vão ter o sentimento de propriedade, vai poder fazer anotações e isso é muito importante no processo de aprendizagem”, disse.

Rossieli explicou também que as novas edições dos livros poderão ter correções e inclusão de novos conteúdos que forem classificados como importantes. “Encontrado um erro ou qualquer necessidade poderemos fazer atualizações. Então, as editoras terão que fazer as mudanças eventuais apontadas a cada ano. Então, muda o processo de pensamento do livro, que antes era comprado no primeiro ano e ficava sendo utilizado pro três anos”, explicou.