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Manaus
Ônibus do medo

Em média, Manaus tem dez assaltos a ônibus por dia; linha 560 é a mais perigosa

Só nos primeiros oito meses de 2017, linha teve 80 casos de assalto, o que representa uma média de um roubo a cada três dias. Empresários reclamam que prejuízo chega a R$ 701 mil até agosto 06/09/2017 às 19:56 - Atualizado em 09/09/2017 às 09:09
Show linha 560
Linha 560 teve 80 assaltos de janeiro a agosto deste ano (Foto: Clóvis Miranda)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Diariamente, uma média dez assaltos a ônibus são registrados em Manaus. De janeiro a agosto deste ano, os roubos  a coletivos já somaram 2.542 ocorrências, o que preocupa usuários e trabalhadores do sistema rodoviário. E os assaltantes têm preferências: a linha 560 é a mais cobiçada. Só nos primeiros oito meses foram 80 registros, o que representa uma média de um roubo a cada três dias, conforme dados do Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram).

Além da preferência pela linha 560, os ladrões estão fazendo arrastões nos terminais. O da avenida do Passarinho, no bairro Monte das Oliveiras, e o do conjunto João Paulo, ambos na Zona Norte, são os que sofrem arrastões com maior frequência. “Eles chegam aqui roubam a renda dos ônibus, passageiros e os nossos pertences”, disse o coordenador de transporte do terminal do Passarinho, que pediu para não ter o nome divulgado.

Esdras Naim da Silva disse que trabalhou como motorista da linha 560, que sai do Terminal 4, na Zona Leste, e vai até o terminal da Praça da Matriz, no Centro. De acordo com ele, o trabalho era tenso e que se sentia inseguro e assustado. “Eu procurava observar as pessoas e ficava sempre atento a qualquer comportamento diferente”, disse. Atualmente ele é motorista substituto da empresa e continua

“Quando eu entro num ônibus desses já vou entregando a minha vida para Deus”, disse a assistente social Dalva Rodrigues Nascimento, moradora do conjunto João Paulo, Zona Norte.  De acordo com motoristas e cobradores, nos últimos tempos, muitos assaltantes deixaram de roubar a renda do coletivo e passaram levar os pertences dos passageiros, principalmente o celular.

De acordo com os motoristas e cobradores os assaltos acontecem, na maioria das vezes, a partir das 15h e se intensificam à noite. Os criminosos escolhem os mais lotados, usam de violência e normalmente conseguem fugir.

Conforme o comandante do Comando de Policiamento da Capital, Cláudio Silva, de segunda-feira até ontem três suspeito foram presos. “A polícia está com ações voltadas para essas áreas onde estão acontecendo os arrastões”, afirmou.

De acordo com o secretário de Segurança Pública (SSP), Carlos Alberto Alencar, como as ações anteriores não surtiram o efeito esperado, a partir da próxima terça-feira, novas medidas serão implementadas para tentar minimizar os casos. “É uma ação nova, que está sendo montada com base  nas informações conseguidas pelas policiais Civil e Militar e Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai)”, disse ele, que preferiu não entrar em detalhes.

Zona norte é a mais visada

Os empresários do transporte coletivo reclamam que o prejuízo soma R$ 701 mil de janeiro a agosto deste ano.  Dados do Sinetram, mostram que a empresa Integração Transporte, que atende a Zona Norte da capital, foi a empresa mais visada pelos criminosos. Até agosto, apenas esta empresa registrou 648 assaltos, o que causou um prejuízo de quase R$ 211 mil. A empresa Global, que atende os usuários da Zona Leste da cidade é a segunda do ranking. No mesmo período, a empresa sofreu 462 roubos e acumulou prejuízos de mais de R$ 125 mil. Já a empresa Açaí Transportes, que atende usuários da Zona Oeste e Norte sofreu 337 assaltos, que representam perdas de mais de R$ 67 mil.