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Em Manaus, 80% das cirurgias ortopédicas são realizadas em motociclistas bêbados

Das, aproximadamente, 35 cirurgias realizadas diariamente na instituição, mais de 40% são em pacientes ortopédicos e, dessas, 80% são em motocicletas acidentados que haviam ingerido bebidas alcoólicas 18/11/2012 às 21:24
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O motociclista usava capacete no momento do acidente, mas teve fratura no braço, escoriações no tórax e pernas e um corte profundo na mão direita
Ana Celia Ossame ---

Em 2004, o guarda municipal Orquimar Guimarães Ferreira, 37, dirigia uma motocicleta embriagado e sofreu um acidente que o fez perder 20 centímetros do tíbia, osso da perna. Operado na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), oito anos depois ele voltou pra lá por sofrer as sequelas e precisar de uma nova intervenção corretiva. Aposentado por invalidez, ele está agora esperando agendamento do procedimento para os próximos dias.

Das, aproximadamente, 35 cirurgias realizadas diariamente na instituição, mais de 40% são em pacientes ortopédicos e, dessas, 80% são em pacientes acidentados em motocicletas que haviam ingerido bebidas alcoólicas, afirmou o diretor-presidente da unidade de saúde e ensino, médico Raymison Monteiro de Souza.

Com a ocorrência de mis um feriado prolongado, o médico faz um apelo às autoridades responsáveis. “Aumentem a fiscalização porque nesses períodos, o consumo de bebidas alcoólicas costuma ser descontrolado, aumentando, assim, o número de acidentes e, em consequência, de pacientes que vão lotar as unidades de saúde com os mais diversos tipos de fraturas”, explicou ele, lembrando que alguns vão cobrar atendimento rápido, sem levar em conta a fila extensa de pacientes que, da mesma forma que eles, contribuíram para essa situação ao consumir álcool e dirigir um veiculo automotor.

“Não estamos negando atendimento, mas temos poucos especialistas em algumas áreas como cirurgia de quadril, coluna, mão e pé, por isso não podemos atender de forma imediata”, justificou o médico, considerando a necessidade de uma mobilização da sociedade para reduzir o consumo de álcool, fato ocorrido durante a Lei Seca.

Segundo ele, foi constatada a redução no número de acidentes graves com vítimas de traumas que poderiam ser evitados, com a mudança de comportamento. “Poderíamos operar mais pessoas se o nosso foco hoje não fossem os traumatizados”, argumenta.