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Em Manaus, empresas descumprem determinação e mantém ‘cemitérios de ônibus’

Empresas de transporte urbano ainda não retiraram os veículos sucateados de dois terrenos, cinco meses após denúncia 28/08/2012 às 07:59
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No bairro Cidade de Deus, a maioria dos onibus foi desmontado e fica em meio a uma área verde
Florêncio Mesquita Manaus

Mais de cinco meses depois de A CRITICA mostrar dois cemitérios clandestinos de ônibus nas Zonas Norte e Leste, as carcaças dos veículos continuam nos mesmos locais, aumentando o risco de contaminação do solo e servindo de criadouro de mosquitos da dengue. A CRITICA voltou ontem aos terrenos cujos donos receberam prazo de 30 dias para retirar os veículos, mas até esta segunda-feira (27) não haviam cumprido a determinação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

Apesar do prazo estabelecido pela Semmas ter expirado no dia 3 de abril deste ano, o titular da pasta, Marcelo Dutra, informou nesta segunda (27) que os donos dos terrenos estão “dentro do prazo” acordado com a secretaria para retirar os ônibus dos terrenos.

A  assessoria da Semmas destacou que as empresas não cumpriram as recomendações nos autos de infração e continuam recebendo diariamente multas cumulativas de 100 Unidades Fiscais do Município (UFMs) equivalentes a R$ 7.044 mil. Conforme a pasta, as empresas prorrogaram o prazo porque precisavam vender as sucatas, forma encontrada para dar uma destinação aos ônibus.

O primeiro cemitério está localizado no final da rua Uiapuru, próximo ao Jardim Botânico Adolpho Ducke, no bairro Cidade de Deus, Zona Leste. Os ônibus pertencem à empresa Global (antiga Vitoria Régia), que alugou a área. O proprietário do terreno foi multado, em março, em 351 UFMs, o equivalente a R$ 24,8 mil, por falta de licença para operação e depósito irregular. Na ocasião, a empresa Global informou que alugou o terreno pelo período de um ano por não ter onde deixar os ônibus.

O outro terreno fica na avenida Tereza D‘água, próximo à barreira da AM-010, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. A área pertencente à empresa União Cascavel que, por abrigar mais de 100 carcaças de ônibus, além de entulhos, foi autuada também em 351 o (UFMs).

Descaso
Nos dois terrenos a situação é mesma. As carcaças de ônibus estão espalhadas por uma grande clareira rodeada por área verde. Na época, a Semmas informou que os veículos foram retirados de circulação após a renovação da frota e muitos apresentavam vazamentos de óleo, que comprometiam o solo.

De acordo com Marcelo Dutra, todos os vazamentos foram contidos e as carcaças dos ônibus que continuam nos terrenos não representam risco de contaminação do solo. Ainda em março, a Semmas informou que o terreno do bairro Cidade Deus foi desmatado em 2007, mas não poderia ser usado como depósito de ônibus.

Ônibus são de empresas do sistema
Os veículos descartados nos ‘cemitérios’ eram do consórcio Transmanaus, que comandou o serviço de transporte coletivo de Manaus na gestão do ex-prefeito Serafim Corrêa. Após a licitação do setor na gestão do atual prefeito, Amazonino Mendes, empresas do consórcio trocaram de nome e continuaram a operar.

Alguns veículos estão sem para-choque, outros sem lanternas e portas. A maioria dos ônibus que estão no terreno no bairro Santa Etelvina está emplacada e, apesar dos vidros das janelas quebrados, estão ‘inteiros’. Já alguns veículos no terreno do bairro Cidade de Deus estão parcialmente desmontados.

O cemitério de ônibus no bairro Santa Etelvina é vigiado por um vigilante, que fica em uma guarita. No entanto, de uma estreita rua de terra é possível ver, sem dificuldade, os veículos espalhados no local. No Santa Etelvina também é possível ver as carcaças de uma rua localizada ao lado do terreno.

Secretaria diz que retirada é gradativa
A CRITICA solicitou cópia das notificações aplicadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) as empresas e ao dono de um dos terrenos, mas a pasta informou que é norma não repassar documentos públicos oficiais à imprensa. 

A Semmas informou que a Global mantinha 116 ônibus no terreno do bairro Cidade de Deus; agora tem 40 e continua fazendo a retirada gradativa. Já a União Cascavel mantinha 120 carcaças e está com 80 ônibus no terreno do bairro Santa Etelvina. Em ambos os casos, conforme a secretaria, foram tomadas as medidas administrativas cabíveis.

Focos de dengue
A CRITICA constatou nesta segunda (27) que peças e carcaças dos ônibus ainda estão cheias de água parada e favorecem a proliferação de mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, infração que pode ser punida com multa de até 28,2 mil.